Agricultura baseada em conectividade

Publicado em: 01 outubro - 2018

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O conceito de Agricultura 4.0 está cada vez mais presente no dia a dia dos produtores rurais, assim como a internet das coisas e a inteligência artificial. E é assim que o Brasil vai elevar o setor para outro patamar

Estudo recente feito pela Market Insight Reports indica que o mercado de Internet das Coisas (IoT) na agricultura, em 2015, foi de US$ 4,4 bilhões e terá crescimento anual acima de 28% até 2024. Os Estados Unidos ainda estão na frente, com 75% de participação e a possibilidade de alcançar US$ 20,1 bilhões em 2024, mas o Brasil tem condições de liderar essa nova etapa a ponto de atingir níveis de competitividade suficientes para superar o país norte-americano como maior exportador de alimentos do mundo. Essa é a opinião de Britaldo Hernandez Fernandez, presidente e sócio-fundador da Solinftec, empresa brasileira de agricultura digital com desenvolvimento contínuo de soluções pensadas por cientistas, engenheiros, agrônomos, programadores e inventores.

Para Britaldo Fernandez, da Solinftec, as plataformas de inteligência artificial vão possibilitar que as ferramentas mais modernas estejam disponíveis para todos os produtores, independentemente da área

Para ele, com as estradas digitais já pavimentadas, não será difícil chegar a essa conquista. E por estradas digitais pode-se entender o caminho para as fazendas inteligentes e a inteligência artificial. O papo pode até parecer meio desconexo, mas o fato é que a tal da IoT está permitindo que essa evolução ande a passos largos e que os produtores tomem decisões de manejo e de negócios em tempo real com muito mais assertividade. “A grande mudança é que hoje estamos captando muitas informações e a tecnologia vai nos permitir entender quais são os fatores, impactos e gargalos que nos levarão a aumentar a produtividade com redução de custo. O produtor vai, cada vez menos, tomar decisão somente pelas experiências. Baseado em dados, terá mais tempo para as decisões estratégicas”, comenta Fernadez.

O executivo acredita que o processo de transformação das fazendas, do ponto em que estão hoje para o de fazendas inteligentes, já está acontecendo, a partir dos principais produtores de grãos e de cana-de-açúcar e das grandes cooperativas que estão tomando a frente do mercado para, em um segundo momento, começarem a influenciar outras propriedades e difundir a tecnologia. Uma dessas inovações, que, na opinião de Fernandez, já está trazendo resultados interessante é a Inteligência Artificial: “Ela tem um papel fundamental e será muito difícil o produtor não a utilizar para análise e compreensão dos dados”. A novidade, por assim dizer, já paz parte do portfólio da empresa e é conhecida como Alice.

A assistente virtual foi desenvolvida para ajudar os produtores nas tomadas de decisões do dia a dia da fazenda e já interage por voz em uma conversa muito mais natural. “Esse sistema evolui rápido e quanto mais interação temos com a Alice, mais inteligente ela se torna. Essa evolução é muito maior de correlação do que um ser humano consegue, com isso podemos automatizar os processos e melhorar a produção”, comenta o especialista.

Sérgio Barbosa, da EsalqTec, comenta que as startups desenvolvem tecnologia pensando nos grandes produtores e que, os médios e pequenos, provavelmente serão atendidos por suas cooperativas – Crédito_Marcela Matavelli – CPRural.ESALQ.USP

É claro que, para se trabalhar com todos esses sistemas, não é só a agricultura que precisa mudar. Produtores, agrônomos, técnicos agrícolas e boa parte dos personagens da cadeia produtiva de alimentos terão de se reinventar. “É realmente uma coisa muito diferente para todos nós e não são só os produtores que não estão prontos para usar essa tecnologia”, enfatiza Sergio Marcus Barbosa, gerente-executivo da ESALQTec-Incubadora Tecnológica. “Nós mesmos, que somos agrônomos, não estamos preparados. O mais incrível é toda esta revolução acontecendo e a gente não aprende na grade curricular das universidades. Isso precisa ser revisto”, diz o executivo, complementado por Fernandez: “Esse tipo de tecnologia é democrático. Com certeza novos profissionais vão aparecer e cada vez mais teremos especialistas na utilização dessas informações. Mas já temos carência dessa mão de obra, com falta de curso para as fazendas cada vez mais inteligentes”.

Tecnologia no cooperativismo

Ambos os profissionais concordam que as cooperativas agropecuárias serão grandes difusoras da Agricultura 4.0 para pequenos e médios produtores, bem como aqueles que fazem parte da agricultura de assentamento. Britaldo Fernandez observa que a dinâmica nas cooperativas já está mudando por conta da tecnologia, pois a captação da informação em tempo real e a análise desses dados permitem que seja identificada cada fazenda cooperada a fim de saber as melhores práticas que os técnicos podem recomendar, o que é melhor para cada produtor e o que deve fazer dentro da sua característica.

Sergio Barbosa vai um pouco mais longe: “São elas que terão o papel fundamental de inserir mais produtores nesse novo agro. E a estratégia será adquirir as tecnologias das startups e oferecer de forma integrada para os seus associados”. O agrônomo ressalta, ainda, que as cooperativas poderão ajudar na validação das tecnologias que estão sendo desenvolvidas, a exemplo do que está acontecendo em Piracicaba, interior de São Paulo, por meio da Coplacana. “Eles criaram uma espécie de hub, que terá startups próximas e de quem são validadas as tecnologias, pontuando as melhorias quando ela não se encaixa e fazendo a conexão com o produtor rural que não está acostumado ou mesmo não está estruturado para a utilização da agricultura digital.”

 



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