Comunicação como ferramenta estratégica do cooperativismo

Publicado em: 04 junho - 2019

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O Sescoop/RS reuniu, no dia 30 de maio, na Casa do Cooperativismo Gaúcho em Esteio, mais de 90 comunicadores de cooperativas gaúchas no seu Encontro Estadual de Comunicação Cooperativista. O evento, que teve como tema os Desafios da Comunicação Estratégica na Gestão Cooperativa contou com um painel na parte da manhã, em que as cooperativas Santa Clara, Coagrisol e Unicred Central RS puderam compartilhar seus cases sobre o assunto. À tarde, os presentes assistiram à palestra de Carlos Palhares, sócio da HappyHouse, uma das maiores agências de endomarketing do País.

Na abertura, o presidente do Sistema Ocergs-Sescoop/RS, Vergilio Perius, falou sobre a inovação e a importância da comunicação para o setor. “A juventude está construindo uma proposta revolucionária que vai garantir o futuro do nosso sistema cooperativo. Precisamos cada vez mais investir em inovação e incentivar mulheres e jovens a fazerem parte do nosso movimento. Contamos com a ajuda ajuda de vocês, comunicadores, para divulgar as boas notícias do cooperativismo que são geradas todos os dias”, afirmou.

Planejamento estratégico e definição de verba para Comunicação

Em painel, o diretor administrativo da Santa Clara, Alexandre Guerra, chamou a atenção em relação aos investimentos em comunicação. “Como fazer com que a cooperativa possa investir em comunicação e isso funcionar? É preciso planejamento estratégico, com objetivos claros e verba definida”.

Nesse sentido, o dirigente explica que o setor de Marketing e Comunicação integra o planejamento estratégico da Cooperativa, e que a aprovação da verba deve constar em ata do Conselho, até para que o processo não retroceda ou tenha que se restabelecer novos parâmetros orçamentários.

Desafios de inovar na comunicação

De acordo com o presidente da Coagrisol, a Cooperativa passa por um momento novo, reinventando a comunicação com processos diferentes que convergem com a ideia de inovação. “O primeiro desafio é inserir os profissionais da Comunicação dentro de um ambiente cooperativista. Porque as pessoas vêm de outros setores e não têm ideia de como funciona uma cooperativa. Elas tendem a comparar com uma empresa comum”. Na visão do dirigente, o grande desafio não é se comunicar para os públicos-alvo externos, mas sim a comunicação interna para todos os colaboradores da Cooperativa. E esse autoconhecimento, aliado a uma organização interna na comunicação, permite que a cooperativa consiga construir uma comunicação sólida e mais eficiente com seus públicos.

Para o assessor de Comunicação e Marketing da Coagrisol, Fernando Martins, o agro costuma carregar consigo uma cultura mais conservadora, o que implica em um desafio para os profissionais que atuam na área de Comunicação das cooperativas. “O agro é essencialmente conservador, então entender que a comunicação precisa ser multimídia e que precisa ser vista como ferramenta estratégica é fundamental e é o desafio que nos motiva dia a dia a fazer cada vez mais dentro da Coagrisol”, afirmou Martins. Nesse sentido, o assessor de Comunicação e Marketing da Coagrisol reforça a necessidade do profissional buscar praticar a empatia. “Nós temos um desafio muito grande de compreender para comunicar. O principal desafio é que nós profissionais de Comunicação tenhamos a essência cooperativista dentro de nós para que a gente possa fazer com que a nossa mensagem seja percebida. O cooperativismo é apaixonante, na medida em que ele nos desafia a estar muito próximo, a entender o outro lado, o cliente, o cooperado”.

Tecnologia e a essência cooperativista      

Em sua explanação, o diretor-geral da Unicred Central RS, Rodrigo Borges, reforçou a necessidade de o cooperativismo utilizar a tecnologia a seu favor, sem perder a essência do cooperativismo, que são as pessoas e o relacionamento. Para o executivo, o desafio para os profissionais e gestores é justamente pensar e estruturar uma comunicação mais moderna e desenvolta. “Nós precisamos remodelar, repaginar a nossa forma de transmitir, para que o cooperativismo não fique com status de algo antigo, algo velho do ponto de vista do jovem de hoje. Ele precisa ser algo de fato inovador, perene, com conteúdo que agregue valor e que seja percebido pelo jovem”.

Mostrar o quanto o cooperativismo pode ser moderno, cocriativo e colaborativo com o que há de mais contemporâneo. Esse é um dos desafios de comunicação apontados pela gerente de Marketing e Comunicação da Unicred Central RS, Simona Triguero Gracia. “Queremos criar um mundo de prosperidade, sem perdedores, onde para ganhar, ninguém precisa perder. A prosperidade vem muito da essência do cooperativismo”, ressaltou Simona, ao afirmar que o relacionamento na Unicred é o fator-chave de sucesso da cooperativa.

A executiva de Marketing e Comunicação explica que a comunicação estratégica na Unicred segue algumas instâncias, com reuniões do Conselho de Administração e de cooperativas que acontecem mensalmente, e que nelas são tomadas algumas decisões que precisam descer para os grupos de WhatsApp e e-mail, onde a Unicred tem multiplicadores de marketing e de negócios, que transmitem as decisões para os colaboradores estabelecerem na prática as ações de comunicação junto aos cooperados.

Autoconhecimento

Palhares propôs uma dinâmica que levou à reflexão do que é uma comunicação estratégica para a cooperativa de cada comunicador. “Independente das respostas de cada um, todos temos algo em comum, a busca por resultados positivos. No entanto, lembrem-se que os resultados insatisfatórios fazem parte do processo. Cada um deles nos possibilita enxergar novas possibilidades”, destacou.

Ao dar dicas de como fazer para que novos projetos sejam testados nas cooperativas, mesmo que haja resistência, Palhares destacou: “É comum olharmos para fora e pensarmos que a empresa, a área ou o setor não está de acordo com a gente. Mas estamos sendo o comunicador que a nossa cooperativa precisa”? E propôs a dinâmica para observar o que é ser um comunicador estratégico na cooperativa e comparar com as respostas da dinâmica anterior para concluir o que é uma comunicação estratégica.

Ação

Em seguida, o palestrante sugeriu alguns passos para que mudanças de hábitos e rotinas fossem feitas para que os objetivos de cada profissional sejam alcançados, apresentando um fluxo de produtividade, juntamente com uma dinâmica em que cada um teve que elencar a ordem de prioridade dos diferentes papéis que exerce na vida profissional e particular, auxiliando para que haja uma execução de cronograma cada vez mais saudável.

E encerrou dando algumas dicas de ações que parecem muito simples, mas que fazem toda a diferença para que a comunicação consigo, com o outro e para a cooperativa seja cada vez mais estratégica.

– Procure se conhecer. Querer melhorar olhando apenas para fora é mudar apenas a embalagem. Sem desculpas. A verdadeira transformação começa dentro de você.

– Dê o primeiro passo: Visite as áreas da cooperativa, visite seus públicos-alvo, mostre-se presente, empático e veja como você pode contribuir.

– Pratique a escuta ativa: Demonstre interesse genuíno pela fala do interlocutor e, assim, estabeleça um vínculo com o mesmo. Sem celular, sem telefone, com hora marcada, sem julgamento. Prepare-se!

– Colabore com o foco do ano: Se a sua cooperativa não tem, estimule, provoque, faça uma dinâmica para descobrir. É muito importante ter um norte e poder alinhar a comunicação a esse foco.

– Saiba sempre qual o objetivo da ação: Invista tempo descobrindo e discutindo qual a finalidade de cada projeto. Pode parecer bobagem, mas é daqui que nascem as mensurações.


Fonte: Imprensa Sistema Ocergs com adaptação da MundoCoop



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