Alerta: cartão de crédito não é extensão de renda

Publicado em: 28 junho - 2018

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A pesquisa revelou que 30% dos entrevistados tentaram adquirir um cartão nos últimos três meses, e desse total, apenas 9% conseguiram

Embora o cartão seja a modalidade de crédito mais popular entre os brasileiros, uma boa parcela da população tem tido muitos problemas com ele. É o que mostra uma pesquisa do SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) e da CNDL (Confederação Nacional de Diretores Lojistas), realizada com 910 consumidores acima de 18 anos e de todas as classes sociais, no mês de março, nas 27 capitais brasileiras. Dentre os resultados que mais chama a atenção e deve ser colocado como alerta de perigo é o que aponta que um em cada cinco usuários de cartão de crédito (20%) utilizam o meio de pagamento como extensão da própria renda para continuar comprando quando o salário do mês acaba e, assim, adiar o pagamento.

Na opinião da economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, o grande risco deste pensamento é o endividamento, pois muitos perdem controle dos gastos e compram além do que conseguem pagar quando a fatura chega. “É preciso cuidado. Se o dinheiro que o consumidor dispõe já não está sendo suficiente para cobrir os atuais gastos, certamente não será o bastante para pagar as despesas do mês seguinte, quando terá de arcar com a fatura do cartão de crédito e também quitar as contas do mês”, ressalta a economista.

Apesar disso, dos 84% dos usuários de cartão que afirmam haver riscos em se ter um cartão de crédito, apenas 33% consideram que a perda no controle dos gastos é o maior problema. A questão é que quase a metade (48%) dos entrevistados que usaram o cartão nos últimos doze meses já ficou com o nome sujo devido à inadimplência no pagamento e cerca de um terço (33%) já teve o cartão bloqueado pelo atraso no pagamento da fatura.

Novas regras do rotativo

Em vigor desde abril de 2017, as novas regras do rotativo do cartão ainda são vistas com cautela pelos entrevistados. Dentre os consumidores que já pagaram o mínimo da fatura do cartão de crédito alguma vez e conhecem a nova regra do rotativo (80%), quase um terço (28%) não considera as novas regras favoráveis. Para eles, os juros continuam abusivos e o valor da dívida permanece alto (10%). Já 58% dos entrevistados enxergam que a mudança tem contribuído de alguma forma, principalmente por ver o valor da parcela negociada junto ao banco caber no orçamento (46%).

“Ao contrário do que acontecia, o consumidor que hoje não consegue arcar com o valor integral de sua fatura pode fazer o pagamento mínimo apenas uma única vez. Na fatura seguinte, ele não consegue rolar a dívida como antes”, explica Marcela Kawauti. “Caso isso não aconteça, o banco é obrigado a oferecer uma linha de crédito mais barata do que a taxa do rotativo, de modo que o consumidor negocie e parcele sua dívida”, conclui.

Uso consciente

Por outro lado, 44% dos 910 entrevistados afirmaram usar o cartão de crédito apenas em casos de necessidades pontuais ou imprevistos, ao passo que 38% o fazem para parcelar as compras e 34% para facilitar o pagamento na internet. Este último, aliás, é um dos maiores motivos para os consumidores brasileiros usarem o cartão de crédito, em 46% das vezes. Já 44% usam quando não estão com dinheiro para pagar à vista e 37% se o valor da compra for elevado. “Se bem empregado, o cartão é uma maneira inteligente de concentrar as compras realizadas durante o mês em uma única conta, possibilitando um melhor controle dos gastos”, observa o educador financeiro do portal ‘Meu Bolso Feliz’, José Vignoli.

Outro dado destacado é que entre as pessoas ouvidas, 46% contam que nunca pagaram o mínimo da fatura, enquanto 21% disse já ter pago o mínimo em algum momento, embora não tenham usado o rotativo há mais de um ano. Esses estão entre os 67% que afirmam controlar os gastos mensais com o cartão — muitos por meio de aplicativos de celular (22%) ou por meio de anotações em papel (22%).

Veja a íntegra da pesquisa aqui.



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