Economia descola da crise


Finanças


Entre os segmentos beneficiados está o de veículos, máquinas e equipamentos, principalmente para o Agronegócio, que continua registrando resultados positivos e crescentes

O primeiro semestre do ano terminou e as notícias econômicas acenam com a possibilidade de o setor produto brasileiro haver optado por se emancipar da política e caminhar.

Um termômetro é o Focus, boletim elaborado pelo Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais (Gerin) do Banco Central do Brasil, que lista entre os objetivos monitorar a evolução das expectativas de mercado para as principais variáveis macroeconômicas, de forma a gerar subsídios para o processo decisório da política monetária – semanalmente apresenta resumo das expectativas de mercado com base em diário das previsões de cerca de 120 bancos, gestores de recursos e demais instituições (empresas do setor real, distribuidoras, corretoras, consultorias e outras) para a economia brasileira.

A edição divulgada em 10 de julho de 2017 estima que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fique na casa dos 3,38% no ano (a anterior era de 3,46%) levando à queda na expectativa da inflação oficial, que caiu de 4,25% para 4,24%, levando o Conselho Monetário Nacional (CMN) a revisar para baixo a meta de inflação para os próximos anos, passando a ser de 4,25% em 2019 e de 4% em 2020. Os analistas também preveem que a

Selic encerre o ano em 8,25% ao ano, ante estimativa anterior de 8,50%.

Indicadores

Os números confirmam sinais de recuperação da economia também em pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Fundação Getúlio Vargas (FGV). No dia 11 de julho, as duas instituições divulgaram resultados estimulantes. Dez dos 14 locais pesquisados pelo IBGE apresentaram crescimento na produção industrial na passagem de abril para maio.  A inflação medida pelo Índice de Preço ao Consumidor – Semanal (IPC-S), da Fundação Getulio Vargas (FGV), apresentou recuo de 0,18% na primeira semana de julho após fechar o mês passado com uma queda de 0,32%.

O IBGE também responde pela estimativa de safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas que, em junho de 2017 chegou a 240,3 milhões de toneladas, com alta de 30,1% em relação à obtida em 2016 (184,7 milhões de toneladas), um aumento de 55,6 milhões de toneladas. A estimativa da área a ser colhida (61,0 milhões de hectares) subiu 7,0% frente à área colhida em 2016 (57,1 milhões de hectares). São esperados recordes na produção da soja (114,8 milhões de toneladas) e do milho (97,7 milhões de toneladas). Em relação a 2016, houve acréscimos de 2,3% na área a ser colhida da soja, de 17,7% no milho e 3,6% no arroz. Já a produção subiu 19,5% para a soja, 14,9% para o arroz e 53,5% para o milho.

Em relação às estimativas de maio, a produção aumentou 1,7 milhão de toneladas (0,7%) e a área cresceu 117,4 mil hectares (0,2%). O arroz, o milho e a soja, principais produtos deste grupo, representaram, juntos, 93,5% da estimativa da produção e 87,8% da área a ser colhida.

Há ainda, outros indícios (ou serão certezas?) do descolamento da economia do cenário político, como a Finame – linha de financiamento de bens de capital – que se constitui um dos primeiros indicadores de retomada, ao refletir os investimentos de curto prazo em modernização. As aprovações nesta linha costumam se converter em investimentos na economia rapidamente, já que a contratação e o desembolso acontecem, em média, em menos de duas semanas.

Usando a concretude dos números, segundo informação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), entre janeiro e maio, o BNDES acelerou a aprovação de crédito para a aquisição de máquinas e equipamentos, resultando numa alta acumulada de 42% nos cinco primeiros meses deste ano em comparação com o mesmo período de 2016.

Apenas da Finame, foram mais de 29.700 operações da Finame, somando R$ 8,9 bilhões, sendo R$ 2,2 bilhões aprovados apenas em maio, registrando expansão de 59% na comparação com o mesmo mês do ano passado e destacando-se na comparação com o mesmo mês do ano anterior desde setembro de 2014. Foi liberado R$ 1,5 bilhão em maio, 11% acima do registrado em maio de 2016. O principal destaque da Finame nos últimos cinco meses foi a alta de 18% dos desembolsos para o financiamento de equipamentos agrícolas, refletindo a safra recorde e os programas do Governo Federal operados pelo BNDES, como o Moderfrota.

Mesmo com a Finame tendo desembolsado R$ 6,9 bilhões, segundo o BNDES esse total é 6% abaixo do patamar registrado no mesmo período do ano passado. O resultado, no entanto, representa uma desaceleração em relação à retração de 10% registrada no primeiro quadrimestre, em abril.

As aprovações de crédito para bens de capital saltaram 168% entre janeiro e maio, na comparação com o mesmo período de 2016. Além disso, entre janeiro e maio, o BNDES liberou R$ 3,1 bilhões em crédito para aquisição de máquinas agrícolas, como tratores e colheitadeiras, contribuindo para o aumento da demanda da indústria de equipamentos e da produtividade no campo.

Caminhões e máquinas agrícolas

A estimativa de safra nacional do IBGE de 240,3 milhões de toneladas, com alta de 30,1% em relação à obtida em 2016 (184,7 milhões de toneladas) e um aumento de 55,6 milhões de toneladas estimula outras atividades, como de fabricantes de veículos, máquinas e implementos agrícolas.

As vendas internas de máquinas agrícolas e rodoviárias no acumulado do ano foram de 21,3 mil unidades, resultado maior em 21,8% frente as 17,5 mil do ano passado. Em junho 4,1 mil unidades foram comercializadas, resultado estável tanto contra maio quanto contra junho de 2016.

A pesquisa da Anfavea também mostra que na produção do semestre o resultado foi superior em 41,4%: 29 mil unidades este ano e 20,5 mil em 2016.

Esses resultados do primeiro semestre, divulgados pela associação em 6 de julho, foram comentados por Antonio Megale, presidente da Anfavea: “o resultado do mercado interno ainda apresenta estabilidade e não é suficiente para ocupar a capacidade ociosa que a indústria apresenta”.

No que diz respeito a caminhões, os fabricantes produziram em junho 6,8 mil unidades, menor em 10,3% sobre as 7,6 mil de maio e superior em 22% no comparativo com as 5,6 mil de junho de 2016. No semestre, 36 mil caminhões saíram das linhas de montagem, o que significa expansão de 15,3% ante as 31,2 mil do ano passado.

Exemplo de renovação de frota é a Coopercarga, cuja frota tem idade média de quatro anos e, após redução no ritmo de renovação, pretende retomar o tema. “Nós continuamos investindo em renovação de frota, através de nosso programa anual de compras, porém em quantidades menores do que nos anos anteriores. Tomamos essa ação devido a maior cautela que adotamos no que tange aos investimentos, sempre acompanhando o cenário econômico de nosso país. Nos últimos dois anos, houve um menor número de renovações se compararmos ao que costumávamos realizar. Entretanto, já para 2017 pretendemos retomar esse tema, atingindo o mesmo ritmo que tínhamos em anos anteriores, até para que possamos continuar atendendo com excelência às exigências do mercado e oferecer o melhor nível de serviço aos nossos clientes”, prevê.

Visão dos fabricantes

Cooperados que adquiriram colheitadeira pela Cresol realeza (PR)

A percepção dos fabricantes é a de que esses números podem ser ainda melhores. Alexandre Blasi, diretor comercial da New Holland Agriculture, por exemplo, entende o movimento como renovação de frota por idade e expansão agrícola.

“O mercado é estável e se situa em 6 mil colheitadeiras e 50 mil a 55 mil tratores. Se olharmos o mercado pelo ângulo da idade de frota, 60% dos tratores tem mais de 12 anos e 30% entre 8 e 12 anos. Em 2012/2013, teve uma grande renovação porque o cenário era favorável. Agora volta uma nova onda porque programas sociais como MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário) estão fazendo aniversário e entrando no período de vencimento das primeiras compras, com natural renovação por máquinas maiores ou novas, pois entre 50% e 60% estão com mais de 12 anos, precisando de renovação”, comenta Blasi.

No caso de máquinas agrícolas, João Carlos Marchesan – diretor-superintendente da Tatu Marchesan e presidente do Conselho de Administração da Abimaq (Associação Brasileira da Industria de Máquinas e Equipamentos) – ao informar que a frota está envelhecida, na casa dos 10 a 15 anos, cita também a inovação tecnológica como impulsionadora da venda desses equipamentos. “Nos últimos anos, a evolução das máquinas agrícolas foi muito grande. Hoje, fala-se em inteligência, conectividade, máquinas conduzidas por algoritmos e guiadas por satélite, gerando mais produtividade, eficiência e controle dos gastos, favorecendo a renovação em busca de inovação. Por isso, acreditamos em crescimento de 15% no setor, em 2017”.



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