TOP COOPERS: Ir mais longe para estar mais perto

Publicado em: 10 dezembro - 2019

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Manfred Dasenbrock defende investimentos em estrutura e tecnologia para que a instituição financeira cooperativa possa estar presente na vida do associado e consciente sobre suas necessidades

Com uma adesão que ultrapassa 274 milhões associados no mundo todo, o cooperativismo de crédito é um forte representante do movimento, que vem crescendo, ocupando e transformando globalmente as mais diversas comunidades e realidades.

Em território nacional, os números não são diferentes. Totalizando 9,8 milhões de cooperados, as cooperativas de crédito ocupam fortemente todo o país e em 594 municípios brasileiros são as únicas instituições financeiras que possuem sede ou posto de atendimento. Além disso, vem ganhando destaque no sistema financeiro e influenciando positivamente na economia do país.

E, pensando nesse cenário, a MundoCoop apresenta o TOP COOPERS – Cooperativas de Crédito, uma série especial, e exclusiva, de entrevistas com os presidentes das principais cooperativas de crédito do Brasil sobre o panorama atual do setor, suas principais tendências e mudanças e, principalmente, o que esperar do futuro!

Superando a marca de quatro milhões de associados, o Sicredi está presente em todas as regiões do Brasil. Suas 112 cooperativas de crédito filiadas atuam em mais de 1300 municípios, sendo que, em pelo menos 200 deles, é a única instituição financeira. E seus planos de expansão continuam. Só até o primeiro semestre deste ano, o Sicredi inaugurou mais de 70 agências. Estratégia considerada fundamental para aproximar associado, comunidade e cooperativa.

Para inaugurar esse especial, a MundoCoop ouviu Manfred Dasenbrock, presidente da Central Sicredi PR, RJ, SP, sobre as ações realizadas neste ano pela instituição, e suas perspectivas para 2020. Dasenbrock indica que a sinalização da proposição de novas alterações na Lei complementar 130/09 – que trata do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo, estimuladas pela Agenda BC#, do Banco Central – aplica uma injeção de ânimo no setor de cooperativismo de crédito. De olho no futuro, a instituição, afirma o presidente, investe em pessoas e ações voltadas à sustentabilidade, com foco em atender os anseios dos associados e também cumprir seu papel social.

Confira!

Qual sua avaliação sobre o setor de cooperativas de crédito em 2019, destacadamente a partir das alterações político-econômicas que estamos vivendo desde o início do ano?

O cooperativismo de crédito, durante o período recessivo do país (desde 2014), não se distanciou do seu ideal, nem do associado, por isso manteve seu crescimento. Hoje, o país vive um período de esperança, e se estabeleceu uma nova relação, especialmente com o Banco Central do Brasil. O presidente Roberto Campos Neto, logo no início do ano, chamou as cooperativas de crédito para uma conversa sobre a Agenda BC#. Isso por si só destravou questões e gerou oportunidades ao setor. Estão em construção alterações da Lei Complementar 130/09, com vários itens que nos são favoráveis e melhorias que serão debatidas no Congresso e tendem a gerar novas oportunidades.

Também vimos procura por crédito, ampliação da base de associados e de depósitos. Acreditamos que essa relação saudável vem de encontro com a construção da confiança diária, necessária no setor financeiro, especialmente por sermos cooperativa, cuja administração é aberta e ampla, e coloca o associado no centro, tudo gira em torno das suas necessidades. Por isso, o Sicredi está visando o planejamento dos próximos dez anos de forma que a estratégia conduza as ações e iniciativas, e contando com a assertiva de governo, para que mantenha essa esperança que estamos vivendo.

O que podemos esperar do setor de cooperativas de crédito, e em particular do Sicredi para 2020? Quais os desafios a vencer?

Nossa certeza é de que o Sicredi, cada vez mais, coloca o associado no centro das questões, com planejamento, recursos humanos, projetos e toda a estrutura voltada ao propósito de buscar a satisfação do associado, para que ele continue indicando pessoas para vir a ser sócio também. Essas boas experiências ajudam em nosso crescimento.

O desafio que temos constantemente é preparar esses recursos humanos para manter o diferencial cooperativo, para que tanto relacionamentos quanto aspectos da governança cooperativa continuem sendo fortes e não nos distanciemos do ideal dos fundadores. Isso para nós é desafiador, mas exequível. É uma caminhada diária, constante, preservando nossos valores, cumprindo nossa missão e construindo nossa visão. Isso é importante para o próximo ano.

É possível apontar oportunidades abertas para o setor?

Nessa construção da relação com o Banco Central, estamos vendo várias oportunidades abertas na modalidade de cooperativas clássicas e plenas, em ser uma cooperativa aberta para todos os públicos, assim como no campo dos negócios também, de construção da estrutura patrimonial, capacidade de alavancagem. No setor de crédito também há oportunidades.

O agro, que é onde o Sicredi tem sua história construída, há continuidade de propostas, tendo em vista que o crédito rural, com juro baixo e inflação sob controle, modifica ações e oferece oportunidade para novos produtos surgirem. Também nos investimentos de longo prazo há tendência de se manter a construção dos recursos, tanto da poupança, quanto do BNDES. Nunca vimos o país, na contemporaneidade, com inflação e taxa de juros tão baixas, isso impacta de forma positiva nossos associados.

Além de oportunidade de ampliação da nossa rede, de relacionamentos e de mostrar à sociedade, cada vez mais, que para uma cooperativa o associado é muito importante em toda a sua jornada, temos o desafio de atrair os jovens, e mantê-los associados, de nos mantermos sempre atuais, trabalhar a inclusão e a diversidade.

Já convivemos com inteligência artificial, internet das coisas… De que maneira as transformações digitais contribuem e/ou desafiam o cooperativismo de crédito?

Elegemos isso como uma de nossas prioridades: ser moderno. Vemos a convivência do físico com o digital, que a gente chama de ‘fisital’, de forma harmônica. O digital tem evolução constante e as pessoas vão usar cada vez mais esses instrumentos para se relacionar. Procuramos, nesse contexto, nos aproximar de startups, fintechs, investir em jovens nas frentes de trabalho, ter esses visionários junto conosco, para que essa força possa atender a necessidade do associado. O Sicredi, com mais de 100 cooperativas, 25 mil colaboradores, 4 milhões de associados, precisa que todos estejam na mesma página. Por isso, estamos focados em atualização constante, investimos também em métricas, para poder avaliar e avançar de forma responsável.

Apesar de grande parte das operações diárias serem feitas a distância, de forma digital, as cooperativas de crédito têm expandido suas agências físicas, não só nos pequenos, mas também em grandes municípios, na contramão dos bancos. Essa tendência deve permanecer? O que a Sicredi planeja nesse sentido para os próximos anos?

Estamos presentes com quase 1800 agências em cerca de 1300 municípios. Diante disso, temos ainda grandes oportunidades em relação à formação da rede. Apesar da digitalização, que permite formas de atendimento com menos estruturas físicas, no modelo cooperativo de atendimento, o relacionamento é fundamental. Entendemos que, para criar esse vínculo, é necessário ter proximidade com estrutura física, uma vez que o sócio participa ativamente da vida da cooperativa. Usamos a tecnologia como apoio, é um misto saudável. Então, é uma tendência, ao menos para os próximos anos, de manter essa presença mais próxima ao associado e à comunidade. Não só a presença física da agência, mas a presença do Sicredi na comunidade, com sua forma de conversar com o associado, de ouvi-lo, conhecer sua realidade, engajar jovens, mulheres, proporcionar inclusão, sustentabilidade, conectados com os princípios que se sustentam há mais de 150 anos. Nessa perspectiva, estamos otimistas com a jornada de crescimento, é nesse contexto que temos que seguir.

Na atuação da cooperativa, o que mais vale destacar?

Estamos olhando para o futuro, e procuramos estar conectados com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da ONU, o Pacto Global, que estamos assinando como participantes. Essa causa é fundamental para a sustentabilidade no nosso empreendimento. Estamos conectados, nessa visão global, também com o acordo da Basileia, além de todo um conjunto normativo, por exemplo, de combate à corrupção, lavagem de dinheiro e terrorismo. São equações desafiadoras e novas que fazem parte do nosso movimento e precisam ser tratadas para melhoria do contexto social.


Por Nara Chiquetti – Redação MundoCoop

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