Reconhecidas como as fintechs mais bem organizadas do mundo, as cooperativas de crédito vêm se reinventando

Publicado em: 06 fevereiro - 2019

Leia todas


Fernando Fagundes, CEO da Unicred do Brasil, deixa claro quando questionado sobre o espaço das fintechs no mercado: “Não as vejo como concorrentes e sim como parceiras para termos acesso às inovações que nos aproximam ainda mais de nossos clientes.” Esta conclusão exemplifica com nitidez os próximos passos do cooperativismo de crédito para gerar valor aos seus cooperados e amplificar seu propósito de economia compartilhada e sustentável. Este, aliás, foi o principal tema do Concred 2018, o mais relevante evento do setor no Brasil, que debateu o futuro do Sistema.

“As fintechs podem nos ajudar para termos maior aproximação com nossos clientes” – Fernando Fagundes, da Unicred

A tecnologia está intrínseca nesse movimento de crescimento, tanto que a transformação digital é vista como prioridade para o Sicoob, o Sicredi e a Unicred. “Só para 2019, temos programado o investimento de R$ 275 milhões em tecnologia”, comenta Henrique Castilhano Vilares, presidente do Sicoob, ressaltando que esse montante será aplicado para aperfeiçoar ainda mais sua plataforma digital, composta por sete aplicativos mais a posse de acesso e consultas a transações por meio de smartwatch, seguindo a tendência da IoT (internet das coisas). “Parte desse valor será utilizado ainda no primeiro semestre. Uma das novidades é o aplicativo Moob, que possibilitará aos cooperados fazerem vendas e anúncios de produtos para outros cooperados. Caso o comprador não tenha dinheiro para fazer a aquisição desse produto na hora, a cooperativa poderá financiar. O objetivo é engajá-los cada vez mais dentro da rede Sicoob para que o dinheiro circule nesse meio”, complementa. Além disso, a cooperativa está investindo em tecnologia revolucionária para o setor, como inteligência artificial e blockchain.

“Só para 2019, temos programado o investimento de R$ 275 milhões em tecnologia” – Henrique Castilhano Vilares, do Sicoob

O foco será em proporcionar maior conforto, qualidade de atendimento e benefícios aos cooperados e clientes e na interconexão dos canais digitais de forma simples e eficiente. “Esses canais foram responsáveis por mais de 73% das transações do Sicoob em 2018, sendo a maioria [45%] via mobile banking e o restante [28%] pelo internet banking”, ressalta Vilares. E os números não são mero acaso. Além da mudança nos perfis dos clientes bancários, que têm optado em fazer o máximo de operações em casa, os canais digitais do Sicoob disponibilizam mais de 200 serviços, como saque e transferência digital, depósito em cheque pelo mobile, financiamento de veículos, renegociação de dívidas, antecipação de recebíveis, aplicativo para gestão das vendas (Sipag), disponibilidade de contracheques dos funcionários, trocas de arquitetura por meio de VANs (Rede de Valor Agregado) e atendimento digital, as duas últimas funcionalidades exclusivas para médias e grandes empresas.

Uma nova estratégia de negócio

A transformação digital está acontecendo com rapidez em todas as áreas da economia e com ainda mais velocidade no mercado financeiro. Cidmar Stoffel, vice-presidente e diretor executivo de Produtos e Negócios do Sicredi, enfatiza que a cooperativa enxerga a tecnologia como grande aliada da inclusão financeira e que as fintechs têm papel relevante nesse movimento. “Quando olhamos para o mercado, vemos que os novos players provocaram uma movimentação nas instituições financeiras e não é diferente conosco. A transformação digital é uma realidade para nós e já influencia a forma como pensamos ofertas, processos internos e o nosso relacionamento com os associados”, destaca o executivo, ressaltando que instituições financeiras também estão lançando ofertas e buscando a simplificação na forma de interagir com o público.

“A transformação digital é já influencia a forma como pensamos ofertas, processos internos e o relacionamento com os associados” – Cidmar Stoffel, do Sicredi

Um passo importante que a cooperativa deu nesse sentido foi o lançamento do Woop Sicredi, a conta digital que alia os benefícios desta solução ao conceito de economia colaborativa, “algo que tem tudo a ver com o cooperativismo de crédito e se conecta com quem quer não só gerenciar sua vida financeira, mas também gerar impacto positivo na sua comunidade”, ressalta Stoffel.

A conta digital é a próxima estratégia também da Unicred, que pretende lançar a solução já em 2019. Além disso, a cooperativa está trabalhando em algumas grandes frentes, segundo Fagundes. Dentre elas a marca Unicred Premium e a expansão das agências em mais cinco Estados brasileiros nos próximos quatro anos. “Em cinco anos, podemos chegar a 10% ou 12% do mercado financeiro”, afirma o executivo. Ele também ressalta que “o internet banking Pessoa Jurídica recebeu durante este ano novas funcionalidades, com o objetivo de aumentar sua utilização neste canal de atendimento”.

A cooperativa também desenvolveu neste ano um projeto de parceria com um grande player de mercado para aumentar a capilaridade das transações feitas no autoatendimento (ATMs), bem como possibilitar a realização de transações sem a necessidade da utilização do cartão físico. Outra iniciativa que envolveu a Unicred foi o convite da Unisinos (Universidade do Vale do Rio dos Sinos) para fazer parte do grupo BLOCKCHAIN CoLab, cujo propósito é ser um hub que conecte pessoas e dissemine conhecimentos em Blockchain, inspirando indivíduos e organizações a experimentarem modelos interativos de inovação que contribuam com soluções em benefício dos negócios e da sociedade. Para Fagundes, fazer parte de um laboratório que permita experimentar e trocar experiências em torno da tecnologia Blockchain, reforça o compromisso com cooperados, centrais e cooperativas, no que diz respeito a constante busca por inovação e melhores práticas. “Essa tecnologia é a espinha dorsal da criptomoeda Bitcoin, inteligência que promete trazer uma onda de impacto comparável ao advento e popularização do uso da Internet na década de 90, no Brasil. Ainda pode ser cedo para afirmar, daí a importância de iniciar estudos e experimentos em um grupo de colaboração, mas acredito que o Blockchain traduzirá, muito em breve, um novo momento de confiança entre empresas, em especial as instituições financeiras, e seus clientes – e no caso da Unicred, cooperados,” pondera.

Para Fagundes, que tem uma carreira profissional fundamentada no segmento de tecnologia, a inovação é extremamente importante. “É uma forma de gerarmos valor para nosso cooperado”, diz ele, fazendo uma ressalva sobre a identificação dos cooperados com os produtos e serviços resultantes dessa inovação: “Não adianta apresentar algo novo que o cooperado não vá usar”. A ideia é oferecer facilidade, praticidade e segurança.

Ampliando horizontes

O novo projeto da Cresol (Sistema das Cooperativas de Crédito Rural com Interação Solidária) reitera seu compromisso com um dos princípios do cooperativismo, transformar o mundo em um lugar mais justo, feliz, equilibrado e com melhores oportunidades para todos. Desde novembro, a cooperativa atua como agri-agência da organização europeia AgriCord, rede de agri-agências de cooperação, cuja estratégia de articulação mundial tem o objetivo de apoiar o desenvolvimento de regiões de países que enfrentam dificuldades sociais e econômicas.

A Cresol atuará por meio do Instituto Infocos a partir do cooperativismo solidário. E este é um passo muito importante para a cooperativa, segundo o presidente da cooperativa e do Instituto Infocos, Alzimiro Thomé. “A Cresol nasceu com o apoio de uma agri-agência, o Trias, e agora conseguimos credenciar parte de sua organização dentro desta rede mundial que inicia com uma contribuição para a superação das realidades destacadas pela ONU, por meio dos objetivos do desenvolvimento sustentável”, pontua. As agri-agências têm como orientação trabalhar com os 17 objetivos do desenvolvimento sustentável para o milênio que a ONU determinou.



Publicidade