A importância das cooperativas de crédito no mundo – Rodrigo Gouveia, consultor internacional em cooperativismo e desenvolvimento sustentável

Publicado em: 20 maio - 2020

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As cooperativas de crédito no mundo têm uma importância muito maior do que aquilo que suas quotas de mercado poderão indicar. Elas são uma componente essencial para o equilíbrio dos sistemas financeiros de muitos países e ao nível mundial. Para além disso, as cooperativas de crédito oferecem produtos e serviços que outras instituições financeiras não consideram suficientemente lucrativos e servem populações desfavorecidas que, de outro modo, não teriam acesso aos serviços financeiros mais básicos.

As cooperativas de crédito têm nomes e funções diferentes consoante o país em que se encontram, mas todas partilham os mesmos valores e princípios essenciais do cooperativismo. Algumas das designações são: bancos cooperativos, caixas de poupança, cooperativas de poupança e crédito, uniões de crédito (as credit unions nos Estados Unidos da América), caixas populares, bancos populares, crédito agrícola, entre outras. Em alguns casos, os bancos cooperativos fazem parte de um grupo cooperativo maior como o S-Bank na Finlândia, ligado às cooperativas de consumo, e o Norinchukin Bank no Japão, ligado às cooperativas agrícolas.

Na Europa, em países como a Itália, Alemanha, Holanda e França a quota de mercado dos bancos cooperativos, em termos de depósitos, varia entre 25% e 45%. Existem exemplos de bancos cooperativos que detêm, individualmente, quotas de mercado significativas como o Rabobank da Holanda, com 33% dos depósitos no país.

Nos Estados Unidos da América, as credit unions juntam mais de 120 milhões de membros, com ativos que totalizaram 1,57 triliões de dólares e resultados líquidos de 14,1 biliões de dólares em 2019. No Canadá, o grupo Desjardins tem, na província de Québec, uma quota de mercado de 41,6% dos depósitos, 23,5% dos empréstimos e 38% dos créditos hipotecários.

Outros países com presença significativa de bancos cooperativos incluem Quénia, Índia, Malásia, República da Coreia, Colômbia entre outros.

Mais importante que os números, no entanto, é o papel significativo das cooperativas de crédito no desenvolvimento sustentável das comunidades onde atuam.

Na África, por exemplo, as SACCO (Cooperativas de Poupança e Crédito) têm um papel fundamental no acesso das populações rurais a serviços financeiros básicos como depósitos e microcréditos. Sem elas, uma vasta percentagem da população estaria em situação de exclusão financeira, que acontece em muitos países onde elas não existem.

Outro exemplo da sua função social é a existência de bancos cooperativos de finança islâmica que em países desta religião, como a Malásia, oferecem produtos financeiros adaptados às regras religiosas.

Um fator importante da importância dos bancos cooperativos para a estabilidade dos sistemas financeiros é eles se focarem na economia real sendo, muitas vezes, os principais financiadores de consumidores e de pequenas e médias empresas. Esta proximidade com os membros e a oferta de produtos mais estáveis, reduz a sua volatilidade, contribuindo para a estabilidade sistémica. Um relatório de 2013 produzido pela Organização Internacional do Trabalho demonstra que os bancos cooperativos, durante a crise financeira 2008-2009, apesar de terem 20% da quota de mercado nos dez países europeus que foram analisados, apenas foram responsáveis por 7% das perdas financeiras entre 2007 e 2011.

O fomento e apoio a bancos cooperativos é, por isso, essencial.


Por Rodrigo Gouveia, consultor internacional em cooperativismo e desenvolvimento sustentável, foi Diretor de Política da Aliança Cooperativa Internacional e Secretário-Geral da Comunidade Europeia de Cooperativas de Consumo (Euro Coop)



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