Gestão por competência leva em conta habilidades pessoais, alerta especialista

Publicado em: 10 maio - 2018

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Luana Nodari, psicóloga com especialidade em Técnicas Cognitivas Comportamentais, pela Universitat Autònoma de Barcelona, que atua em Gestão de Pessoas, nesta entrevista fala sobre gestão por competência, modelo gestão cada vez mais aplicado no ambiente corporativo, que se baseia em Conhecimento, Habilidade e a Atitude, avaliando pessoas conforme competência para a função, levando-se também em conta as habilidades pessoais.

Confira!

Quais seriam as causas do crescimento da Gestão por Competência?

Existem mais pessoas formadas segundo o último levantamento realizado pelo IBGE com aumento de 4,4% para 7,9%. Os estados com maior concentração de diplomas são Distrito Federal, São Paulo e Rio de Janeiro. Em contrapartida, de acordo com a pesquisa da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) o Brasil é o 3º país com maior carência de trabalhadores qualificados, ficando atrás da Índia e Japão. Além disso, há um aumento da população brasileira com diploma, mas diante das transformações constantes geradas pelo mundo digital e globalizado, o recrutamento de funcionários também vai exigir mudanças.

Quando se fala em gestão por competência, a sigla C.H.A. é muito citada. Como essa sigla contribui na gestão de talentos?  

A sigla (C.H.A) ganha destaque, pois auxilia de forma precisa nas contratações. A letra (C) inclui Conhecimento, (H) Habilidades, (A) Atitudes. Todo o Conhecimento em avaliação será a partir da experiência acadêmica e teórica. A Habilidade inclui o conhecimento em prática, tal como o domínio das ferramentas de trabalho. Já a Atitude são as características pessoais do entrevistado, comportamento humano e experiências que moldam a forma de agir.

Como é possível identificar essas características?

Os testes psicológicos são muito úteis para identificar as características do entrevistado e confirmar as competências e se unem à avaliação C.H.A. É comum empresas deixarem de lado os testes psicológicos e partirem para as entrevistas com teor totalmente pessoal.Este é um erro frequente durante a contratação, pois avalia-se simpatia e habilidade para comunicar sobre o trabalho, excluindo as capacidades práticas levantadas pelo C.H.A.

Quando se leva em conta essa metodologia, os funcionários precisam “combinar” com a empresa?

Hoje, a empresa hoje possui uma identidade (persona) e busca essas características também nos funcionários. O Google é um exemplo quando falamos sobre a criatividade em gestão de pessoas, dinamismo, descontração e flexibilidade. Além de atender as necessidades para execução de determinadas tarefas, o empregado – independentemente do cargo – precisa se enquadrar no perfil corporativo. Pode ocorrer do entrevistado não se enquadrar para o perfil da vaga, mas possuir habilidades pessoais e técnicas que se encaixam com outras necessidades da empresa. É possível nesse caso, oferecer oportunidade em outra função.

Características como pessoal ou racional podem ser unidas na hora da contratação?

Quando falamos em gestão de talentos e gestão por competências, é preciso equilibrar os aspectos da personalidade do entrevistado junto às habilidades e competências. É essencial que o entrevistador saiba relacionar de forma lógica os resultados obtidos nos testes e as informações apresentadas na entrevista para entender em qual atividade a pessoa se sairia melhor. O tripé Conhecimento, Habilidade e Atitude avalia o candidato conforme sua competência para a função, o que não exclui as habilidades pessoais tão valorizadas e necessárias no ambiente corporativo. Atualmente o profissional autêntico, pró-ativo e capaz de apontar os resultados alcançados de forma clara ganha destaque. Quem não se mostra, não é visto.

É possível treinar para desenvolver competências?

A gestão por competência vai exigir investimento de tempo e atenção da equipe de Recursos Humanos. O grupo de treinamento auxilia no desenvolvimento das competências pessoais e profissionais com foco na produtividade, criação e resultados. Definir as competências em cada empregado é essencial para construção de toda a empresa. Lembre-se que a equipe é a marca, registro e serviço oferecido. Treinar é investir, sempre!



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