Não há nada mais moderno do que o cooperativismo de crédito – por Manfred Alfonso Dasenbrock*

Publicado em: 10 setembro - 2018

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Quem poderia dizer que em 1902 foi trazido para o Brasil um modelo de negócio que até hoje é considerado moderno e sustentável? A iniciativa veio do padre suíço Theodor Amstad, em conjunto com outras 19 pessoas, na fundação da primeira cooperativa de crédito da América Latina, em Nova Petrópolis, região da Serra Gaúcha, em atividade até hoje. O sacerdote inspirou-se em um movimento iniciado pelo alemão Friedrich Wilhelm Raiffeisen em 1864, que criou a Associação de Caixa de Crédito Rural de Heddesdorf. A partir daí o movimento não somente se expandiu pela Alemanha, mas também por outros países, conquistando amplitude mundial.

Com mais de 150 anos, o cooperativismo de crédito contribui para o desenvolvimento socioeconômico em muitas nações, de todos os continentes – são 68 mil cooperativas de crédito e 235 milhões de associados ao redor do planeta, responsáveis por US$ 1,4 trilhão em depósitos, conforme dados do Conselho Mundial das Cooperativas de Crédito (Woccu, em sua sigla em inglês).

Então, nos perguntamos: esse modelo inspirador, transparente e centrado no ser humano e na cooperação entre pessoas, cujos recursos gerados pela cooperativa de crédito a qual se associam permanecem na sua região de origem, distribuindo riqueza e criando empregos nas comunidades, não teria mais espaço para crescer no Brasil?

A participação do cooperativismo de crédito em nosso País ainda é muito pequena quando comparada à relevante presenças do segmento em economias maduras da Europa Ocidental e da América do Norte. Na França e na Alemanha, por exemplo, as cooperativas de crédito participam com 60% e 20%, respectivamente, dos depósitos totais do sistema financeiro. No Brasil, segundo dados do Banco Central, 1.017 cooperativas de crédito são responsáveis por R$ 90,9 bilhões em saldo de depósitos e 8,9 milhões de associados. Elas estão fisicamente presentes em aproximadamente metade dos munícipios brasileiros e representam 3,6% do Sistema Financeiro Nacional. Além disso, têm a chancela do FGCoop, que é o fundo garantidor que protege depositantes e investidores, contribui com a manutenção da estabilidade do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo e iguala as condições de competitividade com os bancos comerciais.

Palavras mais que atuais, cooperar e compartilhar são princípios inerentes ao cooperativismo, que têm o poder de transformar nossa sociedade e contribuir para a construção de um futuro melhor. Pois ao mesmo tempo em que os objetivos comuns dos associados são alcançados e suas necessidades atendidas, a comunidade é beneficiada com o desenvolvimento local, promovido pela geração de valor econômico, social e ambiental das cooperativas de crédito. Esses conceitos tão contemporâneos, se unem aos investimentos em tecnologia, por meio dos quais as cooperativas de crédito já disponibilizam soluções que contemplam as demandas do público jovem. Isso tudo com o diferencial de conectar não só pessoas, mas também propósitos.

 

*Manfred Alfonso Dasenbrock é presidente da SicrediPar, da Central Sicredi PR/SP/RJ e conselheiro do Conselho Mundial das Cooperativas de Crédito (World Council of Credit Unions – Woccu)



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