Superávit de US$ 36 bi é o maior em dez anos


Especial


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Os 21 dias úteis de setembro foram suficientes para que as exportações brasileiras superassem as importações em US$ 3,803 bilhões. Este é o melhor resultado para o período desde 2006.

Pela média diária (US$ 181,1 milhões), o saldo comercial do mês foi 29,1% superior ao alcançado em setembro de 2015 (US$ 2,946 bilhões, média de US$ 140,3 milhões), de acordo com dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Indústria, Comércio exterior e Serviços (MDIC).

Setembro teve exportações de US$ 15,790 bilhões e importações de US$ 11,987 bilhões. Na comparação feita pela média diária, as vendas externas tiveram crescimento de 1,8% em relação a agosto de 2016 e caíram 2,2% se comparadas a setembro do ano passado. No mesmo comparativo, as compras no exterior apresentaram crescimento de 2,2% em relação ao mês anterior e queda de 9,2%, em relação ao mesmo período de 2015.

Segundo o diretor do Departamento de Estatística e Apoio à Exportação da Secex, Herlon Brandão, no mês, foi registrado aumento de 2,3% nos preços dos produtos exportados .“Isto não ocorria desde agosto de 2014. É um fenômeno pontual, mas importante porque tivemos crescimento nos preços de produtos como soja em grão, minério de ferro, farelo de soja e café em grão”.

Exportação

Em setembro de 2015, as exportações por fator agregado alcançaram os seguintes valores: básicos (US$ 6,548 bilhões), manufaturados (US$ 6,136 bilhões) e semimanufaturados (US$ 2,728 bilhões). Sobre o ano anterior, aumentaram as vendas de semimanufaturados (+19,8%) e houve queda nas exportações de básicos (-8,6%) e produtos manufaturados (-3,1%).

Brandão ressaltou o crescimento de 90,9% das quantidades de açúcar em bruto embarcadas, em comparação com o mesmo mês do ano passado. “Este produto também teve aumento de preço (29,4%), contribuindo para o bom desempenho dos semimanufaturados no mês”.

No grupo dos básicos, quando comparadas com setembro de 2015, decresceram as vendas principalmente de soja em grão (-57,6%), fumo em folhas (-50,2%), milho em grão (-15,3%), farelo de soja (-14,1%), e carne bovina (-11%). Entre os manufaturados, em relação ao mesmo período do ano anterior, diminuíram as vendas principalmente de óxidos e hidróxidos de alumínio (-38,5%), motores para veículos e partes (-21,3%), polímeros plásticos (-21%), autopeças (-20,5%) e tubos flexíveis de ferro e aço (-11%). Por outro lado, cresceram as exportações de suco de laranja não congelado (+99,2%), óleos combustíveis (+86,8%), açúcar refinado (+83,8%), veículos de carga (+68,3%), chassis com motor (+66,7%), automóveis de passageiros (+41,5%), e aviões (+31,3%). No grupo dos semimanufaturados, quando comparadas com setembro de 2015, cresceram as vendas principalmente de açúcar em bruto (+147%) e ouro em forma semimanufaturada (+76,7%).

Em relação aos mercados compradores, foi registrado aumento nas vendas para Oceania (+60%), Oriente Médio (+20%), Estados Unidos (+8,3%), União Europeia (+2%) e África (+1%). Caíram as exportações para a Ásia (-9,6%), sendo que apenas as vendas para a China tiveram queda de 29,6%, influenciadas por soja em grão, plataforma para extração de petróleo, fumo em folhas, e catodos de cobre.

Para o Mercosul, também houve queda de 6,3%, sendo que as exportações para o principal mercado comprador de produtos brasileiros, a Argentina, cresceram 4,6% por conta de veículos de carga, automóveis de passageiros, energia elétrica, tratores, máquinas para terraplanagem, e chassis com motor.

Importação

Em setembro, as importações caíram 9,2% e, por fator agregado, houve queda nas aquisições de bens de capital (-28,3%), combustíveis e lubrificantes (-23,7%), bens de consumo (-10,1%) e bens intermediários (-2,3%).

“Estamos percebendo uma diminuição dos índices de queda das importações. Desde junho, o desempenho mensal das compras externas tem sido melhor do que o registrado no acumulado do ano. Isso pode indicar uma melhora da atividade industrial, uma vez que o setor é muito demandante de importações de insumos”, avaliou Brandão.

Por mercados fornecedores, na comparação pela média diária com o mesmo período do ano anterior, caíram as compras originárias de África (-56,7%), América Central e Caribe (-34,9%), Ásia (-18,6%) e União Europeia (-6%). Já em relação ao Mercosul, as exportações tiveram crescimento (+13,8%), assim como para Oriente Médio (+10,5%), Oceania (+10%) e Estados Unidos (+9,7%). No mês, os cinco principais fornecedores de produtos para o Brasil foram: Estados Unidos (US$ 2,213 bilhões), China (US$ 2,086 bilhões), Argentina (US$ 789 milhões), Alemanha (US$ 723 milhões) e Coreia do Sul (US$ 368 milhões).
Acumulado do ano

Nos nove primeiros meses de 2016, o saldo comercial acumulou superávit de US$ 36,175 bilhões (média diária de US$ 191,4 milhões), valor que supera em 249% o alcançado em igual período de 2015 (US$ 10,252 bilhões, com média diária de US$ 54,8 milhões). Este foi o maior superávit comercial já registrado para os nove meses do ano, desde o início da série histórica.

De janeiro a setembro de 2016, as exportações foram de US$ 139,361 bilhões. Sobre 2015, as vendas tiveram retração de 4,6%, pela média diária. No período em análise, as importações somaram US$ 103,186 bilhões, o que representa queda de 23,9%, pela média diária, sobre o mesmo período anterior (US$ 134,244 bilhões, com média de 717,9 milhões por dia).