Com vistas a formatar o Centro Internacional de Energias Renováveis – com ênfase em Biogás (CIER-Biogás), que será lançado durante a cúpula das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que acontece em junho, no Rio de Janeiro, dez instituições de pesquisa do Brasil e do exterior estiveram reunidas no Parque Tecnológico de Itaipu (PTI) nos dias 25 e 26 de janeiro.
Coordenado pela Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Onudi), o futuro centro será o primeiro destes moldes na América Latina e o único do mundo com ênfase em biogás. A Onudi já tem outros centros com ênfase em outras fontes de energia renováveis.
“Paradoxalmente, o centro será uma entidade descentralizada”, resume o superintendente da Assessoria de Energias Renováveis (ER.GB) da Itaipu, Cícero Bley Júnior. “A ideia é não concentrar as pesquisas em um único lugar, mas fazê-las de forma disseminada. As próprias características do biogás nos forçam a isso: cada região tem sua realidade.”
Para Bley, a maior qualidade no processo de criação do CIER-Biogás é que todas as ações têm resultado concreto, como é o caso, por exemplo, do Condomínio Ajuricaba, que já está em funcionamento em Marechal Cândido Rondon (PR). Ele lembra que a verba para manter o centro está assegurada no orçamento de Itaipu até 2015 e que há muitas outras fontes previstas de financiamento.
Condomínio Ajuricaba: modelo
No Condomínio Ajuricaba, 27 famílias já contam com um biodigestor integrado à propriedade. Diariamente essas famílias produzem 690 m³ de biogás a partir dos dejetos de animais. No total, 1/3 de todas as propriedades da Bacia do Rio Ajuricaba, já têm o biodigestor, faltando apenas conectá-los aos currais. São 25,5 km de gasoduto instalados. Quando estiverem em pleno funcionamento, todos vão gerar 820 m³ de biogás.
Os resíduos dos animais criados pelas famílias são bombeados ao biodigestor. Depois de ser digerido pelos micro-organismos, os resíduos viram gás, que é canalizado para uma microcentral elétrica. Os resíduos finais são armazenados em um lago e bombeados para a pastagem como fertilizante. Parte do gás é usado na secagem do milho de produtores. Em um dia, 500 sacos de milho são secados e podem virar ração para os animais. O milho é constantemente analisado para medir o teor umidade. O ideal é que esteja em 14%.
O uso nobre do biogás acontece depois de ele passar por um filtro que separa o metano do gás carbônico e do ácido sulfídrico. Ele chega com 70% de metano e sai com mais de 90%, podendo ir para a microcentral elétrica e gerar energia. A eletricidade é usada nas propriedades e o excedente é vendido para Copel.
A previsão é entrar na rota do hidrogênio com a separação do gás H2 para armazenamento de energia.Esse biodigestor foi projetado por Pedro Köller, um jovem autodidata que testou em sua propriedade vários modelos, até chegar ao padrão atual. Hoje, ele vende a ideia para várias partes do Brasil e já pensa em aperfeiçoar o biodigestor construindo em alvenaria, para poder armazenar mais dejetos.






