Cooperativismo celebra abordagem do relatório da Comissão Global da OIT

Publicado em: 12 abril - 2019

Leia todas


A Comissão Global sobre o Futuro do Trabalho, criada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), divulgou recentemente seu relatório final intitulado “Trabalhe por um futuro melhor”, examinando que é possível alcançar um melhor futuro de trabalho para todos.

O presidente da Aliança Cooperativa Internacional (ACI), Ariel Guarco, disse que “o relatório da Comissão reconhece que os modelos de negócio devem estar alinhados a uma agenda centrada no ser humano, e é exatamente isso que o cooperativismo fornece ao público. Como empreendimentos centrados nas pessoas, caracterizados pelo controle democrático, priorizando o desenvolvimento humano e a justiça social no local de trabalho, as cooperativas são atores chave na realização das ações propostas. Elas permitem que as comunidades possuam e administrem ferramentas econômicas conjuntas para resolver suas necessidades mais centrais, como produção, emprego, habitação, saúde, educação, crédito, entre outras, por meio da propriedade e participação democráticas, gerando crescimento inclusivo e sustentável e não deixando ninguém para trás”.

A ACI, como principal órgão internacional do cooperativismo, afirmou que acolhe o apelo aos governos para se comprometerem com uma agenda centrada no ser humano e com a implementação da Garantia Universal do Trabalho, que proteja os direitos fundamentais dos trabalhadores, garanta um salário digno e a igualdade nos locais de trabalho.

O movimento cooperativo já está alinhado com a Recomendação de Promoção de Cooperativas da OIT de 2002 (nº 193) e aprovou recentemente a Declaração da ACI sobre Trabalho Decente e Contra o Assédio, em que a organização se compromete a “respeitar, promover e agir diligentemente para apoiar os princípios fundamentais do trabalho decente”.

Além disso, a organização internacional se diz satisfeita em ver que o relatório da Comissão da OIT reitera ainda que os trabalhadores da economia informal “muitas vezes melhoraram sua situação através da organização, trabalhando em conjunto com cooperativas e organizações comunitárias”. Segundo a ACI, por meio do cooperativismo, trabalhadores autônomos, produtores e empresários da economia informal podem fazer a transição para a economia formal e, portanto, aumentar consideravelmente sua renda e competitividade, acessando serviços que não estavam disponíveis devido ao tamanho dos seus negócios e falta de arranjos formais aplicáveis.

Como um ator global que emprega quase 10% da população mundial empregada, a ACI pede que todos os constituintes da OIT reconheçam o papel fundamental das cooperativas na consecução de uma agenda de trabalho decente, centrada no homem, dentro da proposta de Declaração sobre o Futuro do Trabalho. Mais especificamente, que sugiram que os governos nacionais implementem integralmente as políticas de promoção cooperativa que estão consagradas na Recomendação de Promoção de Cooperativas da OIT de 2002 (nº 193); reconheçam que as cooperativas representam uma proporção considerável do emprego mundial (cerca de 10%), enquanto criam trabalho decente e estável e riqueza coletiva, tanto em áreas urbanas como rurais.

A ACI espera ainda que reforcem a natureza inclusiva e democrática das cooperativas na redução da pobreza, especialmente entre os grupos vulneráveis, em particular mulheres e jovens; a forte colaboração, diálogo e alianças entre sindicatos e cooperativas para aumentar a representação dos trabalhadores nas economias rural e informal, dadas as principais mudanças digitais, ambientais e demográficas que causam profundas mudanças para empregados e empregadores; e, por fim, que ambas as organizações cooperem a fim de ajudar as cooperativas a implementarem a agenda do Trabalho Decente da OIT e os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.

O relatório reflete uma análise de 15 meses pelos 27 membros da Comissão Global da OIT sobre o Futuro do Trabalho, formada por figuras importantes das esferas empresarial e trabalhista, governo e organizações não-governamentais.


Fonte: ACI com adaptação da MundoCoop



Publicidade