O Papel do Cooperativismo Financeiro na Retomada Econômica – Luís Artur Nogueira é jornalista, economista e palestrante.

Publicado em: 29 junho - 2020

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Anote aí: o Brasil tem totais condições de crescer o dobro em 2020. Embora essa afirmação seja, aparentemente, muito positiva, precisamos analisá-la dentro do atual contexto. O primeiro ano do governo Jair Bolsonaro está terminando com uma expansão econômica de apenas 1%, o mesmo ritmo do governo Michel Temer. Esse Pibinho é decepcionante se lembrarmos que 2019 começou com uma expectativa muito maior, de 2% a 3%.

Não se trata, no entanto, de um ano perdido. Apesar das enormes confusões políticas geradas pelo Executivo, a equipe econômica está implementando uma ambiciosa agenda liberal, que reduz a participação do Estado e gera condições para que o setor privado seja o verdadeiro protagonista da economia brasileira. A maior conquista até agora foi, sem dúvida nenhuma, a aprovação da Reforma da Previdência, sem a qual o País afundaria numa crise fiscal no pior estilo argentino.

Desde a eleição de Bolsonaro, eu tenho enfatizado que o maior desafio econômico é resolver o rombo das contas públicas – da União e de vários Estados. Para obter êxito, o primeiro passo era mexer no vespeiro da Previdência Social. Ou o novo governo fazia uma reforma logo no primeiro ano, ou teria sérias dificuldades pela frente. Conseguiu! Mas foi apenas o primeiro passo e ainda falta incluir Estados e municípios. Recentemente, o ministro da Economia, Paulo Guedes, encaminhou ao Congresso Nacional diversas propostas que, se aprovadas, vão melhorar o ambiente de negócios no Brasil.

O simples fato de os analistas nacionais e estrangeiros avaliarem que o País está no caminho correto já contribuiu para que as previsões sejam de um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2% em 2020. E melhor: expansão ainda maior, entre 2,5% e 3%, nos anos seguintes. Não podemos, é claro, ignorar o fato de que o cenário internacional anda meio nebuloso. Há o risco de os Estados Unidos entrarem numa recessão nos próximos anos e de a China crescer menos por conta da guerra comercial com a maior economia do mundo. Sejamos pragmáticos: se o mundo afundar, o Brasil não vai conseguir ficar boiando.

A boa notícia é que os principais países já optaram por reduzir seus juros com o objetivo de evitar uma recessão global. Isso ajuda o Banco Central do Brasil a continuar com a sua política de redução da taxa básica de juros (Selic). Quanto mais barato for o crédito, maior será o estímulo para o consumo, dado que o combalido mercado de trabalho ainda vai demorar a apresentar bons resultados.

É nesse ponto que o cooperativismo financeiro tem um amplo espaço para brilhar de forma sustentável. Ao empunharem a bandeira dos juros baixos, as cooperativas forçam os grandes bancos a seguirem no mesmo caminho. Com taxas imbatíveis, o cooperativismo dá oportunidades aos desbancarizados, que ficam à margem do ambiente econômico. Falta ainda, na minha avaliação, melhorar a comunicação com a sociedade, que é refém do sistema financeiro por falta de informação. A atração de novos cooperados precisa ser uma obsessão do setor, todos os dias, sem jamais perde de vista o poder transformador que o cooperativismo possui em cada família brasileira.

O cooperativismo financeiro também tem um papel fundamental na divulgação da cultura do empreendedorismo. Há milhões de projetos engavetados à espera de uma oportunidade. Além de crédito barato, os futuros empreendedores precisam de ajuda, apoio e orientação. Com o aumento da confiança dos agentes associado ao maior crescimento do PIB, o empreendedorismo vai explodir no Brasil, aliviando o mercado de trabalho.

As cooperativas de crédito têm a oportunidade de serem as grandes “sócias” dos cooperados que desejam empreender. Dicas básicas de educação financeira, como fluxo de caixa, administração de estoques, rentabilidade do negócio e separação entre as contas da família e as contas da empresa ajudariam muito esses empreendedores.

Esperamos dias melhores em 2020. Menos crise político e mais sucesso econômico. O governo Bolsonaro tem o seu papel assim como o Congresso Nacional. Do Judiciário, esperamos apenas segurança jurídica para quem quer investir. Nesse quesito, o Supremo Tribunal Federal (STF) está em dívida com a sociedade.

Independentemente dos ventos bons ou ruins que podem emanar de Brasília, as cooperativas financeiras precisam cumprir o seu papel na retomada do crescimento econômico. Com foco no crédito barato e na educação financeira, o setor continuará ganhando mercado dos bancos e terá fôlego para crescer em ritmo chinês durante muitos e muitos anos. 


Artigo publicado no Anuário Brasileiro do Cooperativismo 2020 – MundoCoop

*Luís Artur Nogueira é jornalista, economista e palestrante. Escreve na ISTOÉ Dinheiro e no portal iG, além de atuar nas principais redes sociais com foco em Economia, Educação Financeira e Empreendedorismo  



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