Experiência e isenção para aumentar a credibilidade

Publicado em: 10 janeiro - 2019

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A aposta da holding SicrediPar em um conselheiro independente foi uma estratégia para tornar as decisões de seu Conselho de Administração ainda mais seguras e fortalecer seu relacionamento com o mercado

Em novembro, a SicrediPar – Sicredi Participações S.A., holding que controla o Banco Cooperativo e coordena as decisões estratégicas do Sistema Sicredi, anunciou a contratação de Walter Oti Shinomata, conselheiro independente que passa a compor seu Conselho Administrativo. O objetivo foi fortalecer os principais pilares de governança e ampliar a capacidade de autocrítica. Segundo Manfred Alfonso Dasenbrock, presidente da SicrediPar e da Central Sicredi PR/SP/RJ e membro do Conselho Mundial das Cooperativas (Woccu), trata-se de um avanço que aumenta a pluralidade nas decisões e demonstra o amadurecimento da instituição. “Isso tudo reforça nossa credibilidade, que é gerada não só pelos nossos números, mas também pela robustez do processo de governança”, afirma. Em entrevista exclusiva à Revista MundoCoop, o executivo conta mais detalhes sobre essa decisão e a escolha de Shinomata – foram avaliados quase dez profissionais de alto nível –, que tem ampla experiência no mercado financeiro e atuação também no segmento de cooperativismo, para o exercício que vai até 2021.

O que significa, exatamente, ter um conselheiro independente no Conselho de Administração da SicrediPar? Como é, de fato, a ligação deste profissional com a instituição?

Walter Shinomata é um profissional com ampla experiência e reconhecimento no mercado financeiro assim como no cooperativismo. Acreditamos que sua nomeação ao cargo de conselheiro independente na composição do Conselho de Administração da SicrediPar, holding que controla as decisões estratégicas do Sistema, e do Banco Cooperativo Sicredi, representa um avanço que amplia a pluralidade nas decisões e demonstra a maturidade da nossa instituição. O Sicredi já é referência, inclusive internacional, dentro do cooperativismo de crédito e está dando agora mais um passo em sua trajetória de pioneirismo, exemplo que tende a ser seguido por outras instituições cooperativas. A atuação de Walter Shinomata vai ao encontro das melhores práticas corporativas. Com ele no Conselho, nosso modelo de processo decisório vai gerar uma visão ainda mais positiva do mercado sobre o Sicredi enquanto Sistema. A ligação dele com o Sicredi se dará no âmbito de sua participação nas deliberações do Conselho, sendo uma voz neutra nas reuniões e demais atividades do grupo. Além de trazer toda a experiência acumulada em décadas de atuação profissional, sua presença gera uma maior pluralidade, acrescentando uma visão a mais de mercado à composição do Conselho.

Como surgiu a decisão dessa incorporação de um conselheiro independente?

Foi uma decisão estudada e pautada nas melhores práticas do mercado. Não é uma decisão tomada de uma hora para a outra, mas sim algo que foi amplamente alinhado e acordado pelo grupo como um todo.

Há modelos assim, com conselheiro independente, em outros países? Ou o cooperativismo brasileiro é que passa a ser uma referência também por conta disso?

Essa é uma prática adotada em boa parte das grandes corporações, tanto nacionais como internacionais. No cooperativismo, de maneira geral, ainda não é algo que vemos como comum, e no ramo de cooperativismo de crédito, em específico, ao menos nos grandes sistemas, não temos conhecimento de outro conselho que tenha a presença de um conselheiro independente. Mas é importante ressaltar que as práticas de governança realizadas no cooperativismo de crédito brasileiro são realmente referência internacional, prova disso é o acordo de cooperação firmado recentemente entre Sicredi e a Federação de Cooperativas de Poupança e Crédito do Nepal (NEFSCUN) por intermédio do Conselho Mundial das Cooperativas de Crédito (WOCCU). Essa parceria tem como objetivos principais a troca de informações sobre legislação, conformidades regulamentares e relatórios, processamento de dados, estabilização e operações de apoio ao cooperativismo de crédito; desenvolvimento e o intercâmbio de melhores práticas com a Federação, para melhorar e expandir os serviços aos associados; e o fortalecimento financeiro e operacional da Federação.

 

“É importante ressaltar que as práticas de governança realizadas no cooperativismo de crédito brasileiro são realmente referência internacional”

 

Na prática, quais são as vantagens, os principais benefícios dessa inovação para a instituição?

As principais vantagens são, de forma direta, a colaboração que um profissional com a qualificação do Sr. Walter Shinomata agrega ao Conselho por meio de sua visão isenta e de todo o conhecimento que ele carrega e, de forma menos direta, o aumento da percepção de confiabilidade por parte das entidades e instituições para com o Sicredi.

Essa mudança influencia a credibilidade do Sicredi junto ao mercado e a seus cooperados?

Com certeza. A chegada do conselheiro Walter Shinomata fortalece os principais pilares de governança do Sicredi. É um acréscimo do ponto de vista do relacionamento com instituições e entidades, além de nos engrandecer com a inclusão de alguém que detém uma visão externa, o que acrescentará  valor e credibilidade ao Sicredi, tanto em relação ao mercado quanto aos próprios associados, já que a diversidade no Conselho trará uma capacidade maior de autocrítica que, no final das contas, nos ajudará a reforçar nossa transparência, o relacionamento e a atuação como instituição financeira cooperativa.

Como foi, até o momento, a receptividade do mercado em relação a essa decisão?

Não é algo que possamos medir com um efeito imediato, mas nas relações que temos com entidades regulatórias, setoriais e demais stakeholders já é possível perceber a boa recepção à notícia. Esse efeito benéfico tem um potencial de longo prazo ao analisarmos o relacionamento do Sicredi com entidades nacionais e internacionais.

E dentro da própria SicrediPar, como foi a reação para essa mudança?

Como foi uma decisão colegiada, democrática e consensual, a reação foi de uma recepção muito otimista e aberta com o novo membro do grupo. Todos estamos muito contentes e honrados pela chegada do Walter e ele já está sendo muito atuante, trazendo visões e opiniões muito produtivas e relevantes.

Há impacto na relação com os cooperados do Sicredi? Ou seja, o que muda nessa relação a partir dessa nova composição do conselho da SicrediPar?

Não é uma mudança que afete diretamente nos nossos associados, o benefício a eles é indireto a partir do prestígio ainda maior do Sicredi ao relacionar-se com o mercado de maneira geral e da expertise que ele traz para o nosso Conselho.

Houve a necessidade de alguma mudança ou adaptação estatutária para a inclusão deste novo conselheiro? Foi preciso fazer alguma adequação?

Desde a criação do Conselho de Administração da SicrediPar, em 2008, nosso estatuto já previa, além dos conselheiros internos, a presença de conselheiros que não tivessem uma outra função dentro do Sicredi. Sempre tivemos a presença de um conselheiro do Rabobank, que é externo ao Sicredi, mas tem uma relação de participação em nosso Banco Cooperativo e agora aumentamos essa diversidade com a chegada do Walter, o qual consideramos independente por efetivamente não ter nenhuma outra ligação profissional com o Sicredi, além da sua participação no Conselho.

De onde partiu a indicação do nome de Walter Oti Shinomata?

Esse é um ponto importante a ser ressaltado, pois o processo que levou ao convite foi todo conduzido de forma profissional e isenta, contando inclusive com o trabalho de um consultor externo especializado nesse tipo de profissional. Transcorreu cerca de um ano desde a decisão de trazermos um conselheiro independente, definição de perfil, até a escolha. Posso contar para vocês que foram analisados os nomes de quase uma dezena de profissionais, todos de altíssimo nível, antes da fazermos o convite ao Walter Shinomata.

Dentro do conselho, ele tem a mesma relevância que todos os outros conselheiros?

Ele tem as mesmas atribuições e responsabilidades dos demais integrantes do Conselho, a única diferença está no fato de não ter outra ligação com o Sicredi como dirigente de central ou cooperativa. Os demais conselheiros são os presidentes das nossas cinco centrais regionais e cinco representantes de cooperativas filiadas ao Sicredi, sendo um por central. Além deles, temos um representante do Rabobank, instituição financeira holandesa que é uma grande parceira em nossas atividades.



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