A visão sustentável para negócios do futuro

Publicado em: 10 novembro - 2020

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Com a crescente prática da sustentabilidade, as organizações vem se comprometendo para incorporar os ODS na razão da existência de seus negócios

O mundo está passando por uma avalanche de transformações e a sustentabilidade, percursora de muitas dessas mudanças, vem sendo destaque no universo corporativo como uma pauta indispensável para o futuro da sociedade de consumo.

Com um mercado cada vez mais exigente, não apenas em termos de qualidade e competitividade de produtos e serviços, mas também com relação aos impactos causados nas comunidades e no meio ambiente onde atuam, as organizações que continuarem a tratar a inclusão e a sustentabilidade apenas no discurso vão perder uma grande oportunidade de defender sua atual posição ou de conquistar uma maior participação no mercado.

Mesmo que a qualidade do produto ou serviço ainda tenha uma grande importância na tomada de decisão, o consumidor está cada vez mais consciente sobre a relevância da sustentabilidade na sua vida e na vida de seus negócios. “Diante desta tendência, as organizações precisam compreender que a sustentabilidade é uma importante vantagem competitiva a ser explorada (…) Não basta apenas ser sustentável, é preciso se apresentar como sustentável, aumentando a percepção de geração de valor para as pessoas e as comunidades, objetivando elevar seu engajamento e comprometimento com a causa”, afirmou o sócio-diretor da Therax – empresa especializada em planejamento e gestão empresarial –, Osmar Oliveira.

Porém, para que as transformações aconteçam, é preciso dominar metodologias e implementar ferramentas gerenciais especificadas e adequadas, tendo um planejamento de qualidade e sucesso em sua execução. Com isso, a gestão tradicional, que possui fundamentos sólidos e tem comprovado sua efetividade nos resultados das cooperativas e organizações, precisa se aliar às chamadas “metodologias ágeis” que vem se apresentando como essenciais nesse novo rumo mercadológico.

Especialmente nos dias de hoje, a sustentabilidade deve ser parte central da estratégia de negócios. Ou seja, tudo, desde o começo da cadeia até o produto final, deve ser pensado de forma que todo o processo seja sustentável. “É preciso diversidade de opiniões e o entendimento que sustentabilidade deve estar em todos os níveis da empresa. Sabemos, claro, que nem sempre a informação de qualidade chega à cadeia como um todo, mas por isso também é importante a capacitação constante,  acompanhamento e um envolvimento das grandes empresas que interagem com a menores. Essas são ferramentas importantes para melhorarmos”, afirmou o diretor-executivo da Rede Brasil do Pacto Global da ONU, Carlo Pereira.

O impacto da Agenda 2030 no meio corporativo

Com a criação da Agenda 2030 e dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), as empresas começaram a olhar mais fortemente para esse movimento que vem se consolidando no Brasil e no mundo como uma prática para impulsionar o desenvolvimento dos países, de forma a equilibrar a capacidade de suporte do planeta e o bem-estar social das populações.

Mais que uma agenda, essa inciativa é uma necessidade e de acordo com Carlo Pereira, estamos atrasados em muitos pontos dela, principalmente aqui no Brasil. No total, temos dez anos pela frente para conseguir avançar o mais rápido possível e existem condições de fazer. “Nós precisamos de uma retomada mais verde, inclusiva e ética, com os ODS no centro. Muitas empresas já assumiram globalmente esse compromisso e a cada dia mais vemos outras se comprometendo, o que é muito bom. O setor empresarial tem um papel essencial no alcance dos ODS até 2030, já que as empresas possuem os recursos financeiros essenciais para o avanço”, afirmou.

Porém, é preciso entender que para que esse avanço ocorra, é essencial que os fundamentos do Planejamento Estratégico de cada uma dessas entidades sejam definidos ou revisados imediatamente. A visão da organização deve complementar o estado futuro desejado, norteando a estruturação da formulação estratégica que a conduzirá para a definição de objetivos e metas, entre eles os relacionados aos ODS.

Muitas organizações já estão dando o primeiro passo para implementar essa nova visão: que é entender que sustentabilidade é um caminho sem volta. E isso quem diz é o consumidor, os investidores e a sociedade como um todo. “ODS pode indicar oportunidades de negócios e fazer as empresas reverem os produtos e serviços que ofertam, adequando-os às novas necessidades da sociedade. Também contribuem para reduzir os custos e tornar a operação mais eficiente. É claro que temos empresas de todos os portes e situações e que cada uma tem a sua dificuldade. Mas temos observado cada vez mais que as companhias entendem a necessidade de fazerem melhor”, complementou Carlo.

A participação essencial do cooperativismo

O movimento cooperativo possui propósitos e princípios genuínos que fazem parte da sua essência. Porém, mesmo tendo a produção sustentável como uma grande aliada, aplicar o tripé da sustentabilidade de uma forma geral, no qual a definição das estratégias é realizada sob a perspectiva dos resultados econômico, social e ambiental é um grande desafio. “É preciso que a cooperativa identifique sua real Proposta de Valor. Características de sua atuação que fazem com que ela seja percebida como única, especial e que a diferencia”, afirmou Osmar.

A razão da existência de uma cooperativa é muito mais ampla do que o  resultado econômico e envolve, principalmente, a transformação da comunidade que está inserida, bem como ações de preservação ambiental e redução do consumo de recursos naturais. E para que essa inciativa sustentável seja propagada, é necessário fazer com que as pessoas entendam o que é esse movimento exercido na prática.

Recentemente, a Aliança Cooperativa Internacional (ACI), adotou um documento que explora as contribuições da economia social e solidária para os ODS e argumentou que o cooperativismo é um ator importante nesse sentido. Tendo em seu DNA conceitos fundamentais como igualdade, trabalho digno, inclusão social e respeito ao meio ambiente, a economia social e solidária ensina para as grandes empresas que é possível fazer mais e melhor e por isso é, foi e será um ator importante no alcance dos ODS. E cada vez mais pessoas estão inseridas nesse contexto, o que mostra que é mais do que possível, é necessário, assim como o cooperativismo.

Cada vez mais as cooperativas precisam apresentar resultados econômicos consistentes, mas atrelada a esta necessidade é preciso que elas tenham sempre como referência a execução de ações coerentes com seus fundamentos. “As organizações são formadas por pessoas, mas o que norteia o comportamento e postura destas pessoas é a orientação e estímulos que elas recebem para que atuem em conformidade com os princípios, valores e propósito de cada negócio”, ressaltou Osmar.

O atual período de pandemia está catalisando a transformação da realidade e continuará a influenciar fortemente os novos padrões de produção e consumo. O ano de 2030 é amanhã e o cumprimento da agenda deve ser parte fundamental de todos os processos, pois não tem como fazer negócios do jeito que fazíamos no passado. “É preciso união de governos, entidades, empresas e pessoas para que todas e todos contribuam para uma melhora significativa das condições do planeta. Para termos planeta”, finalizou Carlo.


Por Jady Mathias Peroni – Entrevista publicada na Revista MundoCoop, edição 96



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