Em São Paulo está a primeira fábrica do mundo de papel a partir da palha de cana


Especial


A Desenvolve SP – Agência de Desenvolvimento Paulista (vinculada ao Governo do Estado de São Paulo) concluiu os desembolsos em financiamentos para a construção da FibraResist, a primeira fábrica no mundo a produzir matéria-prima para papel a partir da palha da cana-de-açúcar. Sediada em Lençóis Paulista, no interior de São Paulo, a empresa conta com uma área total de 60 mil m² e capacidade de produção de até 72 mil toneladas/ano de uma pasta celulósica 100% sustentável que deve revolucionar o mercado mundial de produção de papéis e embalagens. Ao todo, a empresa investiu R$ 25 milhões para tirar o projeto inovador do papel, sendo grande parte do valor financiada pela instituição financeira do governo estadual.

A inovação desenvolvida pela FibraResist teve início há pouco mais de seis anos, quando o empresário, pesquisador e químico industrial José Sivaldo de Souza buscava novas fibras para a produção de papel. Dessa pesquisa surgiu o biodispersante, um produto de tecnologia exclusiva da empresa capaz de separar da palha da cana-de-açúcar a lignina, espécie de cola natural, mantendo apenas as fibras da palha, dando origem à chamada pasta celulósica.

Com a descoberta realizada pela FibraResist, Souza garante ter tornado a matéria-prima para a produção de papel em um produto 100% sustentável. “Por ser uma fibra virgem, a pasta celulósica derivada da palha da cana não sofre perda com impurezas e, por isso, consegue produzir mais com menos insumo”, diz. Além disso, comenta o empresário, os fabricantes de papel passam a ter uma significativa redução de gastos, pois o custo da reciclagem do insumo e, consequentemente, com despesas provenientes do descarte, deixam de existir.

E não é só comercialmente que a inovação da empresa apresenta transformações positivas. “Ao retirar a palha da cana do solo diminui-se consideravelmente o risco de queimadas e proliferação de pragas, dois dos problemas mais comuns em lavouras”, diz Souza. Com a proibição da queima de palha da cana, prevista para entrar em vigor em todo Estado de São Paulo a partir de 2018, o manuseio e tratamento adequado desse material é mais um benefício em que empresa aposta para atrair novos clientes.

A tecnologia da FibraResist chama a atenção de investidores. Após parecer da Universidade Federal de Viçosa (MG), que atestou a inovação do produto, o Grupo Cem, atuante no agronegócio, enxergou na tecnologia do biodispersante a chance de descobrir fontes alternativas para a produção de pasta celulósica e começou os investimentos no processo produtivo em escala industrial, com investimentos de aproximadamente R$ 35 milhões.

Aos poucos, as vantagens competitivas desse novo método têm conquistado espaço e uma relação amistosa com a concorrência. “Estamos em contato com diversas indústrias que têm interesse em testar nosso produto. O que esperamos é uma relação saudável de troca de ideias e até parcerias, a fim de que inovações constantes resultem em produtos cada vez melhores para empresas e para as pessoas, de uma forma geral”, afirma Souza.

Para alcançar o maior número de clientes, a empresa continua trabalhando para manter o custo da produção dentro dos estudos e projeções, além de buscar novas formas para apresentar o produto. Uma das barreiras a serem vencidas pela FibraResist é a resistência do setor às novas tecnologias. Muitos empresários ainda são refratários ao abandono de fontes tradicionais para confecção de papel.

Os próximos passos da FibraResist envolvem trabalhar na consolidação do negócio de uma forma competitiva e sustentável e aprimorar o projeto de expansão com a abertura de novas unidades, mas sem perder o foco no planejamento. “Nossa meta é sempre trabalhar com os pés no chão e os olhos no futuro, enxergando um horizonte otimista não só para o nosso negócio, mas para toda economia brasileira”, conclui Souza.



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