Agrotóxicos ou pesticidas? – por Ivan Ramos*

Publicado em: 03 julho - 2018

Leia todas


Na semana que passou mais um assunto polêmico tomou conta das discussões nos meios agropecuários. Aliás, muito mais na esfera política em Brasília do que pelo Brasil afora. A Lei dos Agrotóxicos. A votação na Comissão Especial da Câmara dos deputados atraiu a mídia, especialmente aquela parcela ideológica, pois o assunto rendeu muito para aqueles que gostam de discussão, mesmo não muito convictos do que estão defendendo.

É notório que os contrários à modernização da legislação dos defensivos agrícolas o fazem para aparecer na mídia, especialmente os políticos e aqueles que têm um pequeno quinhão de negócios de produtos orgânicos e acham que somente comendo saladas sem agroquímicos a população vai ter alimentos para o futuro. Esse sistema de produção de alimentos é importante, mas não garante alimentos para o mundo inteiro. Evidentemente que ninguém quer envenenar a população, criando normas que prejudique a saúde pública. Nem mesmo os agricultores ou produtores de defensivos agrícolas defendem isso, afinal também são consumidores e não querem prejudicar a si ou a sua família.

Por essa razão o Projeto de Lei dos Agrotóxicos, agora denominado de “pesticidas”, cuja diferença de nome pouco importa, foi discutido demoradamente há mais de 10 anos, em várias esferas e em diversos níveis da sociedade. Quando chegou a hora da votação em épocas pré-eleitorais, políticos inconsequentes aparecem para pregar o caos, como se os defensores da proposta fossem irresponsáveis em defender uma lei prejudicial à população.

As manifestações de prós e contra foram muitas, mas com certeza os contrários fizeram muito mais barulho do que os conscientes da necessidade. Parte da mídia, que gosta de polêmicas, deu mais cobertura aos contrários, por desconhecimento de causa ou por má intenção. Curvaram-se a poucas manifestações de celebridades artísticas, que têm outros interesses no processo.

As opiniões de diversos especialistas da sociedade deixaram claro que remédio também tem veneno, se não for utilizado de acordo com as orientações médicas.

Tem muita gente que defende as novas tecnologias na informática; nas comunicações; na medicina; e tantos outros setores, mas não concorda quando o assunto é agricultura. Acha que o alimento nasce na prateleira do supermercado.  Se a intenção da lei é modernizar e agilizar as providências para novos produtos, também deve ser considerado avanço tecnológico. Porque será que os contrários ignoram as necessidades de modernização da produção agrícola?

O mundo inteiro está se atualizando nas normas dos agroquímicos, e só o Brasil corre risco do câncer. Será que estamos tão avançados assim que deixamos para trás países mais desenvolvidos?  Convenhamos: não haverá liberação geral, como pregam alguns. Os órgãos de controle continuam existindo. Haverá melhorias e isso precisa ser o foco, não apenas os riscos que todas as atividades têm se não for seguida a orientação técnica.

A primeira batalha foi vencida na Comissão Especial da Câmara. Mas ainda tem o plenário. Espera-se que as pessoas de bom senso, sem interesse ideológico ou político, ajudem a conscientizar os parlamentares que ainda têm dúvida, que o projeto dos pesticidas não é uma brincadeira e que existe responsabilidade na sua formatação e precisa ser aprovado. Cabe a cada um nós acionar nossos deputados para assumirem essa causa. Ou será que alguém acha que se produz agricultura em escala sem usar defensivo agrícola? Pura ilusão. Pense nisso.

* Ivan Ramos é diretor executivo da Fecoagro



Publicidade