Cooperativas de crédito independentes somam 27% do total de cooperativas de crédito de SP

Publicado em: 14 Maio - 2018

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Entre as mais de 210 cooperativas de crédito em funcionamento no Estado de São Paulo, há um tipo de instituição financeira cooperativa que se diferencia não apenas pelo porte, mas pela atuação independente, uma vez que não está filiada aos sistemas centrais de crédito cooperativo como Sicoob, Unicred ou Sicredi. Também chamadas de cooperativas “solteiras”, essas cooperativas singulares são formadas, em sua maioria, pela união de profissionais liberais, servidores públicos, produtores rurais, microempresários ou colaboradores de grandes empresas. As cooperativas de crédito independentes representam 27% do total de cooperativas de crédito em funcionamento no Estado e movimentam cerca de R$ 1,6 bilhão em ativos.

Cooperativas de crédito independentes somam 27% do total de cooperativas de crédito de SP (Foto: Divulgação)

Cooperativas de crédito independentes somam 27% do total de cooperativas de crédito de SP (Foto: Divulgação)

Os principais desafios para o fortalecimento e a organização desse segmento do cooperativismo financeiro estiveram em pauta em um evento realizado, em março, na sede paulista do Banco Central do Brasil. No prédio, localizado na Avenida Paulista, região onde estão sediadas algumas das principais instituições financeiras do país, reuniram-se mais de 65 participantes e 18 cooperativas. O Fórum Técnico das Cooperativas de Crédito Independentes foi realizado pelo Sistema Ocesp, com o apoio do Conselho Consultivo do Ramo Crédito (CECO/SP) e do BC.

Para essas cooperativas, participar de um encontro na sede do principal regulador da atividade das instituições financeiras no Brasil, tem um peso bastante simbólico. Por vezes, a relação com o órgão é conflituosa e alvo de questionamentos por parte dos dirigentes cooperativistas. Porém, na visão do presidente do Sistema Ocesp, Edivaldo Del Grande, é importante perceber o BC como um parceiro das cooperativas de crédito, que vem contribuindo para a profissionalização do setor.

Já o presidente da Medcred e representante das cooperativas independentes no Conselho Consultivo do Ramo Crédito (CECO/SP), Fábio Luz, acredita na união das instituições que atuam nesse segmento para resistir aos excessos que ele acredita haver em algumas resoluções do BC. Para ele, as exigências são muitas vezes desproporcionais em relação ao porte das cooperativas.

Esse é o ponto em comum unindo essas instituições financeiras que, ainda assim, preferem se manter independentes a se filiarem a sistemas, onde teriam acesso a serviços e ao suporte especializado para lidar com questões administrativas e burocráticas. O presidente da Federação Nacional das Cooperativas de Crédito (FNCC), Wanderson Oliveira, acredita que o modelo da FNCC, que reúne cooperativas de capital em empréstimo em uma cooperativa de segundo grau, é uma alternativa para fortalecer as independentes por meio do fornecimento de serviços compartilhados, favorecendo a intercooperação.

 

 

O consultor técnico de gestão do SESCOOP/SP, Rodrigo Dias, reforça a importância da comunicação entre as Cooperativas de Crédito Independentes e seus representantes no Conselho Consultivo do Ramo Crédito (CECO/SP) para contribuir nas discussões técnicas e estratégicas do setor. Na opinião dele, outro ponto importante é a constante troca de boas práticas de gestão entre as cooperativas, um dos temas apresentados no último Fórum Técnico.

Fábio Luz, por sua vez, acredita que não é preciso criar sistemas centralizados para isso e que a independência das cooperativas singulares deve ser preservada, sob pena de não poderem atuar como cooperativas na essência. Na opinião dele, as cooperativas vêm antes dos sistemas e não o contrário. Para o presidente da Credisan, João Gilberto de Souza, a questão passa pelo livre-arbítrio, que também se relaciona com princípio da adesão livre e voluntária. O dirigente acredita que as cooperativas podem escolher ou não se filiarem a centrais, mas não podem ser obrigadas a isso.

 

 

Apesar da diversidade de ideias e de opiniões, que também é uma característica inerente ao segmento das “independentes”, os dirigentes concordam que o caminho para garantir a sustentabilidade dessas cooperativas é a profissionalização da gestão. Para isso, eles contam com o apoio do Sistema Ocesp, que atua para sensibilizar e capacitar os dirigentes, cooperados e colaboradores em relações aos principais desafios da gestão de uma cooperativa. Também contam com representação no CECO/SP, que é fórum permanente de debate sobre os rumos do cooperativismo de crédito no Estado, onde podem trocar experiências com outros representantes de cooperativas vinculadas a sistemas. Afinal, as independentes também integram e têm muito a contribuir com o movimento cooperativista de crédito, participando de um setor que cresce de forma cada vez mais consistente e já figura como uma das principais alternativas à altíssima concentração bancária no Brasil.



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