Cada R$ 1 de crédito cooperativo gera R$ 2,45

Publicado em: 11 fevereiro - 2020

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A concessão de R$ 1 de crédito cooperativo gera R$ 2,45 para a economia brasileira, segundo estudo realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). Encomendado pelo Sicredi, que atua na área do crédito cooperativo, o trabalho foi apresentado na semana passada ao diretor de fiscalização do Banco Central (BC), Paulo Souza. O estudo aponta também que esse volume decorrente dos empréstimos tem impactos concretos sobre o Produto Interno Bruto (PIB) per capita, o mercado de trabalho e a abertura de empresas.

Entre 2012 e 2018, as cooperativas concederam R$ 8,58 bilhões em empréstimos, o que movimentou um total de R$ 20,99 bilhões na economia brasileira, de acordo com o levantamento. “Os efeitos positivos são potencializados pelas características peculiares da organização e operação das cooperativas de crédito, que se inserem de forma mais ativa e participativa na vida das comunidades”, diz a Fipe.

O trabalho indica, por exemplo, que o crédito cooperativo impulsiona o PIB per capita. De 2002 a 2016, nas cidades com pelo menos uma cooperativa, o indicador cresceu em média R$ 1.081 a mais do que nos demais municípios. Isso representa uma diferença de 5,6%, já corrigida a inflação.

No caso do mercado de trabalho, a população em idade ativa empregada formalmente era 6,2% maior nas cidades em que havia esse tipo de crédito. Além disso, cada R$ 35,8 mil concedidos via cooperativas geram um posto de trabalho, nas estimativas da Fipe. Já o número de estabelecimentos comerciais era 15,7% maior nos municípios com cooperativa.

O levantamento avaliou dados de todas as cidades brasileiras entre 1994 e 2017, separando aquelas que têm pelo menos uma cooperativa das demais. Ao todo, aproximadamente 1,4 mil municípios contaram em algum momento do período com pelo menos uma instituição atuando no nicho. Todos os números foram, na sequência, analisados conjuntamente com informações do Instituto Brasileiro de Geografia (IBGE).

A metodologia adotada (diferenças em diferenças) é usada, por exemplo, pela Comissão Europeia para avaliar políticas públicas, segundo Pedro Ramos, economista-chefe do Sicredi. De acordo com ele, o trabalho foi feito de maneira a minimizar a influência de outros fatores, como a atuação dos bancos tradicionais, sobre as variáveis analisadas. O encerramento do estudo foi divulgado para o BC, que teve interesse em conhecer mais profundamente as conclusões, segundo o economista. 


Fonte: Valor Econômico



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