O triunfo econômico do cooperativismo

Publicado em: 29 junho - 2020

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Em uma era de transformações, a economia vem sendo uma das principais pautas de discussão mundial. E entre avanços e dificuldades, é um amplo diálogo e planejamento para que o sistema econômico avance de forma produtiva e justa.

Pensando nesse cenário, é indispensável a efetivação de um modelo econômico que contribua de forma colaborativa e equitativa para os países em geral. E levando essa questão em consideração, deve se colocar o movimento cooperativista como uma alternativa viável para o futuro da economia.

O cooperativismo vem acumulando, em escala, mundial, diversas conquistas advindas exclusivamente das práticas concretizadas pelo ramo, que, de modo geral, configura-se como uma atividade econômica de grande desempenho baseado em valores de ajuda mútua, responsabilidade, igualdade, equidade, solidariedade e, acima de tudo, em participação democrática. Portanto, os membros se unem de forma voluntária em prol de um objetivo econômico e social em comum: a colaboração coletiva e distribuição justa dos resultados.

De acordo com o palestrante internacional, professor e autor, José Luiz Tejon Megido, o cooperativismo já é, no presente, uma alternativa econômica significativa. “Há cerca de 1,2 bilhão de pessoas cooperativadas na terra. As 300 maiores cooperativas do planeta com uma receita de U$ 2,1 trilhões, o que resultam na 7˚ economia do globo. Cooperativismo de crédito ascendente. No Brasil, quase R$ 260 bilhões é o total do faturamento do cooperativismo. No agro, mais de R$ 167 bilhões. No total, 14 milhões de brasileiros cooperados. São números espetaculares, porém, serão ainda maiores pela inevitabilidade da tendência do espirito humano em busca de realização e dignidade da vida na terra, não somente para poucos, mas para muitos’, ressalta.

170 anos após sua criação, o ramo cooperativista movimenta a economia e promove o desenvolvimento, sem deixar de lado os valores que o conectam com suas premissas tradicionais. E, ao mesmo tempo, demanda uma gestão profissionalizada e com visão de mercado, capaz de gerar competitividade. Sendo assim, o cooperativismo possui caráter transformador e de inclusão, equilibrando produtividade e sustentabilidade.

Superando obstáculos

Nos últimos tempos, o cooperativismo tem firmado uma importante participação e posição de destaque na economia brasileira e na construção de uma sociedade mais justa e representativa. Mas, os motivos que justificam o sucesso de hoje foram criados há muitos anos atrás.

Em 1902, o Padre Theodor Amstad chegou no Brasil, mais precisamente em Nova Petrópolis, Rio Grande do Sul, e enxergou no cenário financeiro da época uma saída para criar oportunidades e, principalmente, alternativas. Foi assim fundada a primeira cooperativa de crédito do país, atualmente chamada de Sicredi Pioneira. “Toda a história do cooperativismo tem no seu DNA, na sua genética a superação humana perante  enormes desafios. Exatamente por isso é o modelo de negócios mais bem preparado para o enfrentamento das imperfeições do viver. Conhece como ninguém a dificuldade e a dura luta pela vida“, ressaltou Luiz Tejon.

Segundo o diretor de operações no Banco Cooperativo do Brasil S/A – Bancoob, Ênio Meinen, quando a retração econômica ou a instabilidade institucional se instalam, os agentes econômicos convencionais recolhem-se. Enquanto isso, considerando que entre a cooperativa e seus membros há uma afeição e um compromisso societário mais intensos, os cooperados continuam sendo assistidos normalmente. No fim, até mesmo em razão da empatia social que se estabelece, o resultado é o fortalecimento da atividade cooperativa, seja pela fidelidade operacional dos cooperados existentes, seja pela atração de novos sócios. E é justamente por isso que na crise o cooperativismo tem experimentado os maiores índices de expansão.

Atualmente, as cooperativas de crédito brasileiras contam com mais de 10 milhões de associados, entre pessoas físicas e jurídicas. Já são 5,4 mil postos de atendimento, que representam 16% de todas as agências bancárias em território nacional, com presença em 2.500 cidades Brasil afora.

Além disso, o governo tem editado resoluções, por meio do Bando Central, que facilitam o trabalho das cooperativas e fortalecem o movimento como, por exemplo, a Resolução 3.106/2003, que estabelece a livre admissão de associados, a Lei Complementar n°130/2009, que dispõe sobre o Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (SNCC), a e as resoluções que estabelecem regras de governança, nova segmentação e eliminação de restrições ao quadro associativo das cooperativas.

Em meio a desafios e novas dinâmicas econômicas, o modelo econômico cooperativo salienta um caminho para uma conjuntura mais acentuada e estável da economia brasileira. “Quanto ao cooperativismo, já não é mera promessa, mas uma realidade. Representatividade como 48% do PIB agropecuário, 50% das cargas transportadas pelo país, 30% dos planos médico-odontológicos e 15% do crédito para a atividade rural, são algumas das evidências nesse sentido. Como tendência, dadas as suas virtudes e o fato de a presença real ainda estar bastante aquém do potencial, é inexorável a ampliação do protagonismo cooperativista”, completa Ênio.

Assim, utilizando-se de seu legado de atendimento personalizado, presença local e relações sustentáveis, as cooperativas de crédito estão fazendo uso das tecnologias, das transações digitais e dos aplicativos e somando tudo isso aos princípios do cooperativismo para estabelecer uma nova era no mercado de crédito. Além disso, analisando fora do ramo crédito, é comprovado que o cooperativismo é um instrumento de desenvolvimento. Segundo a pesquisa realizada pela FEA-USP Ribeirão Preto, onde existem cooperativas o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é, em média, superior aos demais municípios. Isso porque os recursos econômicos circulam na própria região, fazendo girar a economia local e melhorando a qualidade de vida na comunidade.

“Responsabilidade social corporativa passou a ser critério de avaliação dos seus executivos, e já se desenvolvem os conceitos de capitalismo consciente, de reimaginação do capitalismo e nasce uma nova geração chamada de CEO Ativistas. Quer dizer não mais somente o foco do lucro deve prevalecer, mas os compromissos com o longo prazo e o desenvolvimento da sociedade humana também. Quer dizer, as boas corporações imitarão as boas cooperativas, e desejarão ter o cooperativismo vinculado à elas nas suas cadeias de valor”

José Luiz Tejon

Com todas as evidências, balanços e análises, é lógico concluir que o cooperativismo é muito mais do que um modelo econômico alternativo. O movimento se tornou a tendência mais duradoura de todos os tempos graças a sua grande capacidade de adaptação, visão de futuro e, principalmente, essência humanizada. É a garantia de um horizonte próspero baseado na realidade acima de conceitos. 


Redação MundoCoop – Matéria publicada no Anuário Brasileiro do Cooperativismo 2020

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