O segredo para o futuro está no desenvolvimento brasileiro

Publicado em: 12 junho - 2019

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Perpétuo Socorro Cajazeiras, Presidente da ABDE

Completando 50 anos de atuação em prol do desenvolvimento do Brasil, a Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), elegeu Perpétuo Socorro Cajazeiras, que ocupa a diretoria de planejamento do Banco do Nordeste (BNB) desde 2016, como novo presidente para o mandato que corresponde ao biênio 2019-21.

Junto dos vice-presidentes Sérgio Gusmão Suchodolski, do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), e Ênio Ferreira, do Banco do Brasil, Perpétuo assumiu a presidência da entidade no dia 30 de maio e, em entrevista exclusiva para a MundoCoop, falou um pouco do panorama atual do país e as perspectivas para o futuro.

Confira!

Qual é a atuação da ABDE no Brasil e o foco da Associação nos próximos anos?

A ABDE, por meio das Instituições Financeiras de Desenvolvimento – IFDs, em que os bancos cooperativos fazem parte deste rol de instituições, além da Finep e do Sebrae, busca, em essência, catalisar o processo de desenvolvimento econômico, e especialmente, tem como objetivo a redução das desigualdades regionais e interregionais.

Neste sentido, a ABDE, conhecedora das diferenças socioeconômicas existentes no Brasil, em que se observam “mosaicos de desenvolvimento”, diferenciados a partir da dinâmica do ambiente de negócios, bem como das condições sociais, visa atuar em múltiplas escalas, de forma que desde a orientação à agências de fomento de pequeno porte nos locais mais longínquos até a contribuição para a estruturação de grandes empreendimentos.

Para os próximos anos, o foco de atuação será a busca pela maior eficiência e produtividade, sobretudo, pelo estímulo as instituições associadas no processo de inovação tecnológica dos produtos e serviços voltados ao desenvolvimento. Adicionalmente, estratégias e ações para prover maior sinergia entre as Instituições de Desenvolvimento será força-motriz da atuação da nova diretoria nos próximos anos.

Quais as maiores dificuldades que o Brasil ainda enfrenta para se desenvolver economicamente?

Os desafios para promover o desenvolvimento econômico perpassam por diferentes aspectos socioeconômicos. Embora artigos da nossa constituição abordem a necessidade de redução da desigualdade regional, até agora, não se conseguiu enfrenta-la de maneira consistente, pois ainda é imperativo a promoção de um desenvolvimento mais equilibrado entre as regiões. Apesar de a economia brasileira figurar entre os PIB´s de maior relevância no cenário global, as regiões Norte e Nordeste possuem apenas 5,4% e 14,3% de participação da renda nacional, respectivamente, enquanto que o Sudeste registra 53,2%, o que se denota forte concentração econômica, e que a reversão deste quadro requer, necessariamente, da aceleração econômica das áreas mais deprimidas. Para isto, o crescimento econômico é premissa fundamental para o alcance deste objetivo.

Além do contexto econômico, são necessárias outras ações importantes, como por exemplo, enfrentar o analfabetismo, pois infelizmente ainda é considerável, e evoluir nos processos educacionais, notadamente em razão das novas tecnologias e do perfil das novas gerações, para assim “entregar” profissionais ao mercado ainda mais produtivos. Outra questão importante, o saneamento básico, que influi diretamente na saúde, também se reveste de elevada importância no processo de desenvolvimento econômico brasileiro. Enfim, tudo isso desencadeia em desafios para promover o desenvolvimento, contudo, não tenho dúvidas da nossa capacidade de superar as dificuldades, e assim, é nosso dever, todos os dias, construir um país melhor, promovendo o bem-estar da população e com oportunidades para todos.

O uso da tecnologia tem adentrado cada vez mais todos os setores da sociedade. Quais são as maiores tendências das instituições financeiras em relação a isso?

O avanço tecnológico é inerente ao processo de desenvolvimento econômico, na medida em que permite inovações em produtos e processos de forma célere, redução de custos, elevação dos resultados empresariais (receitas, lucros, fluxo de caixa, etc.), ampliação do raio de atuação dos empreendedores, especialmente quando estes possuem a chamada escalabilidade, termo associado a negócio que pode multiplicar sua renda sem ter que aumentar seus custos na mesma proporção.

Neste campo tecnológico, associado ao segmento financeiro, as chamadas de fintechs, avançaram de forma significativa nos últimos anos, de maneira que o cenário impõe aos players do segmento financeiro a adoção de novas tecnologias em seus produtos e serviços. Dessa forma, uma das estratégias da ABDE, nos próximos dois anos, é suprir os associados de consciência tecnológica mais avançada, visando “ganhar terreno” no campo concorrencial, mas também, e principalmente, atuar no desenvolvimento econômico de forma ainda mais efetiva, ágil e assertiva nas necessidades da sociedade brasileira.

Como o modelo cooperativista, que vem crescendo no Brasil, contribui para o desenvolvimento econômico sustentável do país?

Sem dúvida, a união dos produtores na forma de cooperativa, e, sobretudo na seara do crédito, interfere positivamente na conformação do desenvolvimento econômico sustentável do país. Ademais, vale ressaltar, quando se tem cooperativa e cooperados eficientes, resultam em ganhos de produtividade que impactam diretamente no desenvolvimento local e territorial, e promovem, também, externalidades econômicas positivas, na medida em que, por exemplo, aceleram o fluxo de bens e serviços, e elevam a capacidade de geração de empregos em diversas atividades econômicas a montante e a jusante da sua área de atuação.

Qual a importância de estimular a reflexão sobre o desenvolvimento e o fomento na economia brasileira?

Nos últimos dias, o Governo Federal editou decreto da nova PNDR, e no nível regional, lançou o Plano Regional de Desenvolvimento Regional do Nordeste – PRDNE, de maneira que se observam diversos espectros e “drivers” de desenvolvimento possíveis nestes documentos, mas que convergem para o objetivo comum, que é prover um ambiente econômico mais dinâmico e que possam repercutir no bem-estar das famílias brasileiras.

Os atores do desenvolvimento econômico brasileiro, devem atuar no ambiente local e territorial, estruturando as cadeias produtivas, de maneira que as IFD´s devem utilizar-se de sua maestria, no intuito de conseguir eficácia e produtividade ainda maiores.

Na ótica da estruturação das Cadeias produtivas, sabe-se que atualmente o Brasil é o maior produtor de alimentos do mundo, contudo, é forçoso reconhecer que a figura do atravessador, em grande medida, impacta a margem de lucratividade dos produtores, fazendo com que a estruturação de canais de comercialização “saudáveis economicamente” é necessária como forma de promover um desenvolvimento mais atrativo para o setor produtivo. Este é apenas um dos pontos de reflexão do desenvolvimento econômico a ser visitado e discutido, com o objetivo de propor soluções para um ambiente econômico mais promissor.


Por Fernanda Ricardi – Redação MundoCoop



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