Pela primeira vez no Brasil, Fórum Mundial mostra o futuro do café no mundo

Publicado em: 12 julho - 2019

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Evento reuniu grandes nomes nacionais e internacionais para debater a importância do tema

Pela primeira vez no Brasil, o II Fórum Mundial dos Produtores de Café, aconteceu em Campinas (SP), no dia 11 de julho e abordou pontos fundamentais para a discussão sobre o cenário da cafeicultura global.

Segundo o PhD. no Massachusetts Institute of Technology (MIT) e sócio da P&A Marketing Internacional, Carlos Brando, o consumo de café está crescendo em ritmo mais acelerado do que no passado, mas esse crescimento ainda não é suficiente para garantir boas condições de renda aos produtores. Ainda que não seja uma medida de resultados imediatos, aumentar o consumo é uma das soluções para enfrentar a crise de preços que afeta o setor.

O Brasil é historicamente o país que mais aumentou seu consumo interno. De acordo com Nathan Herszkowicz, Presidente executivo do Sindicafé-SP, aprimorar a qualidade e agregar valor aos produtos é uma via de sucesso também para as pequenas e médias empresas, pois o é necessário que o consumidor perceba o valor do que está consumindo.

Moenardji Soedargo, Diretor de Operações e Vice-Presidente da Indústria de Café Solúvel PT Aneka Coffee Industry, explicou como a mudança de hábitos de consumo na Indonésia foi responsável pelo crescimento do setor no país. As chaves para essa mudança foram o crescimento da economia, o aumento do uso das mídias sociais, a facilidade da entrada no mercado de café e a transformação social e cultural do país, que fizeram do café uma bebida social da Indonésia.

“Pagamos caro por nosso café, então por que os produtores não estão sendo devidamente remunerados?”, questionou a americana Phyllis Johnson, cofundadora e presidente da BD Imports, em sua apresentação no painel. Ela afirmou que, durante os últimos oitos anos, o consumo de café nos Estados Unidos se manteve regular, mas as pessoas estão começando a escolher melhor o tipo de café elas querem beber. Ou seja: embora o café no país não esteja crescendo no volume, está crescendo em valor.

Fred Kawuma, Secretário Geral da Organização Interafricana do Café – OIAC, foi o último painelista a se apresentar no primeiro dia. Representante do continente africano na discussão, ele comentou que a Etiópia é o país com maior consumo no continente, respondendo por 25% do que é produzido. Já o Quênia teve o crescimento do consumo do grão de mais de 100% em cinco anos, até 2018.

Destaque do Fórum

O diretor do Centro de Estudos de Sustentabilidade do Instituto La Terra da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, professor Jeffrey Sachs, apresentou um panorama do café no mundo e as necessidades desse setor tão grandioso.

Citando o Brasil como o maior e mais eficiente produtor do grão, o professor destacou que o país teve um aumento constante de produtividade em relação aos outros países e por isso, desde os anos 80, representa 83% da produtividade do mundo, juntamente com o Vietnã.

Em âmbito mundial, a sustentabilidade esteve fortemente em pauta. Segundo Jeffrey, fatores como mudanças climáticas e aquecimento global irão afetar cada vez mais o setor, demandando uma maior atenção tanto do governo como das iniciativas privadas. “É precisa resolver os problemas sem incentivar a competitividade, mas sim vendo o setor como um todo”, comenta.

Levando em consideração os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Agenda 2030 da ONU, o professor deu grande enfoque à necessidade de uma solução conjunta para todos os países de produção de café. Com isso, propôs um Fundo Global do Café que consiste em 10 bilhões de dólares para resolver os problemas da indústria e fomentar a cafeicultura, especialmente em países onde há maior nível de pobreza entre os agricultores.

Segundo Jeffrey Sachs, a indústria de café contribuiria com um quarto do valor, o equivalente a US$ 2,5 bilhões, e os outros três quartos do fundo seriam de investimentos públicos e privados, com os governos priorizando gastos sociais nas regiões cafeeiras. Equivalente a menos de 1 centavo por xícara de café vendida, segundo ele.

O motivo principal da criação desse Fundo seria a necessidade de haver interação entre todos os agentes da cadeia para o desenvolvimento de ações globais, além das já realizadas por cada país, havendo responsabilidade de todos os agentes públicos e privados do negócio café para garantir a implementação da sustentabilidade em suas dimensões econômica, ambiental e social.

Se baseando no conceito de desenvolvimento sustentável, Sachs acentua que esse seria o ponto de partida para entender as necessidades enfrentadas pelos produtores de café pelo mundo. É preciso se pensar na garantia de renda; inclusão social, com acesso da população às necessidades básicas, como saúde e educação; e preservação ambiental, com o setor não contribuindo com o desmatamento e contendo os riscos relacionados ao meio ambiente para a cafeicultura em todo o mundo.

Tecnologia na prática

Com estande próprio, a Agrotopus – empresa do grupo Valid, que oferece soluções tecnológicas unindo ciência de dados e agricultura – apresentou toda sua gama de serviços para produtores e cooperativas. A aposta é a transformação digital no agronegócio!

A tecnologia vem adentrando cada vez mais todos os setores da sociedade e quando se trata de meio rural, as inovações chegam para somar e facilitar a vida de quem tem no campo sua base de atividades. Pensando nisso, a Agrotopus oferece uma integração de toda a cadeia do produtor, desde ações de manejo, passando pelo armazenamento, industrialização, até a comercialização do produto.

Se a aposta é a facilidade tecnológica, a empresa, além de apresentar novidades como o armazém inteligente, com automatização da indústria e comercialização eficiente, e a fazenda digital, conta com aplicativos e portais para compra e venda. O produtor acompanha todos os processos, gerando maior lucratividade e acessibilidade.

As inovações presentes no campo afetam todos os meios como um todo. Investir em tecnologia deixou de ser visão de futuro para se tornar uma necessidade do presente.

Declaração final dos participantes do segundo Fórum Mundial de Países Produtores de Café

Na cidade de Campinas, Brasil, aos dias 10 e 11 de julho de 2019, reuniu-se o segundo fórum de países produtores de café e, considerando que:

  1. O primeiro Fórum despertou a consciência mundial sobre a necessidade de haver sustentabilidade econômica na oferta global de café. Contudo não houve engajamento efetivo dos demais segmentos da cadeia de valor do café para melhorar a remuneração dos cafeicultores.
  2. O estudo do professor Jeffrey Sachs, da Universidade de Columbia, destacou a necessidade de haver interação entre todos os agentes da cadeia para o desenvolvimento de ações globais, além das já realizadas por cada país, havendo corresponsabilidade de todos os agentes públicos e privados do negócio café para garantir a implementação da sustentabilidade em suas dimensões econômica, ambiental e social.
  3. A oportunidade de desenvolvimento de novas tecnologias para aprimorar as formas tradicionais de comercialização de café, aproximando produtores de consumidores e gerando agregação de valor nas origens.
  4. A importância de estímulos ao aumento do consumo mundial de café, em especial nos países produtores e mercados emergentes, para garantir equilíbrio entre oferta e demanda e, consequentemente, preços remunerativos aos cafeicultores.

Resolve:

  1. Promover a criação de uma plataforma tecnológica para agregar e disponibilizar informações e números de todos os segmentos da cadeia de valor do café, de forma a gerar transparência comercial e na formação de preços.
  2. Desenvolvimento de mecanismo que facilitem a disponibilização das informações das origens produtoras, por meio da rastreabilidade dos produtos oferecidos e suas especificidades aos consumidores finais.
  3. Promover a capacitação dos produtores, por meio de assistência técnica e extensão rural para a profissionalização em gestão da propriedade e aquisição de conhecimento sobre os riscos de mercado.
  4. Estímulo ao desenvolvimento de estratégias inovadoras e campanhas para a promoção do consumo de café, principalmente nos países produtores e mercados emergentes.
  5. Desenvolver mecanismos, estratégias de marketing e inovações tecnológicas que permitam se alcançar um preço remunerativo aos produtores, tais como selos de “sustentabilidade econômica” e “torrados pela origem”.
  6. Incentivar que cada origem produtora, a nível publico e privado, desenvolva um plano nacional de sustentabilidade para o setor café.
  7. O Comitê do WCPF tomará providências para a formalização de uma entidade jurídica que planejará a execução dessas estratégias.
  8. O seguinte Fórum de países produtores será realizado em 2021. O comitê coordenará com os países qual a cidade que sediará o próximo evento.

Esta declaração foi feita em Campinas, aos 11 dias de julho de 2019.

A MundoCoop é a Mídia de Apoio do II Fórum Mundial dos Produtores de Café.


Redação MundoCoop



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