O agro é o motor que impulsiona a economia – Divanir Higino (presidente da Cocamar)


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Que no dia 28 deste mês, quando da passagem do Dia do Agricultor, saibamos reconhecer a relevância desse personagem que faz a sua parte para nos conduzir a um Brasil melhor.

 De um lado, a colheita da maior safra de grãos da história, com uma injeção de ânimos e reflexos altamente positivos na economia do país. De outro, um cenário inquietante, marcado por preocupações e incertezas.

Ao resumir o que foi o primeiro semestre de 2017 para o agronegócio brasileiro, temos safras volumosas de grãos, com produtividade que, desta vez, o clima não atrapalhou. Em praticamente todas as regiões, observou-se a força e o dinamismo do setor, culminando, ao final do primeiro trimestre, com um formidável crescimento de 13,6% no Produto Interno Bruto (PIB) do campo. Uma contribuição impactante – ainda que persista o peso negativo da crise política – para que o país, enfim, retome o crescimento.

Os temores, por outro lado, decorrem, mesmo assim, da falta de uma perspectiva mais clara de que o Brasil conseguirá alcançar tempos mais promissores, ainda que as políticas econômicas implementadas pelo atual governo tenham sido acertadas e já apresentem resultados. Basta ver a redução inflacionária e, ligado a isso, a gradativa diminuição da taxa Selic, fatores preponderantes para que o conjunto de atividades possa planejar-se e reagir.

Os produtores experimentaram nos últimos meses, ao mesmo tempo, quedas de preços para commodities como soja e milho, justamente os carros-chefes do agro nacional, provocadas pelo forte incremento da oferta nos últimos anos e as estimativas para o atual período, o que mantêm em níveis relativamente confortáveis os estoques internacionais. Se bem que, nos Estados Unidos, as lavouras de grãos da presente safra estejam enfrentando dificuldades em determinadas regiões devido a problemas climáticos, não permitindo, ainda, uma avaliação conclusiva.

No Paraná, o segmento cooperativista tem oferecido suporte técnico e operacional aos produtores, para que eles se mantenham competitivos em seus negócios. Impensável que a agropecuária estadual, onde predominam propriedades de pequeno e médio portes, como é o caso da região de Maringá, conseguiria chegar, por si própria, à realidade que hoje representa as conquistas do engajamento cooperativista. É só lembrar, por exemplo, que mais de 60% da soja colhida no estado – o segundo maior produtor nacional, depois de Mato Grosso – são destinados aos armazéns dessas corporações, onde a maior parte é industrializada.

Espelhando essa grande força, a Cocamar recepcionou na safra 2016/17 o maior volume de soja de todos os tempos e estima uma quantidade igualmente recorde de milho no atual período. Ao todo, serão quase 3 milhões de toneladas. E, independente da oscilação dos preços, a cooperativa procura difundir entre os seus mais de 13,5 mil produtores associados, por meio de inúmeros eventos técnicos ao longo do ano, a necessidade do aumento constante da produtividade como estratégia de sobrevivência. Temos um grande potencial ainda a ser explorado, algo somente possível mediante a adoção de tecnologias mais modernas e sustentáveis. Em resumo, a organização do cooperativismo, nos moldes do que se vê no Paraná, com cerca de 200 mil produtores cooperados, é a certeza de que a população como um todo acaba sendo beneficiada. O sistema propicia milhares de postos de trabalho e arrecadação de tributos que se traduzem no desenvolvimento das cidades e na melhor qualidade de vida de seus habitantes.

O agronegócio cumpre com desenvoltura o papel que assumiu como protagonista para a recuperação econômica e também para fazer do país um dos mais importantes provedores de alimentos do planeta. Suprindo as crescentes demandas de uma população global que, em 30 anos, poderá passar dos atuais 7 bilhões para 9,3 bilhões. O setor já responde por praticamente um quarto da geração de riquezas nacionais, um terço da força de trabalho e um quarto das exportações – que já somam respeitáveis 7% dos embarques totais do agro em todo o mundo.

Diante de uma realidade e projeções tão promissoras, que no dia 28 deste mês, quando da passagem do Dia do Agricultor, saibamos reconhecer a relevância desse personagem que faz a sua parte para nos conduzir a um Brasil melhor. Ele desenvolve seus negócios, cada vez mais, com mentalidade empresarial e preservando, como nenhum outro, os recursos naturais. Lembrando que 99% das propriedades rurais do país são mantidas sob administração familiar. Vale observar ainda, por fim, que os frutos do seu trabalho, presentes em todos os momentos do nosso dia a dia, possibilitam a tão importante segurança alimentar dos brasileiros, fator primordial para a paz social.

* Divanir Higino, presidente da Cocamar 



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