Tecnologia no campo é mais que inovação, é necessidade

Publicado em: 11 junho - 2019

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Evento em São Paulo dimensionou as perspectivas e tendências do setor agropecuário no Brasil e no mundo

Contribuindo ativamente para o desenvolvimento do país, o agronegócio vem acompanhando as demandas nacionais e globais e investindo fortemente em inovações que impulsionarão cada vez mais o setor. Pensando nesse cenário, aconteceu, no dia 06 de junho, o TEA BRAZIL – Fórum de Tecnologia na Agricultura, referência para empresas e ruralistas que buscam tecnologias e tendências, visando o aumento do lucro e reforçando que a agricultura do futuro é menos química e mais digital.

A MundoCoop esteve presente no evento e traz um pouco das principais e mais importantes tendências apresentadas na TEA BRAZIL 2019.

Na programação dessa edição foi fortemente abordado como a tecnologia pode contribuir para que o agronegócio caminhe lado a lado com o meio ambiente.

Entre os painéis, o diretor da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Reginaldo Minaré, fez um balanço sobre o cenário agrícola atual constatando que diante da dimensão e versatilidade do setor, é preciso trabalhar melhor a infraestrutura terrestre e espacial no país. “O brasil tem extensão territorial, capacidade de produção e mercado nacional e internacional, o que necessita é de investimento da infraestrutura. Não dá para o Brasil continuar trabalhando analogicamente em seus interiores”, acentua Reginaldo.

Outro ponto constantemente evidenciado é a necessidade do campo em dialogar melhor com as novas tecnologias e receber efetivamente o alcance e cobertura da internet. “Infelizmente o Brasil também é caracterizado pela desigualdade tecnológica e digital. Os agricultores no Brasil são diversos, mas o pequeno e o médio tem dificuldade em vender seus produtos para o consumidor e as plataformas digitais iam ajudar muito nesse processo”, contextualiza o diretor.

Para Reginaldo, é preciso voltar a pensar no básico para que haja efetivamente um desenvolvimento. “Não adianta projetar uma startup inovadora para uma pessoa que não utiliza nem o celular em sua propriedade”, finaliza.

Compondo o painel de atualidades no setor, o diretor da Sociedade Rural Brasileira, Marcelo Junqueira, destacou que com a perspectiva de crescimento populacional, é preciso aumentar a produtividade de alimentos, fazendo com que haja a necessidade de fazer a tecnologia chegar em todos os produtores e não alcançar apenas nos grandes, sendo fator decisivo para a redução de custo, gerenciamento de produção agrícola e aumento da produtividade no campo.

Marcelo acentuou que as tendências tecnológicas como, por exemplo, as startups, agritechs e a biotecnologia trazem inúmeras vantagens para a agricultura brasileira. “Não existe agronegócio homogêneo, existem diferenças em relação a extensão de terra, consumidor, produtor, idade, local, entre outros quesitos, portanto, a tecnologia precisa andar de acordo com a vontade do consumidor final e auxiliar no atendimento das demandas e ofertas”, conclui.  

Durante o evento, a presidente da Geoambiente, Izabel Cecarelli, apresentou a proposta do DataSafra a respeito de uma plataforma de monitoramento e inteligência de mercado, disponibilizando todo detalhamento de características e comparação da safra em analise. Nesse mesmo painel, participaram, Ricardo Inamasu, da Embrapa, Alex Santos, da Motorola, e Herlon Oliveira da Agrusdata, debatendo sobre o aumento da lucratividade com a transformação dos dados em indicadores e novas plataformas de comércio agrícola.

Analisando a cada vez mais crescente demanda pela diminuição do impacto ambiental no campo através de soluções de defensivos agrícolas menos nocivos, a diretora executiva da Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico (ABCBio), Amália Piazentim Borsari, compôs o painel de controle tecnológico/ biológico para a saúde das plantas ao lado de Alexandre de Sene, agrônomo e consultor especializado em defesa vegetal.

No decorrer do dia foram apresentados também painéis sobre segurança das informações, agrotecnologia, melhoramento genético das sementes e tendências globais de armazenamento, máquinas, fertilizantes e gestão no campo.

Cooperativismo em destaque

Responsável por quase 50% do PIB agrícola, o cooperativismo agropecuário é um dos maiores ramos nacionais, sendo protagonista na produção de alimentos e na geração de renda do Brasil e importante parte da economia do país. Segundo dados do Censo Agropecuário do IBGE, estima-se que 48% de tudo que é produzido no campo brasileiro passa, de alguma forma, por uma cooperativa, que já totalizam 1.597 instituições e 180,1 mil produtores cooperados.

Por mais que a tecnologia esteja ocupando cada vez mais espaços em sociedade, seja na área rural ou urbana, não existem inovações sem a presença das pessoas e isso é o cooperativismo traz em sua essência.


Por Fernanda Ricardi – Redação MundoCoop



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