Caminhão bom de estrada

Publicado em: 16 dezembro - 2019

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O Iveco Hi-Road 6×2 é uma boa opção para quem precisa levar carga para longas distâncias mas não quer pagar uma fortuna por pesadões mais luxuosos

Os caminhões pesados Iveco Hi-Road foram lançados no segundo semestre do ano passado. O Hi-Road com potências de 360 cv, 400 cv e 440 cv faz parte da Hi-Family, a linha de caminhões pesados da Iveco cujos modelos Hi-Way são os mais luxuosos. Com exceção do Hi-Road 4×2 com 360 cv, equipado com motor FPT de 9 litros, todos os demais, inclusive os Hi-Way, são equipados com o motor FPT Cursor 13 e caixa automatizada ZF de 16 velocidades.

MundoCoop avaliou o Hi-Road com a configuração mais comum utilizada por cooperativas de carga que buscam ampla versatilidade operacional: o modelo com tração 6×2 e potência de 440 cv. No teste, a Iveco o equipou o cavalo-mecânico com carreta carga seca de três eixos lastreada com 37 toneladas de brita.

Andamos na pista ovalada da Iveco, com 1,6 mil metros de circunferência e duas grandes retas com cerca de um quilômetro cada.  O motor FPT Curso 13 surpreende por entregar bom torque e alta potência com baixo consumo. Acelerando, fazendo ultrapassagens e retomadas, conseguimos média de 2,32 km por litro.

O Hi-Road é mais econômico que seu antecessor, o Iveco Stralis. Com detalhes para oferecer mais aerodinâmica, a nova cabine do Hi-Road o torna bem parecido com o Hi-Way e favorece, obviamente, a estética. 

É um caminhão muito bem ajeitado para o dia a dia. Ele parece luxuoso – o que é bom para o transportador, até como cartão de visita – mas conceitualmente é simples, o que o torna, financeiramente, mais acessível que seus parentes mais Premium. A Iveco sugere preço de 380 mil reais, valor bem em linha com os preços praticados pela concorrência para veículos do mesmo segmento competitivo.

A título de comparação, o Hi-Way 6X2 exatamente com a mesma configuração de trem-de-força do Hi-Road que testamos, sai por volta de 410 mil reais. Os 30 mil reais a mais é honestamente justificado por uma cabine maior, alguns itens mais refinados como rodas e tanque de alumínio e acabamento mais luxuoso. Compensa.

A Iveco posicionou de maneira inteligente os preços e dividiu bem os modelos da “Hi-Family”. De maneira simples pode-se entender assim: quem cobre longas distâncias, aquelas jornadas que demandam mais de uma semana, os caminhões Hi-Way são mais indicados, não só pelo conforto, mas essencialmente pelas potências mais elevadas. Já aqueles que sabem que vão trabalhar com fretes mais próximos, média de até mil quilômetros de distância, a melhor pedida são os caminhões Hi-Road.

O conjunto motor mais transmissão faz casamento perfeito. O  FPT Cursor 13 harmoniza-se bem com a transmissão automatizada da ZF e ambos responderam satisfatoriamente aos exaustivos testes que os submetemos na pista. Logo de saída, o torque máximo de 2.250 Nm é percebido quando o caminhão reboca as 37 toneladas de maneira suave e sem demonstrar o mínimo esforço. É só acelerar levemente.  O CMT (capacidade máxima de tração) do Hi-Road é de 60 toneladas.

Sem precisar forçar o acelerador, na reta, em menos de um minuto o caminhão já navega a 60 km\h com o conta-giros mantendo-se na faixa verde, batendo 1.100 giros. Rodamos cinco quilômetros nesta tocada com média excelente: 3,10 km\l.     

O caminhão freia muito bem. O conjunto de freios tipo S-Cam com acionamento pneumático e tambores na dianteira e traseira trabalha bem aliado ao ABS. Pisamos no freio a 60 km/h e em três segundos e a composição para totalmente.

Para descidas de serra o freio motor do Hi-Road é excelente e tem 415 cv de força contrária. A alavanca multifuncional ao lado direito do volante o aciona a um toque muito leve. São dois estágios. No primeiro, há o bloqueio de exaustão no motor e sua eficiência é de 40% com 160 cv fazendo força negativa. Uma vez acionado, a velocidade baixa em 10 segundos para pouco menos de 40 km\h.

O primeiro estágio do freio motor é perfeito para declives mais leves. Já no segundo estágio entra em ação a descompressão do cabeçote do motor e a velocidade é reduzida em 80%. O caminhão baixa a menos de 10 km\h. Esse é o jeito correto de parar um pesado carregado em situações, obviamente, sob controle.

A cabine é espaçosa e silenciosa. O banco é confortável com suspensão pneumática e com diversos ajustes de altura e distância.  O volante, com a comodidade de disponibilizar os comandos integrados a ele, permite variados ajustes. Ambos, bancos e volante, são os mesmos que equipam os luxuosos Hi-Way.     

O Hi-Road  tem e vem também com ar-condicionado e climatizador, rádio com CD, MP3 e entrada USB, box térmico (pode ser geladeira, mas é opcional) e cabine com suspensão pneumática – com quatro bolsas o que assegura bom conforto ao dirigir. É, sem dúvida, uma ótima opção quando se leva em conta a equação custo/benefício.


Por Mauro Cassane – Matéria publicada na Revista MundoCoop, edição 90



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