Falta de comunicação e falha na comunicação – por Douglas Ferreira, diretor na plataforma MundoCoop

Publicado em: 02 agosto - 2018

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As primeiras cooperativas no Brasil surgiram a partir de 1889, mais ou menos meio século depois do aparecimento delas na Inglaterra, esse pioneirismo brasileiro nasceu através da Sociedade Cooperativa Econômica dos Funcionários Públicos de Ouro Preto, uma cooperativa tipicamente de consumo. Na esteira desta, várias organizações formadas por funcionários públicos, militares, operários, entre outros, sempre objetivando atender as necessidades dos associados.

No início do século XX, o cooperativismo no país começa a ganhar fôlego através do incentivo das igrejas e, principalmente, pela presença dos imigrantes europeus, não por acaso que o modelo implantado apresentava uma forte semelhança com aquele desenvolvido na Alemanha. A característica marcante desse modelo era a difusão da educação cooperativa como alavanca de estímulo da solidariedade entre as pessoas, construção de um sistema de defesa dos interesses coletivos e uma maciça propaganda acerca das diferenças existentes entre o cooperativismo e a economia de mercado. A diferença baseava-se na defesa do cooperativismo enquanto um sistema comprometido com a justiça social, compromisso esse não presente nas organizações mercantis que formam o segundo modelo.

Hoje, o cooperativismo está organizado em um sistema mundial, que busca garantir a unidade da doutrina e da filosofia cooperativista, além de defender os interesses do cooperativismo pelo mundo. A organização máxima do cooperativismo mundial é a ACI – Aliança Cooperativa Internacional, em seguida vem às organizações continentais como a OCA – Organização das Cooperativas das Américas e as organizações nacionais. No Brasil, existe, a nível nacional, a OCB – Organização das Cooperativas Brasileiras, sendo que cada estado brasileiro possui a sua própria organização, vinculada a OCB.

No dia 7 de julho, cooperados de todo o mundo celebraram o 96.º Dia Internacional das Cooperativas e o 24.º Dia Internacional das Cooperativas das Nações Unidas, através do tema “Sociedades Sustentáveis através da Cooperação”. Nesse dia, as cooperativas tiveram oportunidade para demonstrar a sua sustentabilidade, resiliência e utilidade social, assim como afirmar os seus valores, princípios e estruturas de governança. Foi um dia de muita festa e confraternização, mas temos observado que o cooperativismo não consegue comunicar-se com a sociedade da maneira que ele realmente merece e mostrar as qualidades da doutrina.

Os princípios estabelecidos pela filosofia cooperativista são únicos em todo o mundo e entre as principais características desse modelo de gestão destaca-se o fato de que são controladas pelos seus próprios membros. Aqui se estabelece o primeiro desafio do modelo de gestão, que consiste em tentar chegar a um consenso entre os “donos”da cooperativa.

Em tempos de crise econômica, como a que o Brasil vem enfrentando, a união faz toda a diferença. E é assim que o cooperativismo acaba se tornando uma opção viável em períodos de economia estagnada.

As pessoas precisam saber exatamente o que é o cooperativismo, somente assim poderão se beneficiar com a criação de novas cooperativas.


Douglas Alves Ferreira é diretor da MundoCoop e apaixonado pelo cooperativismo



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