Embrapa traça perfil produtivo da região pantaneira


Especial


“A grande diversidade ambiental do bioma pantaneiro permitiu que a região passasse por diversos ciclos econômicos em sua história. O ciclo econômico do ouro foi o primeiro na região. Depois, veio o da cana-de-açúcar, seguido pelo das charqueadas quando a produção de cana deixou de ser atrativa (em função do alto custo e da concorrência com a produção de açúcar de beterraba em países da Europa). A transformação das usinas em grandes fazendas iniciou o ciclo das charqueadas, aproveitando a grande quantidade de gado na região, e depois disso entramos no ciclo da pecuária, que remonta ao século 18 e continua até hoje”, conta o pesquisador José Comastri Filho, da Embrapa Pantanal. Esse diagnóstico consolida as informações coletadas durante palestras, reuniões e visitas realizadas por representantes da Embrapa Pantanal no Estado de Mato Grosso em parceria com a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato) e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Estado de Mato Grosso (SENAR/MT).

Nessas ocasiões, pesquisadores, estudantes, técnicos e produtores rurais discutiram as características ambientais e econômicas do bioma dessa área localizada no centro-oeste, com cerca de 140 mil km² em sua porção brasileira e 200 mil km ² de extensão total, dividido em 11 sub-regiões presentes em sete municípios de MT e 16 cidades do MS, onde se registra produção agrícola de subsistência na planície pantaneira, agricultura familiar e commodities do agronegócio na parte alta do bioma, sendo que a produção pesqueira chega a 2,5 mil toneladas de peixes anualmente. Já a bovina produz cerca de 3,9 milhões de cabeças na planície, com quase um milhão de bezerros e 234 mil bovinos adultos de descarte por ano.

Para Comastri, a venda de boi magro trouxe um grande potencial econômico ao Pantanal no passado. Os animais eram comercializados para recria e engorda nas pastagens do noroeste paulista e do triângulo mineiro. Hoje, os pecuaristas apostam na produção de bezerros e bezerras de qualidade, afirma, para atender às demandas do novo ciclo – investindo em melhores índices zootécnicos e na diversificação da atividade com o apoio de tecnologias desenvolvidas por instituições como a Embrapa. “Melhoramos a relação touro-vaca, que passou de um touro para dez vacas e chegou a um touro para até 30 vacas, dependendo da qualidade da pastagem, por exemplo”.

Técnicas como o uso da Inseminação artificial em tempo fixo – IATF (que programa a inseminação de vários animais em um mesmo período para otimizar o trabalho) tiveram grande impacto, segundo o pesquisador, no aumento das taxas de natalidade registradas pela Embrapa na região: os índices de vacas prenhas foram de 50% – 55% a 65% – 70%. O objetivo é elevar essas taxas a até 90%. “O uso da IATF tem vários adeptos. A tecnologia busca produzir animais de qualidade com a melhora dos índices de natalidade, favorecendo a vida útil dessas vacas”.

Comastri cita, ainda, outros recursos elaborados recomendados pela instituição que podem beneficiar a produção pecuária local, como a desmama precoce, o uso de genética melhorada e o fornecimento de pastagens – nativas ou cultivadas, dependendo de cada propriedade – de qualidade aos rebanhos. O suporte alimentar, de acordo com o pesquisador, é fundamental para permitir a expressão de uma boa genética no campo e as boas práticas de manejo são um fator importante, neste caso: evitar o desmatamento indiscriminado e ajustar a taxa de lotação das pastagens podem fazer toda a diferença na boa nutrição dos animais. “No geral, o Pantanal é um bioma que tem um índice de produtividade muito bom, muito alto”, finaliza.



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