Altas seguidas do Ibovespa estão chegando ao fim, informa diretor da Unicred

Publicado em: 24 Janeiro - 2018

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24 jan. 2018

Principal indicador da Bolsa de Valores de São Paulo (B3), o Ibovespa vem sendo notícia desde o final de 2017, com resultados positivos e rupturas da máxima histórica que, até então, era de 76.989 pontos, marcada em dia 13 de outubro do ano passado.

2017, fechou com 27% de alta e, mesmo com oscilações creditadas à expectativa do julgamento do ex-presidente Lula (marcada para 24 de janeiro), 2018 está se caracterizando por altas diárias, com apenas três dos pregões realizados em janeiro tendo fechado em queda. Já no dia 2 de janeiro, o Ibovespa superou a marca histórica e atingiu os 77.891 pontos e, em 23 de janeiro, na abertura bateu os 81.676 pontos, mas fechou em queda de 1,22%, com 80.678 pontos.

Rodrigo Borges, diretor geral da Unicred Central RS falou com a MundoCoop sobre o assunto. Confira!

As oscilações do Ibovespa interferem na vida das pessoas que não investem da Bolsa? De que forma?

Apesar de as cooperativas trabalharem com investimentos mais tradicionais, os indicadores da B3 interferem no sistema financeiro e as consequências afetam as cooperativas como um todo. É sempre importante lembrar que o cooperativismo é mais conservador e trabalha com educação financeira.

A sequência de altas não pode estimular as pessoas a investirem na busca de ganhos muito acima dos outros investimentos?

Essa alta do Ibovespa tem várias causas, internas e externas, e sofrerá diretamente o impacto do resultado do julgamento do ex-presidente Lula. O que notamos nos últimos meses é um Efeito Manada, que deve estar próximo do fim, com o retorno dos resultados a médias usuais [o Efeito Manada se relaciona ao comportamento humano nas negociações de ativos financeiros e está diretamente associado a períodos de maior volatilidade no mercado de ações. Nessas situações, o investidor decide imitar a decisão de investimento de outro agente, que considera melhor informado, deixando de acreditar em suas próprias conclusões]. Ou seja, não é mais o momento de entrar na Bolsa, principalmente quem não conhece seu funcionamento. O risco é muito grande.

A taxa de juros (Selic) baixa seria um estímulo à busca de ganhos rápidos e  elevados na Bolsa?

Isso depende. Os juros estão mais baixos, e o usual é em épocas de juros baixos, o crédito subir. Mas o crédito não está subindo na mesmo proporção. Nossa leitura é de que o consumidor está precisando sentir-se seguro, até em resposta à insegurança política do País. A Bolsa de Valores, para quem não está acostumado com a forma de operação, traz alto risco, naturalmente afastando muitas pessoas.

Essa pouca atração do consumidor pelo crédito, neste momento, pode ser resultado de educação financeira?

Só saberemos isso quando a indústria de bens de consumo e de veículos retomarem os investimentos. Este é um bom avaliador para ver como os consumidores vão se comportar. Em momentos de crise, a instituição cooperativa é mais atraente e, por isso, cresce mais que outros setores. Quando os recursos estão escassos, o consumidor usa muito da comparação, e aí o modelo cooperativo cresce pelas taxas de juros e de serviços que pratica, que são mais baixos comparativamente aos demais agentes do sistema financeiro nacional.

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