O futuro é a essência do cooperativismo

Publicado em: 01 outubro - 2019

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Que a sociedade avança de forma cada vez mais ágil nós já sabemos, mas como que esses avanços e mudanças interferem no universo cooperativista? Sendo um movimento que nos contempla com valores nobres, dentro dos 7 princípios cooperativistas, o ramo vem se expandindo cada vez mais e se torna necessário falar sobre essa vertente que se permanece firme e forte desde sua criação.

Pensando nisso, a MundoCooop conversou, com exclusividade, com o presidente da Cooperativa Agroindustrial – Coplana, José Antonio de Souza Rossato Junior para esclarecer essas questões a respeito do presente e futuro do cooperativismo.

Confira!

O que é o cooperativismo para você?

O cooperativismo é um modelo de desenvolvimento das pessoas através de uma atividade econômica comum, de forma equitativa e sustentável.

Como você acha que as transformações do mundo, principalmente as tecnológicas, estão afetando o cooperativismo?

As transformações no mundo tem se intensificado diante da revolução tecnológica 4.0, a qual envolve a digitalização dos dados e a inteligência cognitiva. Todas as atividades econômicas já estão tendo impactos. Basta imaginarmos tarefas que são feitas de forma manual, em planilhas ou em sistemas e perceber que há uma nova ferramenta capaz de executar estas mesmas tarefas, porém com maior celeridade e assertividade. Ainda, com a capacidade de aprender com a própria execução, de forma artificial, e desta forma, ajustar o modelo que estava sendo proposto anteriormente. Todos os ramos do cooperativismo lidam com dados e tem nestas transformações uma grande oportunidade de aperfeiçoar o relacionamento com os seus stakeholders (cooperados, colaboradores, fornecedores, sociedade e ambiente), escolher melhor suas estratégias e aperfeiçoar sua governança e gestão.

Quais os principais fatores que garantem a consolidação e sucesso de uma cooperativa?

Pessoas. São as pessoas que fazem a diferença em uma cooperativa. Estas pessoas, sob boas práticas de governança, gestão profissionalizada e cultura organizacional com valores são fundamentais para o sucesso em uma cooperativa.

Em sua visão, qual a principal característica do cooperativismo que se mantém apesar das mudanças do decorrer dos anos?

A forma justa e equilibrada com que o modelo cooperativista envolve as pessoas é o que o mantém de forma perene. A história tem mostrado que o sistema capitalista tem algumas desvantagens, enquanto que o socialismo só trouxe desvantagens e não se sustentou no longo prazo. Alguns autores intitulam o capitalismo moderno de consciente. Contudo, quando você estuda sobre este “capitalismo consciente”, percebe que o mesmo tem grande aderência ao cooperativismo na sua essência: geração de riqueza e externalidades positivas a todos os interessados (stakeholders). O cooperativismo tem se transformado em uma terceira via ao longo da história, de forma justa, sob gestão profissionalizada e alto padrão de governança.

Qual é o diferencial do cooperativismo brasileiro hoje? O que falta para o movimento crescer ainda mais em território nacional?

O dinamismo do cooperativismo brasileiro impressiona. Contudo, é notória a nossa falta de comunicação com a sociedade. Uma faixa expressiva da população, independentemente do nível de escolaridade, desconhece o que é uma cooperativa. Vamos muito bem na comunicação endógena, no próprio Sistema, mas há uma lacuna enorme em nossa relação com a sociedade. As pessoas só gostam, participam e valorizam, daquilo que conhecem. Uma boa comunicação com a sociedade é o pontapé inicial para ganhar novos cooperados e fortalecer as cooperativas. 

Como você enxerga o futuro do cooperativismo?

Enxergo com positivismo o cooperativismo no futuro. Enquanto houver pessoas, com objetivos em comum e valores, há espaço para o modelo cooperativista. 


Por Fernanda Ricardi – Redação MundoCoop



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