As moedas digitais e o novo rumo da tecnologia

Publicado em: 08 abril - 2019

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Adentrando cada vez mais o sistema financeiro mundial, o uso das moedas digitais é uma das consequências da evolução tecnológica que a sociedade tem vivenciado. Analisando esse cenário, Courtnay Guimarães, CTO (Chief Technology Officerempreendedo), cientista atuante no mercado de tecnologia centrado em serviços financeiros há 32 anos, pesquisador e doutorando focado em inteligência artificial e blockchains, em entrevista exclusiva para a MundoCoop, falou sobre as influências dessa tecnologia no Brasil e da relação com o cooperativismo.

Quais as maiores dificuldades de implementação do uso de moedas digitais no atual sistema financeiro brasileiro?

O mercado financeiro brasileiro já é bem maduro, porém, vejo algumas dificuldades em relação a integração entre os próprios bancos, isso deve-se fundamentalmente por questões de compliance e também por um motivo que preocupa muito os grandes bancos, a lavagem de dinheiro. Contudo, para o segmento cooperativista, isso é uma enorme vantagem, pois abre um imenso número de possibilidades, como criar economias baseadas em sistemas de pagamento de ciclo fechado, utilizando moedas sociais ou programas similares, uma vez que as próprias cooperativas podem ser intermediárias dessa modalidade.

Qual a maior vantagem ao optar pela utilização da moeda digital e da tecnologia Blockchain ao invés de manter o modelo tradicional de bancos e financeiras?

Posso citar três aspectos diferentes na utilização dessas novas tecnologias. O primeiro são as moedas digitais criptográficas, abertas e públicas, como o bitcoin, um método para transferência de sistema de valor usando tecnologia de contabilidade distribuída em uma rede peer-to-peer. Outro recurso que vejo como fundamental são as moedas digitais fechadas, criptográficas ou não. E por último, as plataformas blockchain, fechadas, que são uma tecnologia de banco de dados.

Para cada um destes modelos, é importante traçar uma estratégia que aproveite as potencialidades de cada um. Em especial para as cooperativas, na qual vários consórcios se formaram, com grandes players de tecnologia. É extremamente importante saber olhar para isso, não somente do ponto de vista romântico ou mesmo tecnológico, mas dentro do contexto do cooperativismo que apresenta particularidades muito bem definidas.

Veja como exemplo, o case da empresa CULedger, uma organização com foco em cooperativas de crédito que anunciou recentemente uma parceria com a IBM em novos serviços baseados em blockchain que vai ajudar as cooperativas de crédito a fornecer uma melhor estrutura.

As cooperativas de crédito ocupam um ramo importante dentro do cooperativismo. Como elas podem utilizar as moedas digitais a seu favor?

Analiso isso como um processo viável e muito prático aqui no Brasil, além de possuirmos muitas facilidades que ainda não são exploradas, tanto por despreparo, quanto por falta de conhecimento. Sem dúvidas, as captações internacionais e a conversão para projetos, aqui no país, é o caminho mais propício.

Veja o exemplo do projeto Moeda Seeds (https://moedaseeds.com/), uma startup fundada pela engenheira de software e CEO da Moeda, Taynaah Reis, que trouxe diversos benefícios para empreendedores e suas comunidade, facilitando o acesso a financiamento e oferecendo apoio para o negócio.

O cooperativismo possui valores e princípios baseados na ideia de uma rede de participações igualitárias conectadas por interesses comuns. Em sua opinião, a relação do cooperativismo com a moeda digital pode representar o futuro?

Claro! Não só com moedas digitais, mas utilizando o blockchain como base tecnológica, podemos alavancar e incrementar muita coisa dentro do cooperativismo brasileiro. Isso pode acontecer desde a construção de negócios em redes até a elaboração de sofisticados modelos de negócio, que só podem existir em rede e de maneira cooperada. Tempos interessantes estão por vir!

Confira mais sobre a relação da tecnologia do blockchain e o cooperativismo no artigo Blockchain e a Cooperativa.


Por Fernanda Ricardi – Redação MundoCoop



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