A árdua missão de ser sustentável

Publicado em: 12 dezembro - 2018

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A conscientização é o maior desafio para assegurar o destino correto do lixo eletroeletrônico e evitar prejuízos ambientais. Importantes iniciativas vêm sendo realizadas para superar essa barreira

Vivemos em uma época na qual os princípios cooperativistas e socioambientais ainda são discursos que em geral não são praticados pela sociedade.” A frase de Alex Pereira, presidente da Coopermiti, é um importante alerta sobre o destino adequado de materiais recicláveis. “O trabalho de conscientização do descarte correto de qualquer tipo de resíduo é um difícil desafio a ser vencido”, reforça o executivo. A Coopermiti, localizada em São Paulo (SP), é uma cooperativa de produção, recuperação, reciclagem e comercialização de resíduos sólidos eletroeletrônicos e trabalha para que o lixo eletrônico (e-lixo) gerado pela sociedade seja recolhido, reciclado e descartado de forma ambientalmente correta.

A iniciativa pioneira surgiu de um projeto que visava à inclusão social. A fundação da Coopermiti veio da junção do Miti (Museu da Informática e Tecnologia da Informação) com um programa de utilização de equipamentos eletroeletrônicos para capacitação profissional. A concretização começou em 2009, a partir de um convênio firmado com a prefeitura da capital paulista, por meio da Secretaria de Serviços, e o início das atividades foi no ano seguinte, no bairro da Barra Funda. Em 2015, a Coopermiti se mudou para a Casa Verde, bairro da zona norte da cidade, onde está instalada até hoje. “A vontade de se realizar um trabalho concreto e pioneiro de empreendedorismo social foi um forte motivador para a criação da cooperativa”, comenta Pereira. Foi exatamente esse ideal que definiu o formato do empreendimento. “Os princípios do cooperativismo estão em consonância com os objetivos pretendidos com a criação da Coopermiti.”

Alex Pereira, da Coopermiti: o trabalho de conscientização do descarte correto de qualquer tipo de resíduo é um difícil desafio a ser vencido

A cooperativa recebe material de fabricantes e importadores de equipamentos eletroeletrônicos, que devem cumprir com a Política Nacional de Resíduos Sólidos, por meio da logística reversa; de pessoas jurídicas (públicas e privadas); e de pessoas físicas que entregam aparelhos elétricos, eletrônicos ou eletroeletrônicos em desuso. Tudo o que a Coopermiti coleta é devidamente registrado em um relatório compartilhado com os clientes. Entre o material recebido pela cooperativa estão computadores, CPUs, impressoras, rádios, celulares, televisões, micro-ondas, eletrodomésticos e muitos outros. No caso de dispositivos que contenham dados, a cooperativa garante a destruição dessas informações.

A ampliação desse trabalho é favorecida por parceiros que disponibilizam coletores de lixo eletrônico para a comunidade, organizações que fazem campanhas de conscientização ou de educação ambiental, instituições de ensino, entre outros. E os resultados dessa dedicação influenciam a criação de novas iniciativas. “Ao longo de sua breve história, a Coopermiti tem sido inspiração para muitos projetos de coleta e reciclagem de lixo eletrônico”, orgulha-se Pereira. A tendência é que possam surgir ainda mais, pois na opinião do dirigente o volume estimado de lixo eletrônico gerado demandará um número maior de cooperativas trabalhando dessa forma, que para terem êxito deverão investir em uma administração eficiente. “As cooperativas de reciclagem podem e devem ter gestões profissionais que priorizem a satisfação dos clientes e o desempenho ambiental.”

Iniciativa acadêmica

O processo de conscientização da sociedade sobre a importância do descarte ambientalmente correto do lixo eletrônico também se tornou uma missão na Univali, a Universidade do Vale do Itajaí, em Santa Catarina. Uma parceria firmada entre o Setor de Extensão do campus da instituição na Grande Florianópolis e o CDI (Comitê de Democratização da Informática), em 2016, arrecadou cerca de quatro toneladas de equipamentos, entre computadores, baterias, teclados, impressoras e outros dispositivos de informática. Em cada campus há uma caixa para coleta desses itens.

“Nosso objetivo é conscientizar as pessoas dentro da universidade e a comunidade fora dela”, diz Vanderléia Martins Lohn, coordenadora de Atividades de Extensão da Univali. A troca de informações e experiências é um valioso caminho para atingir tal meta. “Fazemos a comunicação via professores, alunos e redes sociais, inclusive com uma página no Facebook. Também encaminhamos notícias para a imprensa”, acrescenta.

Vanderléia Lohn, da Univali: nosso objetivo é conscientizar as pessoas dentro da universidade e a comunidade fora dela

O apoio dos estudantes é um grande reforço para a realização do projeto. E a participação acaba sendo benéfica para eles também, seja pela própria conscientização, seja para cumprir seus compromissos com a universidade. “Alguns alunos trabalham nesses projetos como parte de extensão. Há os que ganham bolsa e precisam realizar algum trabalho voluntário. Outros se identificam com a causa e desenvolvem o interesse de voltar para a comunidade”, comenta Vanderléia.

Mais do que o descarte adequado, a iniciativa da Univali busca orientar as pessoas sobre o consumo consciente. “Ao pensarmos em trocar o computador ou o celular, devemos nos perguntar se é realmente necessário”, alerta a coordenadora. Para o ano que vem, a expectativa é ampliar a abrangência as ações por meio de novas parcerias, inclusive buscando o envolvimento de mais empresas interessadas no comércio local.



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