O poder da cooperação para superar a crise

Publicado em: 14 maio - 2020

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A pandemia do coronavírus trouxe um cenário de incertezas e instabilidade para o mundo. E nessa nova realidade, o cooperativismo precisou se reinventar com as tecnologias e se redescobrir para enfrentar os desafios que estão sendo impostos a todos os setores e ramos do Brasil.

Tendo um papel fundamental nas estruturas das cooperativas de cada estado, as OCEs vem colocando em prática ações e medidas que possam minimizar os impactos e fazer com que o movimento se sobressaia e se desenvolva, mesmo em meio a crise.

Em entrevista exclusiva à MundoCoop, o Presidente do Sistema Ocemg, Ronaldo Scucato, nos elucida sobre as principais preocupações nesses tempos de Covid-19, quais ações a Ocemg está tomando para auxiliar as cooperativas e o estado de Minas Gerais, a importância da comunicação e da intercooperação e as perspectivas de futuro do setor cooperativista no futuro pós-pandêmico!

Confira a entrevista na íntegra!

De que forma a pandemia de coronavírus tem afetado o setor cooperativo no Estado, quais os impactos até agora? E que ações a Ocemg tem colocado em prática para auxiliar as cooperativas e cooperados neste momento?

O cenário atual dinamizou ainda mais a forma de trabalho das cooperativas para que os serviços não parem. Hoje, mais do que nunca as cooperativas são essenciais para o fortalecimento da economia, porém, os impactos virão em diferentes proporções para todos, e isso só conseguiremos avaliar melhor futuramente. O Sistema Ocemg, tem acompanhado de forma sistemática todas as tramitações junto aos órgãos necessários, e trabalhado para que as cooperativas estejam sempre atualizadas, além de orientar sobre as medidas provisórias, AGO’s, entre outros assuntos. Enquanto não podemos retomar nossas atividades presenciais, iniciamos um projeto de educação inovador, por meio de Webinars, para discutir os principais temas de interesse das cooperativas por videoconferência – uma experiência que deu muito certo e que acontecerá diariamente a partir do dia 13 de abril. Estamos produzindo conteúdos especializados por ramo para as cooperativas e fazendo todo o possível para sairmos dessa pandemia fortalecidos.

Quais têm sido as principais preocupações da Ocemg neste momento de pandemia e consequente insegurança econômica?

Nossa principal preocupação é com a saúde das pessoas, de nossos colaboradores, cooperados, dirigentes. Por isso, estamos seguindo as orientações da Organização Mundial de Saúde e demais órgãos de controle. O isolamento social é a medida mais eficiente até o momento, então, estamos trabalhando em regime Home Office e orientamos as cooperativas de serviços não essenciais nesse sentido também. Estamos em um período de incertezas, mas continuaremos a liderar com excelência e transparência, para manter a confiança do setor e da sociedade, amenizando a apreensão relacionada ao futuro, que certamente confirmará, novamente, como as cooperativas sobressaem aos tempos de crise, especialmente no que tange à manutenção de empregos e desenvolvimento econômico.

A Organização, assim como a OCB, tem buscado diálogo com governos estadual e federal. As respostas por parte dos governos à pandemia e ao setor cooperativo tem sido satisfatória? Que análises realizam?

Para mitigar a atual crise, o Sistema OCB e suas Unidades Estaduais tem sido incansáveis em cobrar e acompanhar medidas que auxiliem tanto cooperativas, quanto a sociedade como um todo, mas apesar da urgência do momento, temos que ter clareza que as coisas não acontecem na mesma proporção dos nossos anseios. Contudo, já estamos vendo alguns resultados, como as recentes medidas aprovadas pelo governo como aprovação da MP do Agro (MPV 897/2019) – que trata do estímulo ao financiamento privado na atividade agropecuária, as linhas de crédito aprovadas que podem beneficiar as cooperativas e auxiliar na manutenção dos empregos gerados pelo segmento, o programa emergencial de suporte a empregos já anunciado pelo Banco Central, flexibilização das regras pela ANTT, sanção da Lei 13.987/2020 que garante a distribuição de alimentos para os alunos beneficiados pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), entre tantas outras iniciativas, em um esforço conjunto para garantir a sustentabilidade econômica.

O cooperativismo historicamente demonstra não só se manter como também ser capaz de se desenvolver em momentos de crise. Como a Organização contribui e/ou orienta para que as cooperativas se planejem, trabalhem agendas positivas, para que estejam preparadas estrategicamente para dar continuidade ao seu desenvolvimento pós-pandemia?

O nosso trabalho continua sendo realizado de maneira alinhada aos valores e princípios cooperativistas, com transparência, empatia e intercooperação. Estamos nos reinventando e buscando ferramentas mais eficazes para garantir que possamos nos manter sólidos neste momento que é de aprendizado e reinvenção para todos. As cooperativas são autônomas em suas ações e elas estão trabalhando neste período com planejamento e segurança. O Sistema Ocemg, mesmo remotamente, segue auxiliando as cooperativas, buscando soluções alternativas para o monitoramento e desenvolvimento de cooperativas. Desde o dia 8 de abril estamos realizando uma série de webinars para discutir as principais temáticas que afetam as cooperativas e a sociedade. O futuro pós-pandemia depende muito de como estamos encarando este momento, e vejo o cooperativismo atuante, mantendo-se firme e mais do que nunca operante.

A intercooperação pode ser uma opção eficiente para que as cooperativas sigam promovendo o desenvolvimento dos setores e das regiões em que atuam?

A intercooperação faz parte do nosso DNA. Quem é cooperativista por essência é intercooperativo. Mais do que nunca as cooperativas tem atuado dessa maneira, trabalhando juntas em prol de um desafio comum, demonstrando a sua eficiência para superar as dificuldades.   

Diante das instabilidades econômicas, como avalia a importância das cooperativas de crédito para a manutenção dos empreendimentos e consequentemente de muitos postos de trabalho? De que forma o cooperativismo financeiro pode auxiliar, principalmente os pequenos negócios e o agronegócio, a atravessar esse período de recessão que se apresenta?

O ramo crédito tem confirmado ainda mais proximidade, mesmo que em meio digital, colocando à disposição dos cooperados soluções e serviços para amenizar os problemas diante do cenário atual. Especialistas confirmam um cenário futuro de recessão econômica sem precedentes que pode resultar em oportunidades para as cooperativas de créditos que estiverem atentas a essa nova realidade. A tendência do sistema financeiro é fomentar a desburocratização na concessão de crédito e o acesso a taxas de juros atrativas, na tentativa de contribuir na reconstrução dos negócios, geração de empregos e auxílio a famílias na busca pelo equilíbrio financeiro. As cooperativas de crédito vão precisar aumentar sua eficiência e sua presença em função da tendência de maior demanda por operações de crédito desburocratizadas, flexíveis e ágeis, principalmente para pessoas físicas de baixa renda, micro e pequenas empresas. A busca por novos cooperados e novos nichos também pode se tornar um posicionamento estratégico, e tudo dependerá de um planejamento eficaz.

As cooperativas de setores essenciais como transporte, saúde, agropecuárias e suas agroindústrias, por exemplo, têm recebido ações específicas para a continuidade de seus trabalhos? O que destacaria dentre as ações que estão sendo realizadas por essas cooperativas? E como têm sido a orientação estratégia da Ocemg para a manutenção e organização desses setores?

Os sete ramos do cooperativismo, cada um a sua maneira, vem trabalhando com o mesmo ideal, superar esse momento difícil. Como já disse, os webinars realizados pelo Sistema Ocemg, vem buscando orientar e informar cooperados, dirigentes e funcionários de cada ramo, respondendo aos seu principais questionamentos e trazendo dados que possam auxiliar no planejamento de ações, e no mapeamento de possíveis soluções. Precisamos manter a produção e serviços, é claro que dentro das normas e diretrizes estabelecidas pela OMS e demais órgãos de controle. Mais do que nunca temos visto os ramos engajados e operantes. As cooperativas de saúde confirmam uma atuação precisa e incansável de cuidados com a sociedade, com a dedicação dos médicos e demais profissionais que estão na linha de frente, tanto no combate, quanto na prevenção à doença. Os ramos agropecuário e transporte não deixam que a produção pare ou fique sem escoamento, garantindo o alimento na mesa dos brasileiros. O ramo crédito tem confirmado ainda mais proximidade, mesmo que em meio digital, colocando à disposição dos cooperados soluções para amenizar os problemas diante do cenário atual. A nossa principal recomendação é cuidem da saúde. A ação estratégica é orientar sem perder o rumo, pois estamos à frente de negócios que geram empregos e movimentam a economia.

Ter acesso a informações corretas e manter uma comunicação clara é importante para se pensar ações e estratégias assertivas. Como tem sido trabalhada a comunicação com e entre as cooperativas no Estado, e com a sociedade?

Nacionalmente a nossa comunicação vem sendo efetiva e assertiva, as gerências de comunicação de todas as Unidades Estaduais estão trabalhando de forma intercooperativa para que as informações estejam bem alinhadas e cheguem às cooperativas sem ruídos. Em Minas, ampliamos a divulgação por meio de boletins institucionais e técnicos, estamos nas redes sociais, e tudo tem sido apurado e produzido de forma ágil, pois, a todo tempo tem informações novas e precisamos manter as cooperativas atualizadas.

Uma das formas de se enxergar a pandemia é sob a ótica de que é preciso união para vencer os desafios. Vemos desde pessoas compartilhando localmente conhecimento, tempo, produtos… até mesmo cooperações entre países. Como a Organização avalia toda essa transformação causada pela pandemia, é uma oportunidade de nos reinventarmos socialmente e valorizarmos ainda mais o cooperativismo? Poderíamos dizer que o futuro depende da cooperação?

Todos os dias é sempre o momento exato para exercemos a cooperação.  Vejo que o altruísmo da humanidade foi colocado à prova diante da pandemia do Covid-19. O isolamento social alterou não apenas nossa rotina, mas nossas relações de trabalho, a economia e até as estratégias mundiais, um período que, de fato, nos convida para a união. No cooperativismo seguimos unidos e atuantes, confirmando que juntos somos mais fortes e que juntos vamos superar essa pandemia.  

Que grandes lições podemos tirar de todo esse momento de crise causado pela pandemia? E de que forma cooperativas e seus cooperados poderiam estruturar seus planejamentos e estratégias, a partir de toda essa vivência, para que estejam ainda mais preparados caso ocorram outros eventos desse porte futuramente?

Hoje vemos, diante desta pandemia, o efeito borboleta, o bater das asas em uma parte do mundo que influenciou o curso natural das coisas, e isto nos mostra que estamos conectados, que ninguém vive sozinho, e essa é uma grande lição, e a maior delas tem sido a união o trabalho coletivo para superar este momento.


Por Nara Chiquetti – Redação MundoCoop



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