7 perguntas para a fundadora da Criptomoeda Cooperativa Moeda

Publicado em: 30 agosto - 2019

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Para facilitar o acesso ao crédito para comunidades rurais e de periferia, Taynaah Reis criou uma criptomoeda que é um sucesso. Descubra nessa entrevista

Taynaah Reis é a criadora da primeira criptomoeda brasileira de sucesso. Com foco nos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas, a Moeda vem facilitando o acesso ao crédito e o desenvolvimento de milhares de comunidades ao redor do mundo, através do Programa Moeda Semente.

Confira!

1. Primeiramente, gostaríamos que você se apresentasse e falasse um pouquinho de sua jornada.

Meu nome é Taynaah Reis, tenho 31 anos, sou engenheira de software autodidata.

Tenho vasta experiência profissional em projetos focados nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU e o propósito de mudar a realidade de comunidades economicamente excluídas.

Atualmente estou cursando mestrado em “Environmental Governance and International Policy Making”, na Graduate Institute of International and Development Studies.

Tenho certificação em “Artificial Intelligence – Implications for Business Strategy” pelo MIT, e em “Cybersecurity – Risk Management” e “Disruptive Innovation with Clayton M. Christensen”, ambos pela Harvard Business School.

Sou fundadora e atualmente CEO na Moeda Seeds Bank, hoje um ecossistema de empresas que trabalham pela inclusão financeira e igualdade de gênero, gerando oportunidades por meio dos Programas de Nano-Micro Crédito Orientado, Aceleração e Marketplace e incentivando práticas sustentáveis de longo prazo para promover crescimento e desenvolvimento de comunidades.

2. Como surgiu a ideia da criação da criptomoeda? Em que momento de vida ou situação de trabalho? Como você resume essa história?

Desde os meus primeiros anos de vida, me vi inserida em um contexto institucional, público e privado.

Minha família sempre esteve envolvida em facilitar processos para pequenos empreendedores que precisavam de crédito para se organizar e crescer.

Meu pai foi um dos idealizadores do PRONAF, programa que até hoje favorece linhas de crédito à agricultura familiar por intermédio do governo.

O excesso de burocracia, as taxas exorbitantes e o difícil acesso a recursos para capital de giro também me motivaram a criar a moeda e reinventar a forma como investimos e ajudamos a transformar pessoas.

3. Na sua opinião, qual é a principal diferença entre uma criptomoeda cooperativa e uma criptomoeda tradicional?

criptomoeda tradicional é utilizada apenas como moeda fiduciária. Nossa moeda vai além da simples transação de valores tangíveis, contabilizamos também os valores intangíveis como o impacto gerado.

Moeda funciona dentro de um ecossistema onde, de qualquer lugar do mundo, com segurança e transparência proporcionadas pela utilização de tecnologias como o blockchain, é possível apoiar empreendimentos e projetos selecionados pela nossa rede técnica e acompanhar de perto sua prestação de contas, resultados e impacto relativo aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.

4. Quais são os principais desafios que você enxerga para a implementação de um serviço como esse no meio cooperativo brasileiro hoje?

O grande desafio está na orientação além do crédito. Por isso, construímos um modelo de Aceleração que é responsável por mapear e triar as necessidades para orientação dos órgãos e empresas de fomento, ou mesmo indivíduos/empresas que busquem apoio para seu próprio desenvolvimento.

Desde as ideias iniciais, com suporte à elaboração do plano de negócio, até a análise de viabilidade e sustentabilidade, indicando os riscos socioeconômicos na obtenção dos recursos e alternativas de melhores caminhos a seguir.

Após a captação de eventuais recursos, o empreendimento ainda pode utilizar a assessoria Moeda com foco no monitoramento, controle e avaliação dos projetos.

5. Na sua opinião, qual é o principal problema que a Moeda chega para resolver, principalmente para o empreendedorismo no Brasil?

Moeda remove quatro barreiras fundamentais que impedem a efetiva alocação de recursos para financiamento público e privado para Fomento ao Desenvolvimento Sustentável, principalmente em áreas rurais e de periferia.

1. Acesso Insuficiente ao Capital
Tomadores de empréstimo têm poucas oportunidades de acesso ao crédito com taxas acessíveis e orientação para otimização da aplicação de recursos.

2. Parcialidade nos investimentos
Estatísticas mostram que o investidor é parcial em relação ao gênero, tendo menor interesse em projetos liderados por mulheres, apesar de, historicamente, haver maior taxa de sucesso e de devolução de investimento em projetos liderados por elas. O Brasil tem uma grande lacuna, já que 45% dos pequenos e médios empreendimentos geridos por mulheres consideram que o acesso ao sistema financeiro é o maior limitante para operar e expandir seus negócios.

3. Falta de orientação 
Difícil acesso à orientação adequada e acompanhamento no desenvolvimento da ideia inicial e na elaboração do plano de negócio, o que aumenta consideravelmente os riscos socioeconômicos e dificulta a tomada de decisões.

4. Dificuldade de comercialização e divulgação dos produtos e serviços

6. Como você enxerga a utilização das criptomoedas, na prática, pelas cooperativas?

Nosso ecossistema incentiva a responsabilidade creditícia, social e ambiental cooperativas.

Os tomadores de recursos podem ser beneficiados por seu bom comportamento com pontos de lealdade. A modalidade de “aval solidário” permite ao participante construir uma reputação creditícia de forma mais eficaz e facilita o acesso personalizado aos programas de Crédito Moeda Semente.

Os programas de Nano e Microcrédito viabilizam empréstimos com valores mínimos de R$ 20,00 e taxas acessíveis que iniciam a 2,5% para pessoas físicas e jurídicas.

Programas especiais junto a parceiros realizam o provimento de crédito de até R$ 300 mil, com financiamento baseado em objetivos, viabilidade de execução e em um sólido plano de negócios.

Após a captação dos recursos, a Moeda também facilita a comercialização e divulgação dos produtos e serviços de cooperativas por meio de um processo de venda seguro e fácil em nosso Marketplace.

Estimulamos o compromisso com uma Economia Justa e Solidária através da certificação de produtos sustentáveis.

Uma criptomoeda cooperativa tem que orientar e apoiar além do crédito.

7. De que maneira você vê os princípios do Cooperativismo de Plataforma aplicados a essa tecnologia?

Nossa tecnologia trabalha pela inclusão financeira e a igualdade de gênero, gerando oportunidades, incentivando práticas sustentáveis de longo prazo e promovendo o crescimento e desenvolvimento de comunidades.

O cooperativismo une pessoas. O capital e a tecnologia são apenas um meio utilizado para incrementar a união de forças, fazendo com que a força da união gere benefícios para todos os colaboradores associados.

cooperativismo cibernético já teve início. Cabe apenas transformar os novos empreendedores em cooperativistas, melhorando a qualidade de suas relações com associados, colaboradores e com a sociedade, tendo em vista os princípios do Cooperativismo.

Trata-se de um esforço de adaptação ao nosso tempo, sem perder a essência da utopia cooperativista. É o que podemos denominar Cooperativismo 2.0.

É preciso integrar pessoas, principalmente essa grande legião de jovens empreendedores comprometida com a cooperação, e transformá-los em cooperativistas.

É preciso quebrar muitos dos paradigmas existentes e as barreiras do conhecimento mutável e da absorção de novas tecnologias. Tudo isso pode mudar para melhor com os valores e a prática do cooperativismo.


Entrevista publicada no Portal Geração Cooperação



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