Cooperativas são a saída para ganho de escala e agregação de valor

Publicado em: 09 setembro - 2019

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O embaixador especial da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) para o cooperativismo mundial e coordenador do Centro de Agronegócios da Fundação Getúlio Vargas/SP (FGV), Roberto Rodrigues, palestrou no dia 05 de setembro, na Multifeira de Estrela, sobre as perspectivas do agronegócio brasileiro. O ex-ministro da Agricultura e ex-presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e da Aliança Cooperativa Internacional (ACI) afirmou que as cooperativas são a única saída para ganho de escala e agregação de valor aos pequenos produtores.

Rodrigues destacou que o cooperativismo é fundamental no contexto contemporâneo, pois 71% da renda do agronegócio está Depois da Porteira.

“As cooperativas têm um papel central na vida dos produtores, pois são elas que agregam valor, distribuem, industrializam e importam produtos”.

Reconhecido como uma liderança no cenário do cooperativismo brasileiro, o ex-ministro da Agricultura defende a importância da cooperativa na vida do pequeno produtor. “A economia globalizada está reduzindo a margem por unidade de produto, ou seja, só se faz lucro na escala. O pequeno produtor não tem escala, logo ele só vai conseguir ter ganho de escala através da cooperativa. E é por isso que o cooperativismo ganha no mundo inteiro hoje um dimensão muito maior do que tinha há dez anos atrás, porque é a única saída para escala e agregação de valor”.

Força do agronegócio

O ex-ministro destaca a importância do agronegócio como um vetor crucial do crescimento econômico brasileiro. Em 2018, a soma de bens e serviços gerados no agronegócio chegou a R$1,43 trilhão ou 21% do PIB brasileiro. Desse montante, 41% tem origem na distribuição, 30% na agroindústria, 24% na agropecuária e 5% em insumos. O agronegócio é responsável por 20% dos empregos gerados no Brasil e 42% das exportações do País em 2018.

“O agronegócio sustenta os empregos, o PIB e as importações brasileiras”, ressaltou Rodrigues.

Apesar dos números que demonstram a importância e a força do agronegócio, Rodrigues chamou atenção para a necessidade de mudar a imagem do País, principalmente em relação à repercussão recente que a mídia internacional concedeu à questão do desmatamento. “Essa questão do desmatamento é mentira! Os estudos mostram que o desmatamento caiu 74% de 2004 a 2018”. O coordenador do Centro de Agronegócios da Fundação Getúlio Vargas/SP (FGV) comentou também que o Brasil deve trabalhar para mudar a imagem que se tem no mercado global sobre a questão de gastos com defensivos agrícolas. “No âmbito internacional, existe a imagem de que o Brasil é o país que mais gasta com defensivos agrícolas no mundo, o que também é mentira”. O Brasil aparece apenas na sétima posição em gastos com defensivos agrícolas por área plantada em 2017, atrás de países como Japão, Coreia do Sul, Alemanha, Itália, França e Reino Unido. E figura na 13ª posição por tonelada de alimentos produzidos.

Desafio da Comunicação

“Nosso grande defeito é de comunicação. Nós não sabemos comunicar direito nossa competência. Nenhuma agricultura no mundo inteiro é mais competente do que a nossa”. Com essa afirmação, Roberto Rodrigues, alertou a necessidade de sabermos comunicar claramente a importância do agro nas cadeias produtivas, demonstrando o quanto a agricultura brasileira é moderna. “O herói brasileiro é o agricultor”.

De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a oferta de alimentos no mundo precisa crescer 20% nos próximos dez anos para que não haja fome, e para que isso aconteça é necessário que a capacidade de crescimento do Brasil seja de 41%, número que estabelece um contraste com o cenário de muitos outros países, os quais não chegam a 10%.

“O Brasil tem pela frente a expectativa de ser o campeão mundial de segurança alimentar. Nós temos um valor incomensurável e podemos ser campeões do mundo da paz”.

O ex-ministro da Agricultura afirmou que o Brasil é o único país no mundo que consegue congregar três fatores: clima tropical, excesso de terras e tecnologia, e mão de obra qualificada. Segundo Rodrigues, 74,3% do território brasileiro são cobertos por área destinada à vegetação protegida, preservada e conservada, o que evidencia a ocupação e uso de terras no País.


Fonte: OCERGS com adaptação da MundoCoop



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