Cooperativas estimulam produção interna de Angola


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(Luanda – Angola) A produção agrícola de tubérculos, milho e café registou um aumento significativo nos últimos oito anos, fruto da prática de cooperativismo, afirmou ontem, em Luanda, o diretor do Instituto Nacional de Café (INCA).

João Neto, que falava durante o fórum sobre “A importância do cooperativismo, experiência em Angola e tributação legal”, acrescentou que, hoje, o cooperativismo em Angola é, de facto, de homens e de mulheres trabalhadores que se unem para facilitar a sua ação produtiva.

“No domínio agrícola, o cooperativismo é o centro em que as pessoas voluntariamente se associam para haver facilidade na assistência técnica e no crédito de campanha que tem tido grandes benefícios no país”, destacou João Neto.

O diretor do Instituto Nacional do Café informou que, em todo o território nacional, existem cerca de duas mil cooperativas, mas que não funcionam de acordo com as expectativas esperadas.

“Temos algumas cooperativas que realmente trabalham de forma afincada e têm resultados positivos, como é o caso da Associação de Criadores de Gado no Sul de Angola, a Cooperativa de Amboim e os produtores de batata na Calenga que têm uma grande cooperativa com estruturas e um centro de recolha e tratamento de produtos”, referiu o gestor do INCA.

“Estas cooperativas funcionais são o exemplo de que o Estado aposta na agricultura com o objetivo de diversificar a economia nacional”, frisou o diretor do Instituto Nacional do Café.

João Neto afirmou que há uma dificuldade de as instituições bancárias cederem crédito agrícola, apesar de, no crédito de campanha agrícola, o Estado dar garantias de 70 por cento. Em caso de catástrofes, o Estado repõe à banca as garantias feitas pelo crédito concedido.

“Por incrível que pareça, os camponeses liquidam mais rápido os créditos que os grandes empresários, mas nesta atividade agrícola pode não haver retorno porque é uma atividade de altíssimo risco”, disse o responsável.

O presidente do Conselho Administrativo da Cooperativa de Crédito dos Funcionários da Presidência da República (COOCREFP), Manuel da Cruz Neto, frisou que a cooperativa tem por objetivo criar condições para que os seus associados possam prestar solidariedade e deixar de pensar em termos individuais, mas sim coletivos.

“Para conseguirmos ajudar outros numa cooperativa, é essencial que a intercooperação esteja presente no nosso dia-a-dia. Devemos deixar de pensar em nós individualmente, mas pensar no grupo. Só assim podemos dar aos outros o que temos, caso contrário, não podemos cooperar”, disse o Presidente do Conselho de Administração da COOCREFP.

Manuel da Cruz Neto informou que o cooperativismo oferece muitos benefícios, entre os quais o combate à pobreza, e contribui para o aumento do emprego, a garantia da segurança alimentar, maior equilíbrio social e o fomento do empreendedorismo.

“A cooperativa vai funcionar na base da solidariedade da cooperação”, adiantou Manuel Neto, salientando que a instituição tem parceiros como o Banco Angolano de Investimentos e vai trabalhar com as demais agências bancárias.