O agronegócio brasileiro em meio às disputas globais

Publicado em: 09 agosto - 2018

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O desempenho do agronegócio brasileiro no mercado externo foi um dos principais temas debatidos no evento – Foto: Gerardo Lazzari

O Congresso Brasileiro do Agronegócio, realização conjunta da ABAG (Associação Brasileira do Agronegócio) e da B3 – Brasil Bolsa Balcão, reuniu 870 participantes em São Paulo (SP), no dia 6 de agosto. No centro dos debates, estiveram os principais embates do mercado global que impactam direta e indiretamente sobre as cadeias produtivas agropecuárias, como a guerra comercial entre Estados Unidos e China, que tem deslocado o pêndulo geopolítico para a Ásia, e a necessidade de valorização da OMC (Organização Mundial do Comércio) e do multilateralismo e a discussão das novas fontes de financiamentos para o agro. O encontro trouxe ainda uma análise do que é prioritário e urgente em relação aos debates das próximas eleições.

Sergio Amaral, embaixador brasileiro em Washington (EUA), detalhou essas questões do cenário externo em sua palestra Geopolítica e Mercado Internacional: Impactos para o Brasil. Segundo ele, o agronegócio brasileiro tem dois desafios nos próximos anos: para o curto prazo será necessário ampliar e manter a produtividade; a médio prazo, o setor necessitará dar um salto em termos de internacionalização, exportando não apenas alimentos, mas também tecnologia e serviços.

Amaral destacou que, nos dois casos, o cenário é marcado pela guerra comercial entre EUA e China. “Não somos alvo, mas sofremos as consequências de forma indireta”, disse, acrescentando que nem tudo pode ser negativo. “Se os chineses impuserem sanções, por exemplo, na exportação da soja americana, precisarão de outros fornecedores para suprimir a demanda. O Brasil pode ser beneficiado, juntamente com a Argentina”, analisou.

Medidas tomadas do lado norte-americano também abrem oportunidades para o agronegócio brasileiro. Na opinião de Amaral, o país havia perdido o trem das relações comerciais internacionais em governos anteriores. “Em decorrência da política adotada pelo governo Trump, o trem parou. Agora nosso país tem a chance de embarcar, por meio do Itamaraty, que reiniciou a negociação por acordos com diversos blocos e países”, ponderou.

Nesse sentido, o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, comentou que a agenda de negociações do Itamaraty engloba acordos com Japão, Canadá, Coreia do Sul e países da Aliança do Pacífico, além de estar revitalizando os acordos comerciais do Mercosul. Nunes ainda destacou dois pontos relacionados ao agronegócio: a luta contra as barreiras sanitárias e fitossanitárias e que em termos de sustentabilidade o Brasil é uma referência e não precisa receber lição de nenhum país. “Há ainda muita coisa a ser feita, mas nossa produção agrícola preserva mais de 60% da cobertura vegetal, original, inclusive”, disse.

Luiz Carlos Corrêa Carvalho, presidente da ABAG, fez questão de salientar a importância de o país não se isolar num cenário mundial marcado por um aumento de medidas protecionistas. “Nesse sentido, para o Brasil e para o Mercosul, o fortalecimento da OMC é fundamental. Para se ter ideia, segundo a própria organização, uma guerra comercial poderia fazer recuar o PIB global em mais de dois pontos percentuais”, afirmou.

Gilson Finkelsztain, presidente da B3, afirmou que, para o país atender as expectativas mundiais em termos de produção e exportação, será necessário diversificar a busca por recursos. “A área de mercado de capitais brasileiro teve grande evolução nos últimos anos. O melhor exemplo disso foi a consolidação dos Certificados de Recebíveis do Agronegócio, que em 2017 movimentaram R$ 30 bilhões, o dobro do ano anterior”, informou.

Durante o congresso foram divulgadas as linhas mestras do “Plano de Estado – Brasil 2030 – Agro é Paz”, apresentado e organizado pelo ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues. “Nossa proposta não é apresentar um plano com sugestões ao próximo governo, mas sim redigir um Plano de Estado, com o olhar voltado para um horizonte mais longo: até 2030. Não se trata de pedido ou demanda ao governo, mas sim uma ampla proposta de longo prazo”, afirmou o ex-ministro. O Plano foca os seguintes eixos: Cenário para o agro face à demanda global para 2030; Macroeconomia Brasileira e os Desafios; Segurança Jurídica; Política Agrícola; Associativismo e Cooperativismo; Competitividade Internacional do Agro Brasileiro: Visão Estratégica e Políticas Públicas; Logística: Transporte e Armazenagem; Inovação; Sustentabilidade e Imagem.

Homenagens

Leila dos Santos Macedo, consultora em biossegurança e biosseguridade recebeu o Prêmio Norman Borlaug. Bacharel em Química, mestre e doutora em Microbiologia e Imunologia pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Leila foi pesquisadora titular da Fundação Oswaldo Cruz no tema Biossegurança. Entre 1995 e 1999, quando integrou e presidiu a CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança), teve contribuição decisiva para dissipar conflitos entre os diversos órgãos relacionados com a questões de biossegurança. Foi naquele período, inclusive, que houve a aprovação do primeiro transgênico no Brasil.

João Martins da Silva Junior, presidente da CNA, recebeu o Prêmio Ney Bittencourt de Araújo – Personalidade do Agronegócio. Pecuarista há 50 anos e graduado em Administração de Empresas, foi fundador e o primeiro tesoureiro da Central de Cooperativas de Leite da Bahia. Na década de 1980, foi vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia, entidade que veio a presidir em 2000. Também fez parte das diretorias de Sebrae-BA, Senar-BA, Conselho Estadual de Ciência e Tecnologia, entre outras instituições.

 

Fonte: Assessoria Abag, com adaptação Redação MundoCoop, revista parceira do evento há quatro anos 



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