Sicredi Pioneira RS forma primeira turma do programa Sucessão Rural Familiar

Publicado em: 04 novembro - 2019

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O segundo grupo já iniciou as atividades, superando o número de inscritos e com melhorias no conteúdo programático, subdividido em 10 módulos de atividades práticas e teóricas

Criado em 2017, o programa de Sucessão Rural Familiar da Sicredi Pioneira RS formou a primeira turma com 14 famílias pertencentes aos 21 municípios de sua área de abrangência, destinado aos produtores associados que têm filhos ou parentes jovens com interesse em permanecer nas propriedades. “Após diversas conversas com eles e com entidades do segmento, visualizamos claramente que a sucessão rural é um fator crítico de sucesso para o desenvolvimento econômico e social da nossa região, pela representatividade do agronegócio em nossa matriz econômica”, afirma o diretor de Negócios da cooperativa, Luiz Wazlawick.

          A partir desse movimento, durante mais de dois anos – com encontros a cada dois meses, aos sábados de manhã em Nova Petrópolis – o grupo desenvolveu atividades práticas e teóricas subdivididas em 10 módulos, visitas a propriedades dos próprios participantes, além de viagem técnica fora do Estado para conhecer a estrutura da cadeia produtiva de empresas do segmento agronegócio. “Além do conteúdo programático que envolveu a sucessão de empreendimentos rurais, tendências de mercado, gestão de custos e da qualidade, foi uma oportunidade para o grupo refletir quanto às mudanças comportamentais e de visão sobre o negócio familiar, bem como valorizar o histórico de cada um, tanto pela perspectiva dos pais quanto dos filhos”, acrescenta Glauco Schultz. Professor de pós-graduação em Agronegócio e em Desenvolvimento Rural, vinculado ao Departamento de Economia e Relações Internacionais da UFRGS, ele foi convidado pela cooperativa para atuar na concepção pedagógica do programa.

Ao acompanhar a execução das ações, Schultz percebeu o amadurecimento das famílias e a melhoria das relações humanas, que refletiram na reorganização das contas, implantação de novos processos, motivação, cooperação e mais segurança para a tomada de decisões. “A sucessão vai além das questões técnicas. Nos deparamos com a complexidade do relacionamento de gerações e o quanto a capacidade de diálogo pode fazer a diferença no planejamento de uma propriedade rural”, atesta. Natália Dallegrave, uma das formandas, junto aos pais Carlos e Susana e o irmão Everton, proprietários da Frutas Dallegrave, de Vila Cristina, compartilha com a ideia. “No convívio com outras famílias, vimos que problemas administrativos e controles de entradas e saídas de recursos, por exemplo, eram mais comuns do que pensávamos. Aprendemos também com experiências de outras pessoas. É natural que encontremos resistência a certas mudanças, mas não devemos desistir. Manter-se bem informado, inclusive sobre a legislação do setor, e investir em capacitação agregam mais valor ao produto”, considera. Atuando na área de vendas da Frutas Dallegrave, que produz pêssego, bergamota e goiaba, Natália diz que a gestão de caixa e de salários foi aprimorada a partir do programa.

Benefícios comprovados

Apesar dos resultados não serem imediatos, pois refletem na transformação de comportamentos, maior autonomia, respeito familiar e consciência patrimonial constituem alguns dos principais benefícios adquiridos pelo grupo. “A propriedade rural não deixa de ser uma empresa. Não somos apenas trabalhadores do campo, porém responsáveis pelo negócio”, ressaltou Clóvis Fernando Thiele, que assumiu a propriedade de figo e leite iniciada pelo avô e o pai, situada em Linha Brasil, localidade de Nova Petrópolis. Enquanto a produção leiteira é comercializada totalmente a uma cooperativa agropecuária da região, 60% do figo são destinados para indústria e 40%, ao consumo in natura. Graduado em Administração de Empresas, Thiele traz a experiência de ter atuado como técnico agrícola e destaca, no programa, a possibilidade de estimular a visão empreendedora entre os participantes.

Para Leonardo Marcon Schneider, 18 anos, filho de Valter Schneider, produtores de leite e suínos em Linha Imperial, localidade de Nova Petrópolis, foi evidente a melhoria do diálogo e da convivência profissional e familiar entre os membros da propriedade, constituída ainda pela mãe Guiomar e a irmã Caroline. “As visitas a outras localidades, que considero uma das partes mais interessantes do programa, revigoraram nossos momentos de consenso, tanto sobre o trabalho como até para tomar um chimarrão no final de tarde”, alegra-se o jovem que cursa o 3º ano do Ensino Médio, se prepara para um curso técnico e tem a intenção de continuar na propriedade. “A nossa inscrição na Sucessão Rural Familiar chegou no momento certo. Estou me direcionando ao mercado de trabalho e meus pais já percebiam a necessidade de novos investimentos”, informa ao salientar que, hoje, as atividades são realizadas mediante planejamento prévio. “A gente tem a tendência de acreditar que nosso problema é único. Quando conversamos com outras pessoas do nosso meio e convivemos com histórias diferentes das nossas, aprendemos, ensinamos e crescemos com elas”, argumenta. Valter, pai de Leonardo, esteve à frente da palestra de sensibilização para as 23 famílias que integram a segunda turma e devem concluir o programa em 2020, com o intuito de demonstrar a importância do engajamento nas ações propostas. Para a terceira turma, novidades estão sendo avaliadas. “No grupo anterior já havíamos incorporado, a cada dois meses, encontros em uma das propriedades dos participantes. Uma maneira de conhecerem, na prática, o que os colegas vivenciam. Futuramente, estudamos a viabilidade de criar grupos específicos de jovens produtores rurais”, pondera Glauco Schultz.

O programa de Sucessão Rural Familiar tem potencial para causar impacto social e econômico no setor agropecuário nos municípios onde a cooperativa de crédito está inserida, a médio prazo. “Acreditamos que o programa tangibiliza o nosso propósito de ‘Juntos Construímos Comunidades Melhores’, auxiliando diretamente na educação e formação dos produtores, diversificando os negócios, aumentando a gestão e produtividade – agregando renda e principalmente, buscando melhorar a qualidade de vida dessas famílias”, completa Luiz Wazlawick. As famílias de associados são indicadas pelas agências da Sicredi Pioneira RS por possuírem jovens nas propriedades com disposição de permanecer no meio rural e dar continuidade ao negócio dos seus pais.


Fonte: Imprensa Sicredi



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