Agricultura 4.0 e a jornada digital – por Douglas Bini de Paula*

Publicado em: 30 agosto - 2018

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A transformação digital está no campo, e o termo Agricultura 4.0 nos faz pensar nas revoluções que nos trouxeram até aqui. E para falar das tendências atuais, dos desafios e oportunidades desta transformação, e entender o momento que estamos, precisamos fazer uma retrospectiva das tecnologias utilizadas na agricultura brasileira ao logo dos últimos anos, e observar três importantes revoluções até o presente momento, revoluções marcadas por avanços expressivos em produção e produtividade.

  • A primeira revolução ocorre utilizando de tecnologias no desenvolvimento de máquinas e equipamentos, que permitiram o plantio direto na palha, processo que eliminou as operações de preparo de solo, reduziu custos e melhorou a conservação da umidade do solo.
  • Com o plantio direto na palha, e utilizando tecnologias no desenvolvimento de novas variedades, temos a segunda revolução, a segunda safra ou safrinha, proporcionando uma safra a mais ao produtor, aumentando a produção, utilizando basicamente a mesma área cultivada.
  • Na terceira revolução, temos a integração lavoura, pecuária e floresta, tecnologia de manejo integrado que proporciona inúmeros avanços em produtividade de forma sustentável, e no Brasil, a expectativa é que até 2020, nós ultrapassemos a casa dos 15 milhões de hectares.

Até aqui, estas revoluções permitiram um enorme salto da produção e produtividade. E é importante destacar que nos últimos 40 anos, enquanto temos um aumento modesto da área plantada, tivemos um crescimento exponencial da produção, e o sucessivos ganhos de produtividade possibilitaram a economia de aproximadamente 77 milhões hectares.

Embora tenha havido expressiva expansão da produção e da produtividade, a ocupação e o uso do solo demonstram que a agricultura brasileira tem sido bem-sucedida na conservação do meio ambiente. A área total de terras ocupada e em uso no Brasil para agricultura é de aproximadamente 30%. Desta área, as pastagens nativas representam 8%; as pastagens plantadas, 13%; e as lavouras e florestas plantadas, ou seja, os nossos cultivares, ocupam apenas 9% do território brasileiro.

Dados levantados em 2017 pela Organizações das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), trazem diversas tendências que afetam diretamente o contexto de aumento da demanda e de produção de alimentos, e estão relacionadas ao segmento agroindústria.

Dentre vários fatores, muito tem se discutido sobre a previsão do crescimento da população mundial, elevados níveis de urbanização e aumento da expectativa de vida. Tais fatores contribuem para que a demanda por alimentos seja expressiva em 2050, quando as estimativas presumem aproximadamente 10 bilhões de habitantes no planeta. Mudanças climáticas também representam um importante fator na produção por alimentos e, consequentemente, em operações e processos agroindustriais como, por exemplo, irrigações, alterações e variabilidade de precipitações, uso de insumos e agroquímicos e outros aspectos ligados à clima.

A necessidade de elevar a produção alimentícia também impacta questões globais sobre segurança de alimentos (garantir níveis de qualidade na produção, distribuição, armazenagem e venda de alimentos), e a redução das perdas na produção (menor volume de agroquímicos, processos e equipamentos mais automatizados, eficiência nos processos de planejamento, plantio, manejo e colheita). Outra tendência que merece destaque é a necessidade por soluções e plataformas mais conectadas aos processos e operações do negócio na agroindústria. Muitas empresas ainda se baseiam em dados de planilhas, preenchidas manualmente, com alto risco de informações incorretas e até mesmo que se perdem ao longo do processo entre campo e escritório. Plataformas digitais com interfaces móveis e mais ágeis, vem contribuindo em diferentes etapas na agroindústria e simplificando a geração e o uso de dados nas soluções de gestão.

Os atuais desafios estão voltados para visão de sustentabilidade com crescimento de produtividade. Assim como para a falta de conectividade em diferentes regiões do mundo, dificuldade de adoção de tecnologias como mobilidade, equipamentos agrícolas e sensores conectados às soluções de gestão do negócio.

Nesse sentido, também temos a integração de soluções de gestão com grande volume de dados gerado pelos processos agroindustriais, como o uso de dispositivos móveis, sensores conectados a máquinas, processamento de imagens capturada por drones, a geração de valor em larga escala com Big Data e Data Science com a convergência e uso de dados que, atualmente, são gerados de maneira desconectada, enfim, precisamos das plataformas conectadas para recomendação e insights.

Estamos na quarta revolução tecnológica na agricultura. A Agricultura 4.0 (velocidade, precisão e singularidade) vem com forte conteúdo digital e conectada. Felizmente, temos muitos parceiros, tecnologias disponíveis ou em desenvolvimento e muitas pesquisas em campo. Tecnologias que com certeza irão contribuir para a melhoria de toda a cadeia de valor da agroindústria.

A jornada de digitalização da agroindústria permeia pelas tendências e os desafios impostos pelo crescimento do segmento, faz-se necessário o uso de plataformas de gestão ágeis, conectadas e simplificadas, centralizando e transformando processos e pessoas com foco em produtividade e colaboração, plataformas que compostas por um ecossistema de soluções.

 

* Douglas Bini de Paula é gestor de Ofertas Supply Chain 



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