Brasil no caminho certo com apoio do cooperativismo


Especial


“O Brasil caminha no rumo certo para fornecer alimentos para o mundo”, garantiu Alan Bojanic, representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) no Brasil, no Vision 2050, primeiro painel do Diálogo: Desafio 2050 e Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, promovido em 30 de novembro, na cidade de São Paulo.

Bojanic aproveitou a oportunidade para atualizar as estimativas. Segundo ele, os mais recentes estudos da ONU indicam que a população mundial deverá atingir a marca de 9,8 bilhões pessoas em 2050, estabilizando-se apenas em 2100, quando deverá atingir 11,2 bilhões. “Dessa forma, o volume total de alimentos a ser produzido no mundo deverá crescer em 70%, alcançando a marca de 2,6 bilhões de toneladas de grãos. Desse total, 8% deverá ser fornecido pelo Brasil”, informou, colocando como principais desafios “o caminho para “alimentar a África, devido à instabilidade política, e a recuperação dos solos, pois 1/3 das terras do mundo estão degradados”.

Alan Bojanic – Repres. no Brasil da ONU para a Alimentação e a Agricultura – FAO (foto: Gerardo Lazzari)

Do mesmo painel, participou Carla Branco, diretora de Relações Institucionais do Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), destacou as ações voltadas para a sustentabilidade que a ong tem colocado em prática no Brasil dentro da agenda dos “Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”. “Todas as iniciativas são na direção de uma agricultura mais sustentável, com redução de resíduos no solo e também do desperdício de alimentos”, comentou Carla.

Carla Branco – Relações Institucionais do Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável – CEBDS (foto: Gerardo Lazzari)

Momentos depois, o representante da FAO, no painel Desafios, enfocou o aspecto do desperdício, outro gargalo quando o assunto são os ODS e a fome no mundo. Temos como meta, até 2030, reduzir pela metade as perdas e desperdícios de alimentos no mundo, que atualmente estão na marca de 1,3 bilhão de toneladas, o que daria para alimentar aproximadamente 795 milhões de pessoas que são desnutridas”, ponderou.

Luiz Lourenço – Presidente Cocamar Cooperativa Agroindustrial (foto: Gerardo Lazzari)

Ao lado de Bojanic esteve Luiz Lourenço, presidente da Cocamar Cooperativa Agroindustrial, de Maringá (PR), discorrendo sobre a contribuição do cooperativismo brasileiro para o Desafio 2050. O tema central de sua apresentação envolveu os resultados obtidos pela cooperativa em dois projetos de Integração Lavoura, Pecuária, Floresta (ILPF) que recuperaram áreas degradadas: Fazenda Alvorada, em Cruzeiro do Oeste (PR), e Santa Brígida, em Ipameri (GO). Estimando que o Brasil possua cerca de 50 milhões de hectares de áreas que podem ser recuperadas para o plantio, frisou que “há exemplos de pecuaristas no interior do Paraná que conseguiram ampliar em até três vezes a produtividade do gado de corte apenas com práticas de recuperação de áreas degradadas”.

Lourenço aproveitou a oportunidade para apresentar o cooperativismo paranaense aos presentes e ressaltar 10 benefícios de uma instituição cooperativa do Ramo Agro:

  1. Organiza a produção, oferece insumos e assistência técnica agropecuária;
  2. Transfere conhecimento e tecnologia;
  3. Oferece assessoria comercial e estabelece parâmetro de mercado;
  4. Disponibiliza infraestrutura localizada estrategicamente, durante o ano inteiro;
  5. Armazena e comercializa a produção com absoluta segurança;
  6. Agrega valores e estabiliza preços agrícolas via industrialização;
  7. Busca permanentemente a viabilização econômica dos cooperados e da região;
  8. Representa politicamente os produtores;
  9. Exerce suas atividades com responsabilidade social; e
  10. Retorna os resultados que permanecem na região.

Mitos e Fatos

Caio Carbonari – Professor Doutor UNESP – Campus Botucatu (foto: Gerardo Lazzari)

Estudo que relaciona o consumo total de defensivos agrícolas utilizados nas lavouras brasileiras com a área onde eles são aplicados desmonta o mito de que o Brasil é líder no uso desse insumo e o coloca na sétima posição, atrás de vários países, com a liderança mantida pelo Japão. Quando se relaciona o total aplicado com a produção agrícola, o país passa a ser o 11º do ranking mundial do uso do insumo. A constatação é do professor Caio Carbonari, da Unesp de Botucatu, para quem existe muita informação discrepante nessa área. “A imagem que se cria do agrotóxico não tem conexão com a realidade, pois a agricultura brasileira só conseguiu ter o avanço que teve com tecnologia, inovação e o uso de diversos insumos, entre eles os defensivos”, afirmou. “Necessitamos trabalhar com dados e informações científicas para pautar toda a discussão em torno do assunto”, complementou.

Elizabeth Nascimento – Docente USP, Toxicologia (foto: Gerardo Lazzari)

Na mesma linha do professor da Unesp falou a toxicologista Elizabeth Nascimento, que tratou do tema “Segurança dos Alimentos”. “Em termos científicos, tivemos um grande avanço nos últimos anos no que diz respeito a parâmetros sobre riscos de contaminação em alimentos. Temos hoje no país inúmeros instrumentos que podem nos dizer, com certeza, quanto podemos comer sem correr riscos. Claro que não existe risco zero e nem segurança absoluta”, observou Elizabeth, lembrando que é necessário ainda um esforço na área de comunicação para esclarecer o consumidor sobre essa realidade.

Filippo Pedrinhola – Endocrinologista (foto: Gerardo Lazzari)

Sobre o tema “Reflexos da Alimentação na Saúde e Qualidade de Vida”, o endocrinologista Filippo Pedrinola salientou que é preciso se basear cada vez mais em fatos e menos em mitos. “Vivemos uma era que eu costumo chamar de terrorismo nutricional e demonização de alimentos, embasados em pseudociência”. No seu entender, a recomendação básica para ter uma alimentação mais adequada é fugir de dietas da moda, comer de forma mais consciente e evitar estresse.

Luiz Madi – Diretor Geral do Instituto de Tecnologia de Alimentos – ITAL (foto: Gerardo Lazzari)

Outro participante do evento, o presidente do Ital – Instituto de Tecnologia de Alimentos, Luis Madi, abordou as diferenças entre alimentos “Orgânicos & Convencionais”. Baseado em diversos estudos do próprio Ital e de outros órgãos, Madi assegurou que não há evidências científicas que sustentem vantagens nutricionais dos orgânicos sobre os alimentos convencionais. “O resultado disso é que temos um consumidor confuso e desorientado que acaba deixando de consumir alimentos seguros e de qualidade por achar que não fazem bem à saúde. Em relação aos orgânicos, o consumidor compra um produto acreditando que tem benefícios que efetivamente não possui. Ele está sendo enganado”, concluiu Madi.

Maurício Lopes – Presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – EMBRAPA (foto: Gerardo Lazzari)

O encerramento do evento foi feito pelo presidente da Embrapa, Maurício Lopes, que abordou o tema “Caminhos para Chegar em 2030 e em 2050”. No seu entender, o Brasil deve utilizar iniciativas como o Código Florestal ou o programa de Agricultura de Baixo Carbono como uma verdadeira marca de país sustentável. “Temos de mostrar ao mundo que tivemos a coragem de adotar uma política na qual os produtores agrícolas destinam 20% de suas áreas para preservação ambiental. Nenhum outro país do mundo tem isso para oferecer. Essa deveria ser uma marca a ser trabalhada pelo Brasil no exterior”, concluiu Lopes.

Luiz Carlos Corrêa Carvalho – Presidente da Abag (foto: Gerardo Lazzari)

O encontro é uma iniciativa da FAO/ONU, Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Abag – Associação Brasileira de Agronegócio e Andef – Associação Nacional de Defesa Vegetal, e o objetivo é evidenciar a importância dos avanços científicos alcançados pela agricultura brasileira nas últimas décadas, fator que tem assegurado a continua ampliação da produção brasileira de alimentos, fibras e energia, de maneira a consolidar a posição do país como principal fornecedor mundial de produtos de alta qualidade, seguros e produzidos de forma sustentável.



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