Agilidade na logística urbana

Publicado em: 29 julho - 2019

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Na tocada, parece um automóvel, já na hora de pegar no pesado, tem o DNA de caminhão, esse é o VW Delivery Express que tem boas credenciais para ocupar espaço deixado pelos comerciais leves da Ford. 

Delivery Express tem ótimas vantagens competitivas por ser, conceitual e tecnicamente um caminhão e, legalmente, uma caminhoneta. Por ter PBT de 3,5 toneladas – PBT legal de 4 toneladas -, pela lei, pode ser conduzido por qualquer pessoa habilitada na categoria B. Só é preciso declarar que você exerce atividade profissional remunerada, a mesma exigência para motoristas de táxi e Uber. 

Essa vantagem facilita muito a vida da Volkswagen Caminhões que, como suas concorrentes que oferecem produtos para o segmento de semi-leves, quer abocanhar a gorda fatia de mercado que ficava com a Ford e agora está aí disponível. A força da montadora americana nesta categoria se concentrou na ressuscitada F-350  que tinha mais de 24% de participação do mercado mas agora, com o fim de sua produção, abre espaço aos concorrentes, como Sprinter, da Mercedes-Benz e o Delivery Express, da Volkswagen Caminhões e Ônibus. 

Na matemática simples, grosso modo, há um apetitoso potencial de mais de 500 veículos por mês a ser conquistado. Esse segmento é fortemente composto por aquele tipo de empreendedor faz-tudo: compra, organiza, vende e cuida de sua logística. É uma parcela significativa de mercado e as áreas de vendas das montadoras sabem que, com a Ford fora do páreo, há novos clientes a serem conquistados. 

O Delivery Express tem boas chances de ser o produto a agradar aqueles clientes fiéis à F-350. É classificado como caminhoneta mas tem todos os atributos de um caminhão. E, neste ponto, admita-se, operacionalmente o menor caminhão da Volks é muito melhor que a tradicional opção da Ford.

O Delivery Express tem preço sugerido de 148 mil reais para versão caminhão e chassis. Mas exclusivamente para este modelo, a fábrica de Resende inovou ao oferecer duas opções de implementação, ambas da Randon: com o equipamento carga seca, o preço fica em 158 mil reais e com baú o valor sobe para 162 mil reais. Esses dois tipos de implementos respondem por mais de 80% dos modelos emplacados deste tipo de veículo. 

O menor caminhão da Volks vem equipado com motor Cummins de 2,8 litros que perfaz 150 cv de potência com 360 Nm de torque. Números muitas vezes não dizem coisa alguma, por isso fazemos essas “Impressões”  especialmente para AutoCoop. Assim a gente traduz para vocês o que significam, na prática, esses três números acima. O motor compacto é mais leve – o que permite levar mais carga – essa centena e meia de cavalos faz muita diferença quando é preciso agilidade no trânsito ou naquelas corridas rápidas para cidades próximas e torque representa força bruta que faz com que o caminhão tenha capacidade para tracionar sua carga pesada. 

O Express é pequeno quando comparado a outros caminhões, mas na lida, se torna grande. Sua capacidade de carga líquida é uma tonelada e cem quilos mas o trem-de-força permite que esse caminhão tenha capacidade para tracionar até cinco toneladas. A transmissão Eaton de seis velocidades, sendo a sexta marcha Overdrive, trabalha bem nos trechos de estrada mas as trocas são um tanto duras quando solicitadas demasiadamente no trecho da cidade, o que não é um ponto muito positivo considerando o DNA  deste veículo, desenhado para logística urbana. Bom mesmo seria a transmissão automatizada. 

Há duas opções de entre-eixos, 3 e 3,6 metros, com duas possibilidades de comprimento, 5,44 metros ou 6,24 metros. E o tanque de combustível, de plástico, vem de fábrica com 80 litros mas o espaço no chassis permite instalar um de 150 litros que a marca oferece como opcional. No catálogo, há três versões alternativas para este caminhão: City, que é um “pé de boi” que não vem nem mesmo ar-condicionado e só é vendido mesmo em licitações de estatais; Trend, que no papel diz que não vem com ar-condicionado mas na prática vem e é a versão mais pedida; e a Prime que vem com trio elétrico, farol auxiliar e aba protetora do para-brisa. 

Andamos na versão Trend que é o meio-termo e a mais vendida. O caminhão é muito fácil de dirigir, a cavalagem com bom torque responde sem timidez nas subidas urbanas, a manobrabilidade, predicado indispensável neste produto, merece nota máxima e, para aqueles ainda pouco íntimos na tocada de caminhão, a câmera a ré cuja imagem é visível no display do rádio ajuda muito na manobra e na hora de parar para carregar ou descarregar. Francamente, todo caminhão deveria vir de fábrica com esse item! 

Outro facilitador durante o dia-a-dia de trabalho é o generoso espaço da nova cabina que equipa também seus irmãos maiores. Com capacidade tranquila para três passageiros, sendo que o banco do meio rebate e vira uma bem ajeitada mesa de escritório ou refeição, é possível se movimentar bem dentro do veículo. 

Conforto é um quesito que merece atenção quando a gente sabe que motorista dá expediente dentro do veículo. A suspensão dianteira independente com molas helicoidais e amortecedores oferece bom nível de acomodação até mesmo em buracos e lombadas, amenizando sobremaneira os solavancos. 

E como nesta seção a gente tem que rodar com o produto para sentir o que funciona bem e o que deixa a desejar, vamos logo aos pontos fortes: a tocada é de caminhonete mesmo. É ligeira nos trabalhos urbanos e desenvolve boa velocidade nos trechos rodoviários. O motor Cummins ISF faz bom casamento com a caixa Eaton e é possível rodar na faixa verde de 1.200 rpm sem esforço nem fracasso, mesmo carregado no limite legal. É o típico veículo que você se adapta em menos de quinze minutos pilotando.


Por Mauro Cassane – Matéria publicada na Revista MundoCoop, edição 88



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