A voz da juventude que move o mercado

Publicado em: 05 novembro - 2020

Leia todas


A nova geração tem protagonizado as mais diversas discussões da atualidade. E, adentrando o ambiente corporativo, a inclusão da juventude se tornou uma necessidade urgente e necessária.

Muitos especialistas e e gestores de organizações já estão buscando moldar o ambiente organizacional e atrair esse público tão crescente. Mas o que os jovens tem a dizer sobre o mercado de trabalho atual?

Pensando em dar voz a quem ocupa efetivamente essa demanda e criar um debate bilateral sobre esse assunto, conversamos com o Jovem Aprendiz em Gestão de Pessoas na Sicredi Sul MT, Gabriel Feitosa, 17 anos, que compartilhou toda sua experiência dentro do movimento cooperativista e sua visão sobre oportunidades.

Confira entrevista!

1- Na última década, o debate sobre diversidade cresceu no Brasil e uma das vertentes que tem impulsionado isso é o meio corporativo. Falando mais especificamente sobre inclusão de jovens, o cooperativismo tem se planejado para abraçar as novas gerações? Como você enxerga isso?

Acredito que o Cooperativismo é sim um agente de mudança e impulsionamento para que haja maior acessibilidade e inclusão dos jovens. Sinto que no meio cooperativista não somos apenas números para “cumprir tabela”, mas sim profissionais com potencial tamanho. E o jovem quer isso! Um lugar onde ele se sinta parte e se sinta uma peça importante para o desenvolvimento da empresa ou da cooperativa. Onde ele não é só uma pessoa que realiza processos, mas uma pessoa que é levada em consideração na hora do planejamento.

Outro ponto que corrobora para esse meu pensamento é o fato de que, em quase 100% dos casos, os Jovens Aprendizes ou Estagiários serem efetivados nas cooperativas, isso me brilha os olhos, pois deixa evidente o quanto o cooperativismo é uma ótima escolha para início e consolidação de carreira. Penso que toda cooperativa pode ser ou se tornar um espaço de relevância para os jovens que estão iniciando sua carreira de trabalho.

2- Acompanhando as transformações do mundo, muitos objetivos profissionais e necessidades do mercado também tem mudado. Quais características você julga importante uma organização ou empresa possuir atualmente?

Várias! Mas destaco algumas como: Uma boa Cultura Organizacional; Receptividade com a diversidade de opiniões; Oportunidades de Protagonismo; Liderança Situacional, Positiva e Compassiva; Espaço de Aprendizado Constante e Mútuo; e ser um espaço entregador de experiências positivas e de crescimento!

Eu acho superimportante empresas terem sua cultura organizacional bem definida e bem consolidada em seus princípios e valores porque colaboradores que fazem conexão com o que a empresa acredita, já no ato do processo seletivo, vêm somar com os que estão lá dentro. Motivados a realmente participar do movimento da empresa.

Gabriel Feitosa

Acredito também que o importante é as empresas e cooperativas saberem valorizar o diverso, saberem valorizar o que pensa diferente e a partir dele se mover entre o que pode e não pode ser feito.

Além disso, empresas que realmente oferecem para seus colaboradores espaços onde eles possam exercer outras atividades e exercer outras habilidades, mesmo fora da sua área de atuação, tem um diferencial. Então, quando as cooperativas focam em proporcionar experiências de protagonismo para todos os seus colaboradores, não falo só dos jovens, elas se destacam.

Dentro do aprendizado que o cooperativismo proporciona, o líder e o liderado ocupam um espaço mútuo de aprendizado, com troca de conhecimentos, experiências e pontos de vistas diferentes. Ou seja, para falar de liderança, eu acredito sim que as organizações devem proporcionar experiências positivas de crescimento, em todos os sentidos. Não só no crescimento profissional, mas pessoal também.

No meu caso Sicredi Sul MT, nós temos diversas atividades fora da nossa agenda de trabalho que nos proporcionam espaço de experimentação social incríveis. Hoje isso é troca social incrível que acho muito importante. As empresas e cooperativas devem proporcionar momentos onde os colaboradores tenham espaço para crescer em seu lado pessoal também. Para se conhecerem mais e juntos. Além de estarem mais conectados ainda para alcançar os objetivos da cooperativa como um todo.

3- Em sua opinião, as cooperativas têm potencial para se tornar cada vez mais uma alternativa para a nova geração se posicionar no mercado de trabalho? Qual seria o diferencial do movimento que o torna atrativo para os jovens?

Sim, sem sombra de dúvidas! O cooperativismo é jovem, alegre, prático, moderno, interativo, próximo e, sem dúvida, uma grande escola.

Penso que nada melhor para quem, de certa forma, está começando do que um local de trabalho que combine com tudo o que nosso universo jovial carrega. Nós jovens temos uma grande oportunidade e um grande espaço dentro das cooperativas e dentro do meio cooperativista. E se o jovem sente realmente conexão com os princípios que o cooperativismo transmite ele vai se sentir acolhido na cooperativa e vai se sentir assim parte do negócio.

4- O que falta para as cooperativas atraírem ainda mais a participação da nova geração? Você acha que a inserção cada vez maior da tecnologia no ambiente de trabalho pode contribuir para que os jovens tenham mais oportunidades no movimento cooperativista?

Creio que faltar algo, não falta, penso que o cooperativismo é cíclico, sempre se reinventa e sempre evolui, o que não deixa o modelo de negócios se estagnar em comparação com os outros, mas acredito que o movimento em si precisa ser mais conhecido pelas pessoas e no caso em especial, os jovens.

Com certeza, partindo do ponto dos jovens terem afinidade com as novas tecnologias e estarem inseridos em um tempo totalmente conectado, a facilidade no entendimento e cumprimento dos processos operacionais diretamente ligados a essas tecnologias pode sim ser um diferencial perante as oportunidades.

5- Como alguém que vivencia o dia a dia dentro de uma cooperativa, como você enxerga a relação de diferentes gerações dentro do ambiente de trabalho? Qual a importância de ver exemplos de jovens ocupando cargos de liderança?

Uma parceria muito boa! Onde trabalho tenho total acesso aos mais “experientes” e sempre sou atendido quando questiono ou indago algo.

Os mais velhos precisam entender que temos tanto potencial quanto eles e que assim como eles um dia começaram jovens em suas carreiras, nós estamos começando a nossa!

Para mim significa muito e me contagia ver jovens sendo protagonistas em suas áreas de atuação dentro da Cooperativa. Me vejo ali representado por pessoas que mediante suas crenças e posicionamentos alcançaram um lugar de considerado prestígio.

Para nós, jovens, ver outros jovens em espaços de liderança e espaços de protagonismo é muito especial. É ter ali uma prova de que você também é capaz de alcançar aquilo. E pensar que, independentemente de estarmos, de certa forma, só no começo de uma carreira profissional também temos muito a contribuir. Os jovens precisam ser ouvidos e precisam ter suas qualidades e suas afinidades valorizadas. Acredito que isso é um ponto a ser levado em discussão e em consideração por todas as cooperativas.

6 –Em sua concepção, qual a importância da diversidade dentro das organizações?

Vejo a Diversidade como um tema a ser trabalhado! Eu acredito que a diversidade precisa ser trabalhada antes de ser exercida. Antes de pensarmos em inclusão e diversidade, nós precisamos olhar para o que já temos e alcançamos alcançou. A empresa ou cooperativa precisa ter um olhar para dentro. Será que os colaboradores que eu já tenho se sentem recebidos e se sentem ouvidos? O tema da diversidade precisa ser trabalhado e promovido entre os colaboradores para que eles entendam do que se trata a diversidade e porque ela é importante na cooperativa. Todos precisam estar familiarizados ou vou ter uma única frente, que muitas vezes é a área de gestão de pessoas, focada nisso.


Por Fernanda Ricardi – Entrevista realizada para a Revista MundoCoop, edição 95

Quer conferir também a matéria completa com mais visões sobre o assunto? Veja aqui!



Publicidade