Liderança e Estratégia: teoria, prática e casos de sucesso


Destaque


O World Coop Management 2017 aconteceu nos dias 2 e 3 de outubro e, seguindo o modelo das duas edições anteriores, teve palestras a cargo de personalidades influentes da alta gestão em nível nacional e internacional. Desse modo, reuniu profissionais e líderes de cooperativas e entidades do setor que buscam a reciclagem e a capacitação, mantendo-se atualizados sobre os novos conceitos, tendências e estratégias de atuação e métodos em seus negócios e cooperativas.

Ao longo dos dois dias, foram disponibilizados conhecimentos inovadores e novos métodos e conceitos, para que os dirigentes alcancem uma posição de destaque em mercados cada vez mais competitivos, sempre sob três aspectos: tendências, link internacional e link Brasil. O WCM é um congresso anual idealizado e realizado pela Wex Business. Esta terceira edição, da mesma forma que as duas anteriores, aconteceu em Belo Horizonte (MG), no Espaço Unimed-BH, com patrocínio do Sistema Ocemg, Unimed Belo Horizonte, Mapfre, Coopercon, Sistema OCB e Seguros Unimed. A MundoCoop, como nas edições anteriores, é a mídia oficial do congresso.

 Abaixo, um resumo do que os palestrantes apresentaram. Confira!

A primeira palestra do WCM 2017 mostrou como melhorar as habilidades inovadoras como estratégia de sobrevivência das instituições em um mundo caracterizado por mudanças em ritmo acelerado. Tema tratado pelo europeu James Bannerman, buscou desenvolver, pela junção entre teoria e exercícios práticos, a elasticidade mental para criar novos padrões.

James Bannerman, consultor de inovação

“Muitos líderes se focam em eficiência e eficácia, mas isso não é suficiente. A inovação é a única garantia contra a irrelevância, e o cerne do pensamento inovador é a observação”, frisou o consultor, recomendando que para superar a concorrência, “é preciso pensar na próxima prática e não na melhor prática”.

Entre os caminhos, Bannerman cita o CANDO, nome formado pelas primeiras letras das palavras em inglês que definem as etapas: conexão, alteração, navegação ou jornadas para entrar em contato com novas ideias, direção, que envolve inverter sequências, e oposição. De forma resumida, essas cinco etapas envolvem conectar coisas diferentes como essencial para a inovação; desenvolver um processo contínuo de refinamento de ideias; e desenvolver mentalidade questionadora.

James Bannerman, consultor de Inovação e autor dos Best Sellers “Genius” e “Business Genius”, é um dos grandes pensadores sobre Inovação Empresarial. Por conjugar Criatividade e Psicologia, é reconhecido como um gênio na forma de olhar o tema e, assim, ajudar CEOs de diversas organizações, como Aston Martin, British Airways, Orange, Starbucks, Rolls-Royce, HSBC e Takeda, bem como o projeto da missão a Marte, do Centro Espacial Nacional – USA.


Simon Parkinson, diretor e executivo-chefe do Co-operative College

Brasil é destaque no cenário internacional

Simon Parkinson ­- diretor e executivo-chefe do Co-operative College, do Reino Unido – iniciou sua apresentação citando pesquisa realizada pela instituição que dirige, que mediu a prevalência internacional de valores cooperativistas em 68 países. O resultado situa o Brasil em primeiro lugar no cenário mundial.

Ao longo de sua palestra, somou teoria com reflexões sobre liderança e estratégia, partindo do princípio de que cooperativa é a síntese dos diversos conceitos de economia e objetiva ajudar o outro e se beneficiar com os resultados, beneficiando toda a sociedade.

“O desafio é manter o ritmo e o embalo para evitar a estagnação”, explica, recomendando a mudança de comando e de controle para atrair maior número de participantes e, desse modo, chamar as pessoas à ação.

“É preciso escolher as melhores abordagens de liderança dos diversos setores da economia, ciente de que há inúmeras respostas possíveis e a escolha deve recair apenas sobre uma delas”, afirmou o cooperativista, defendendo a liderança autêntica, que tem coerência entre o falar e o agir, como a que melhor se coaduna com os valores e os princípios da doutrina cooperativa. Ao encerrar, pediu: “Precisamos saber que somos um movimento grande o suficiente para mudar o mundo”.

Simon Parkinson ­- diretor e executivo-chefe do Co-operative College – tornou-se diretor e executivo-chefe do Co-operative College, na Primavera de 2015, depois de 16 anos de trabalho para a Royal Mencap Society. No College, trabalha na busca de entendimento dos pontos fortes da equipe, da dinâmica existente e de como estilos de liderança e gestão diferem.


Bill Hampel, chefe-economista e Diretor de Política da Credit Union National Association

O cooperativismo de crédito norte-americano

A apresentação do cooperativismo de crédito norte-americano foi feita por Bill Hampel, que por mais de 40 anos atuo nesse campo, como economista-chefe e diretor de Política da Credit Union National Association (CUNA), associação que defende as cooperativas de crédito da América do Norte, o maior e mais influente comércio nacional americano.

O sistema é formado por 6.000 cooperativas, reunindo 110 milhões de membros, o correspondente a 44% da população dos Estados Unidos, que movimentam US$ 1,3 trilhão em ativos, volume próximo ao de um dos principais bancos dos EUA. Além disso, essas cooperativas de crédito detêm US$ 1,6 trilhão em poupança e depósitos e US$ 900 bilhões em empréstimos pendentes. De acordo com Hampel, apenas em poupança pessoal, as cooperativas somam 10% do mercado.

Essa pujança permitiu que, durante a recessão de 2005 a 2010, “as cooperativas de crédito conquistassem mercado, por serem as únicas em condições de atender às demandas da classe média. Nesse período, 507 bancos privados entraram em falência, enquanto apenas 157 cooperativas de crédito pararam suas atividades. Ou seja, a reputação dos bancos piorou, mas as cooperativas de crédito foram a alternativa encontrada pela população”, resumiu.

Para o economista, no cenário do cooperativismo de crédito, algumas barreiras precisam ser vencidas para que a atividade se desenvolva ainda mais. A principal delas refere-se à relação entre inovação e risco. “Inovação pressupõe risco; cooperativa não é muito afeita a risco, mas precisa vencer isso”, comentou, recomendando que “ao pensar no risco a equipe diretiva comece a perceber o que vai ganhar se o risco for baixo. Esse pode ser o caminho para impulsionar a cooperativa a inovar e crescer, pois não podemos esquecer o valor da inovação para sobrevivermos em um mundo em constante transformação”.

Ao longo de sua carreira, Hampel também atuou como diretor do National Consumer Cooperative Bank (Washington DC – EUA) e é também membro da equipe de advocacia regulatória e legislativa da CUNA. Bacharel em Economia pela Universidade de Dallas, é Ph.D. em Economia pela Iowa State University.  De 2004 a 2011, atuou no Conselho do National Cooperative Bank, que apoia as cooperativas norte-americanas e seus membros, especialmente em países de população com baixo poder aquisitivo, fornecendo serviços financeiros e similares.


Ari Piovezani, PhD em inovação

Criatividade agrega valor ao mundo real, frisa Piovezani

PhD em Inovação, o brasileiro Ari Piovezani fechou o primeiro dia do WCM 2017 conclamando os participantes a “mais do pensar fora da caixa, eliminar a caixa para não ter a tendência de voltar a ela, pois criatividade é o que agrega valor ao mundo real e inovação é atividade do ser humano quando se permite em estado alterado de consciência, no andar de cima, na área do mental puro, onde se localizam a criatividade e o humor, a abstração e a individualidade, os talentos e o brilhos de cada um”.

Aplicando os conceitos de inovação e criatividade às empresas, o palestrante lembrou o sucesso é garantido às empresas capazes de “questionarem permanentemente seus modelos de negócios, lideradas por pessoas que, antes de mudar a empresa, o mercado ou o mundo, redescobrem-se, mudando primeiramente a si mesmas em empresas que provocam, insistentemente, o brilho de seus profissionais e lhes disponibilizam palco”.

Piovezani é pioneiro no fazer fluir criatividade e inovação em soluções estratégicas, identificando o que realmente faz a diferença na sustentação das empresas. Definindo-se como um provocador de mudanças, defende a tese de que, primeiramente, é preciso redescobrir as pessoas naquilo que elas têm de melhor em seu “equipamento original”, para então motivá-las à geração de soluções inovadoras para os desafios e oportunidades mais importantes da cooperativa.


Jim Cunningham, consultor internacional de negócios

O modelo Disney de encantamento dos clientes

Partindo da premissa de que “felizes são aqueles que sonham sonhos e estão dispostos a pagar o preço para realizá-los”, o consultor internacional de negócios Jim Cunningham – que durante 15 anos prestou serviços à Walt Disney Company, sendo reconhecido por construir modelos de serviços de qualidade com grande sucesso –  discorreu sobre a metodologia Disney e resumiu a receita para o sucesso, ao dizer: “Não há segredo na prestação de serviços, há dedicação, foco e atenção. Por isso, para melhorar qualquer coisa, caminha e melhora ao longo do trajeto, e sempre haverá espaço para melhorar. Quem para de melhorar perde espaço e é ultrapassado pelos concorrentes”.

Segundo Cunningham, a prioridade é manter a cultura da Disney, fator que se aplica a qualquer empresa e se divide em quatro etapas: “definir o que queremos fazer, alinhar o orçamento ao desejo, desenhar ou unir o definido com o orçamento, e refinar para o sucesso da empresa. Depois, recomeça o ciclo, redefinindo e assim por diante”, resumiu, somando a esses pontos a importância “de contratar pessoas que querem trabalhar em sua empresa, não as que querem um trabalho; ministrar treinamento relevante, voltado para o sucesso, divertido e contínuo, para que todos entendam o que estamos fazendo e o que objetivamos com a empresa; sempre comunicar, porque as pessoas precisam saber para serem bem-sucedidas; e descubra o que o cliente quer, e reaja, ciente de que 10% é produto e 90% é serviço”.

Cunningham transmite todo seu conhecimento e experiência em programas de treinamento por todo o mundo, sendo especialista em ajudar as organizações a construírem cultura de excelência de serviço próspera e com líderes fortes, definindo um modelo de negócio à prova de falha.


Paul Hazen, fundador do domínio “DotCoop”

 Para Hazen, domínio coop é sinônimo de pertencimento

A apresentação do panorama do Overseas Cooperative Development Council (OCDC), conselho de desenvolvimento de cooperativas dos Estados Unidos, com estudos de casos de cooperativas de diferentes ramos ficou a cargo de Paul Hazen, que, como criador do domínio “DotCoop”, destacou a importância do seu uso nos endereços digitais de cooperativas, como forma de mostrar que a instituição “faz parte de um grupo mundial, formado por 750 mil cooperativas, que congregam mais 85 milhões de membros, incluindo algumas das empresas mais bem sucedidas do mundo. Mostra, também, que você coloca as pessoas em primeiro lugar; que é ético e justo; que é ótimo fazer negócios com você e que você não é apenas mais um dotcom, mas uma cooperativa”.

De acordo com Hazen, o número de empresas cooperativas unidas ao OCDC é de cerca de 29.000, atingindo 120 milhões de pessoas na América do Norte, sendo que dados da ACI – Aliança Cooperativa Internacional – as cooperativas nos Estados Unidos “representam mais de 60 das 300 maiores cooperativas do mundo”.

O palestrante também apresentou relatório realizado pelo centro de cooperativas da Universidade de Wisconsin, em 2009, que colocam as cooperativas norte-americanas como responsáveis por 1% do PIB daquele país. “Existem mais de 29.000 empresas cooperativas com um total de 120 milhões de membros. Essas cooperativas geram US$ 652 bilhões em receitas; US$ 133,5 bilhões de rendimento; US $3 trilhões em ativos, além de 2 milhões de empregos”.

Os números fundamentam a certeza de Hazen de que “as cooperativas vão ajudar a reduzir a pobreza, empoderar as pessoas e criar governos mais fortes, entre outros benefícios, pois, para qualquer problema, existe uma solução cooperativista”.

Antes de assumir o OCDC, em 2012, Hazen foi CEO da Associação Nacional de Cooperativas de Washington (EUA). Sob sua liderança, o portfólio de desenvolvimento cooperativo da NCBA cresceu de US$ 8 milhões para mais de US$ 30 milhões por ano. Durante os seus 25 anos de mandato, ocupou cargos-chave, incluindo os de diretor operacional, de vice-presidente de políticas públicas, de vice-presidente de serviços aos sócios e de diretor de cooperativas de consumidores. É um dos fundadores do DotCoop, o domínio para as cooperativas no mundo. Atualmente, lidera a IMPACT, iniciativa que documenta os benefícios econômicos e sociais das cooperativas em desenvolvimento no mundo. Ativo nos interesses das cooperativas em vários níveis, Hazen participou do Conselho Administrativo da Aliança Cooperativa Internacional (ACI).


Caroline Naett, diretora geral da Coop FR

Na França, cooperativas disfarçaram sua origem para sobreviver

A história do cooperativismo francês foi contada por Caroline Naett, diretora Geral da Coop FR, instituição sediada em Paris, que congrega as federações nacionais das organizações cooperativas setoriais, representando e promovendo os interesses das 23.000 cooperativas francesas de todos os ramos: serviços bancários e financeiros, agricultura, comércio, transporte, artesanato, habitação, pesca, distribuição e produção. Juntas, essas cooperativas empregam mais de 1 milhão de funcionários e associam mais de 26 milhões de membros, com 50% da população pertencendo a uma cooperativa.

Mas, em que pese a expressividade dos números, houve época em que as cooperativas não declaravam sua origem e se confundiam com as empresas tradicionais, a ponto de os consumidores não vincularem os produtos às cooperativas.  A causa, garantiu Naett, remonta aos anos 1990 e está relacionada a problemas de credibilidade, fruto da falência de algumas cooperativas de consumidores e do insucesso de iniciativas de funcionários assumirem empresas quebradas, que afetaram e enfraqueceram todo o sistema. No entanto, desde 2008, a situação está sendo revertida e, “hoje, ser uma cooperativa é um valor e uma vantagem comercial”, resumiu.

A evolução do movimento, amparada por maciça campanha de marketing – que mostra a pujança do cooperativismo, seus princípios e conquistas – “está conduzindo a uma revisão da legislação francesa, com revisão da conformidade e da identidade cooperativista, tendo como base os princípios universais da ACI. O desafio é fazer dessa revisão uma ferramenta de valorização do modelo cooperativo”, comemorou Naett.

Envolvida no movimento cooperativo, em âmbito nacional, europeu e internacional (ICA), há mais de 20 anos, Caroline Naett trabalhou durante 15 anos em Bruxelas (Bélgica), em associações europeias vinculadas às instituições e à política europeias. De 1995 a 2001, foi secretária-geral da Eurocoop da Comunidade Europeia das Cooperativas de Consumo e membro ativo do Comitê de Coordenação das Associações Cooperativas Europeias (CCACE), que deu início à criação da Cooperatives Europe.


Professor Sidney Leite, consultor empresarial

Ética e inovação: relacionamento possível?

A resposta a essa pergunta foi desenvolvida ao longo da apresentação do professor Sidney Leite, pró-reitor da Faculdade de Belas Artes, na capital paulista, entre outros títulos.

Como estudioso e pensador de novas metodologias de ensino e aprendizagem, especialista no modelo do “Oceano Azul”, Leite provocou reflexões, buscando levar os congressistas a entender como a transformação frente à tecnologia está impactando nos relacionamentos, mudando a agenda a humanidade a partir de 2017, ano que marca o início da Revolução Industrial 4.0, movimento que se caracteriza -segundo ele – “pela velocidade, amplitude e profundidade, com mudanças na visão de mundo e quanto à forma como damos sentido e significado, fazendo um corte vertical em toda a sociedade, mudando, inclusive, a relação do Homem com a máquina”.

Passeando pela história, Leite enfatizou os avanços tecnológicos e mostrou os ângulos positivos e negativos da relação do homem com a tecnologia, alertando para o fato de que “a impressora 3D promoverá uma revolução nas linhas de produção. Nesse novo cenário, cooperativismo e cooperação são a única saída porque individualmente não chegaremos a lugar nenhum”.

Os questionamentos passaram por pontos tais como “o que vamos fazer conosco, como podemos atuar, como estamos nos relacionando com a internet, o que estamos fazendo com a juventude e como podemos melhorar?” que ganham significando ao se considerar que “a fase nova é do antropoceno, que tem o homem como senhor do planeta, situação gerada pelas novas tecnologias, que causaram um crescimento brutal dos poderes do homem que, agora, é o sujeito de suas próprias tecnologias”, resumiu Leite.

Ao final, deixou um alerta: “Posso ter todas as técnicas do mundo e ainda assim usá-las insensatamente. O caminho, na internet, por exemplo, é buscar o equilíbrio entre a esfera da visibilidade e a discussão pública, usando a favor da produção de significado. Retomar o conceito de ética, para os gregos, que é agir, errar e assumir a responsabilidade, pois o erro deve alavancar o acerto. Por isso, ética nos negócios é vantagem competitiva. É preciso definir valores que transformem a vida das pessoas; governar a tecnologia e não ser por ela governado; estar ciente de que a ética do futuro é o futuro comum, a cooperação, uma visão coletiva, cooperativista”.

Consultor empresarial e reconhecido autor com quatro livros publicados e dezenas de artigos escritos para diversos periódicos científicos, tendo já no seu currículo várias matérias premiadas sobre o tema comunicação e negociação, Sidney Leite ministra cursos sobre gestão na Harvard University e no Babson College.



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