Cooperativismo como especialização profissional

Publicado em: 24 abril - 2018

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Formação específica e educação continua são exigências básicas para quem atua no setor

Administrar uma cooperativa não é a mesma coisa que administrar uma empresa tradicional. Também não é nem mais fácil nem mais difícil. Simplesmente é diferente. Essas são frases – para alguns, clichês – cada vez mais presentes no dia a dia dos administradores e gestores das mais diversas especialidades, pois com o desenvolvimento do cooperativismo, os diferenciais frente às empresas ficam mais claros.

E a principal divergência está no objetivo: enquanto as empresas são focadas no capital e no lucro, a cooperativa é uma organização constituída de pessoas de um grupo econômico ou social específico que objetivam desempenhar uma determinada atividade, com ganhos iguais para todos. Ou seja, o cooperativismo está fundamentado em premissas tais como identidade de propósitos e interesses; ação conjunta, voluntária, solidária e objetiva para coordenação de contribuição e serviços; e obtenção de resultado útil e comum a todos, que proporcionem qualidade de vida e dignidade humana.
Além disso, as cooperativas atuam – e devem fazê-lo com rigor – tendo como base sete princípios, que vão desde a adesão livre e voluntária dos membros, gestão democrática e participação econômica dos sócios, com autonomia e independência, até preocupação com a comunidade, passando pela educação e pela intercooperação.

É a educação, unida à formação e à informação, que forma o quinto princípio e sinaliza a importância de aqueles que atuam no setor, independentemente do segmento econômico ou do papel que desempenham – se cooperado ou funcionário em qualquer nível da hierarquia – capacitarem-se para atuar nas cooperativas atentos às especificidades e às necessidades da atividade.

Na prática, isso significa que a cooperativa, enquanto uma organização inserida no mercado, deve ser gerenciada de modo sistemático e racional por pessoas formadas e devidamente capacitadas à gestão democrática, na qual os cooperados fornecem uma parte equitativa do capital necessário e aceitam uma justa participação nos riscos.

Competências e habilidades

Em outras palavras, em um ambiente turbulento e dinâmico, a organização cooperativa que não estiver atenta às características do atual mercado e às exigências do consumidor pode passar por dificuldades de sobrevivência. O cenário exige das cooperativas formas de se estabelecer, crescer e desenvolver para não desaparecer. O mundo dos negócios cobra atenção permanente e incorporação da doutrina cooperativista, deixando mais complexa a adequação dos aspectos de gestão moderna à organização cooperativa, possibilitando a seus membros opções para se estabelecerem e desenvolverem-se, otimizando custos, potencializando resultados e ampliando a produtividade, independentemente do ramo.

Neste processo, todos ganham, inclusive as regiões onde as cooperativas estão fisicamente instaladas, pela adoção de um modo de viver, pensar e se inserir na vida econômica e social mais solidário e participativo. Em contrapartida a gestão torna-se mais complexa, cobrando competências e habilidades daqueles que estão à frente da instituição diferentes das necessárias às outras organizações. É preciso focar em pessoas, o tempo todo. O compromisso com a equipe e com os associados da cooperativa, assim como o senso de responsabilidade com a comunidade, a adesão e a observância dos princípios do cooperativismo, a colocação dos interesses coletivos acima dos individuais são aspectos indissociáveis e que tornam o trabalho em uma cooperativa diferente daquele da empresa mercantil.

Quem trabalha em uma cooperativa – ou almeja trabalhar – deve priorizar a sua formação técnica, deixando de lado qualquer tendência à improvisação. Ao conhecimento formal nas diversas disciplinas vinculadas à gestão agregam-se a internalização dos princípios e valores do cooperativismo, incorporando-os às atividades cotidianas, mantendo a atenção nas características de liderança, pois a expansão acelerada dos empreendimentos cooperativos está exigindo novos líderes, dotados de um espírito de observação, habilidade de negociação, ousadia e capacidade de realização, não só através da gestão, mas também do fazer, do executar, do construir junto, sempre que necessário.

A voz da experiência

Com uma vida dedicada ao cooperativismo e a gestão não apenas de cooperativas, mas do próprio sistema, com atuação em âmbito internacional, Eudes de Freitas Aquino – que em 2017 assumiu a Presidência da Fundação Unimed após presidir a Unimed do Brasil durante oito anos consecutivos, e desde 2013 participa ativamente do board da Aliança Cooperativa Internacional (ACI) e da Cooperativa das Américas (região da Aliança Cooperativa Internacional), entre outros cargos – fala sobre a existência de uma lacuna enorme a ser preenchida e que, a seu ver, é vital para a sobrevivência do cooperativismo: a identidade cooperativista.

“Não temos uma identidade formada. O cooperativismo precisa formar a identidade para ter um espaço na sociedade civil como qualquer outra instituição e participar de concorrências públicas, interagir com os poderes públicos, entre outras ações. E essa é uma missão da Fundação Unimed, que vai diversificar sua atuação, disponibilizando cursos para outros ramos e áreas da sociedade, não apenas na Saúde, construindo uma identidade plural para dizermos a que viemos. A fundação, com a Faculdade Unimed, espera contribuir com esse quesito e formar um contingente que influencie o meio, leve as cooperativas a uma participação inovadora e efetiva na política e na economia”, comenta Aquino.

Educando para o cooperativismo

A educação cooperativista, inclusive, em 1998, foi reconhecida com a criação do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo – Sescoop – instituição que integra o Sistema S brasileiro e objetiva promover a autogestão e difundir a cultura cooperativista, conforme definido pela Medida Provisória nº 1.715/1998 e regulamentado pelo Decreto nº 3.017/1999. Hoje, além da unidade nacional, sediada em Brasília (DF), há 27 unidades estaduais, que trabalham pela sustentabilidade do cooperativismo, promovendo a cultura cooperativista e o aperfeiçoamento da gestão para o desenvolvimento das cooperativas brasileiras.

Como explica Geâne Ferreira, gerente de Desenvolvimento Social de Cooperativas do Sescoop nacional, a instituição objetiva transformar os ideais cooperativistas em atitudes e, para isso, trabalha em três áreas: monitoramento das cooperativas, formação profissional e promoção social dos cooperados e suas comunidades.

“A preocupação é com a capacitação e formação profissional dos colaboradores para que prestem serviços com qualidade e efetividade com a essência do cooperativismo incorporada, sempre trazendo essa espinha dorsal dos princípios e valores”, comenta a gerente do Sescoop, lembrando que “para gerir ou coordenar uma cooperativa é preciso conhecer o diferencial cooperativo, que tem como prioridade as pessoas, a educação e a melhoria das condições de vida das pessoas, sem deixar de lado o aspecto econômico. Essa conscientização se reflete em maior competitividade no mercado”.

Para cumprir suas finalidades, o Sescoop, nas unidades estaduais, mantém amplo portfólio de cursos, desde formação inicial continuada e de qualificação e aperfeiçoamento profissional; cursos de cooperativismo básico para quem tem interesse em trabalhar ou constituir uma cooperativa, que enfocam todas as especificidades das cooperativas. Conta, também, com cursos direcionados a cooperados que se interessam pela participação efetiva em conselhos de administração e fiscal das cooperativas, com conteúdos específicos. Dispõe, ainda, de cursos de bacharelado e tecnólogo em cooperativismo.

Nesse campo, a iniciativa privada e algumas instituições de ensino públicas também se inserem, com formação desde o nível técnico até pós-graduação lato e stricto sensu, MBA, passando por cursos de graduação diversos. O Ministério da Educação e Cultura (MEC) lista 28 cursos aprovados em nível superior (tecnológico e bacharelado), que somam 6.880 vagas, a maior na metodologia de Ensino a Distância.

Algumas cooperativas, como a Unimed do Brasil, criaram suas próprias faculdades, e o Sebrae – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – disponibiliza curso específico para gestão de cooperativas de crédito.

Sejam gratuitos ou não, presenciais ou a distância, a variedade de cursos de formação, informação, especialização, capacitação cresce dia a dia. Mas para que o cooperativismo de verdade desempenhe o papel que lhe cabe na construção de um mundo com justiça social e igualdade, cada um terá de fazer a sua parte, educando-se, formando-se, capacitando-se, especializando-se, dando de si em benefício do todo, postura vinculada à essência da doutrina cooperativista.

Como alerta Eudes Aquino, “há pessoas que estão no cooperativismo e praticam a doutrina, mas há aqueles que estão, mas não são cooperativistas. É obrigação nossa transformar os que estão em pessoas que são. Precisamos estimular o caminho da valorização do cooperativismo brasileiro no Brasil e no mundo. Cada pessoa que se julga um cooperativista tem como buscar dentro de si para transferir sua experiência para o restante do movimento. O cooperativismo não tem eu, tem nós”.

O convite está feito. Novo ano está próximo. Ainda há tempo para se programar. Aceita?

 


Faculdade Unimed: cursos aprovados pelo MEC

A Faculdade Unimed, instituição de ensino vinculada à Fundação Unimed, em outubro, lançou seus dois primeiros cursos de graduação: Gestão Hospitalar e Gestão de Cooperativas. Os cursos tecnólogos ofertados pela Faculdade têm duração de dois anos e meio e as aulas começarão em fevereiro de 2018, após o primeiro vestibular da Faculdade, marcado para o final de 2017.

Criada em 1995, a Fundação tem atuação direcionada à formação profissional de médicos cooperados, dirigentes, gestores e demais colaboradores, capacitando-os a promover transformações em seu ambiente de atuação. Ao longo de sua história, já capacitou mais de 80.000 alunos em seus cursos de pós-graduação (lato sensu e MBA, presenciais, de curta duração e educação a distância. Trata-se de uma instituição sem fins lucrativos, que promove o desenvolvimento de profissionais de alto desempenho na área da saúde a partir de ações educacionais e do compartilhamento das melhores práticas de gestão, contribuindo para o fortalecimento de todo o sistema cooperativo.

Os números confirmam a expertise: mais de 500 turmas de pós-graduação, com 4.400 alunos formados; cerca de 800 turmas de aperfeiçoamento e curta duração realizadas em todo o país, com 14 mil formados; mais de 53 mil alunos capacitados na metodologia educação a distância, totalizando 540 mil horas de treinamento, sendo que apenas o curso ‘Cuidadores de Idosos’, gratuito e a distância, realizado em parceria com o Ministério Público do Trabalho em Belo Horizonte e com o Núcleo de Geriatria e Gerontologia da Universidade Federal de Minas Gerais, conta com 23 mil matriculados. Agregam-se a esses dados, a conclusão de mais de 1.000 projetos de assessoria.

No total, a Fundação, via Faculdade Unimed disponibiliza 18 cursos, sendo quatro de pós-graduação presencial (MBA Gestão de Cooperativas Aplicada ao Sistema de Saúde, Pós-Graduação Lato Sensu Gestão de Cooperativas Odontológicas, MBA Agente de Desenvolvimento em Cooperativas – Ópera e Pós-Graduação Lato Sensu em Gestão de Cooperativas Médicas) e um de aperfeiçoamento: Programa de Governança Cooperativa e Sustentabilidade.


Cursos autorizados pelo MEC

Instituição(IES)Nome do CursoGrauModalidadeVagas Autorizadas
UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA (UFV)COOPERATIVISMOBachareladoPresencial40
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE (FURG)GESTÃO DE COOPERATIVASTecnológicoPresencial45
UNIV DO OESTE DE SANTA CATARINA (UNOESC)GESTÃO DE COOPERATIVASTecnológicoA Distância200
UNIVERSIDADE DE UBERABA (UNIUBE)GESTÃO DE COOPERATIVASTecnológicoA Distância300
FACULDADE DE JANDAIA DO SUL (FAFIJAN)GESTÃO DE COOPERATIVASTecnológicoPresencial100
UNIVERSIDADE CATÓLICA DOM BOSCO (UCDB)GESTÃO DE COOPERATIVASTecnológicoA Distância200
UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA (UNISUL)GESTÃO DE COOPERATIVASTecnológicoA Distância100
UNIVERSIDADE BRAZ CUBAS (UBC)GESTÃO DE COOPERATIVASTecnológicoA Distância2000
UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL (UNIJUI)GESTÃO DE COOPERATIVASTecnológicoA Distância150
UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL (UNIJUI)GESTÃO DE COOPERATIVASTecnológicoPresencial70
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE (UFRN)GESTÃO DE COOPERATIVASTecnológicoPresencial60
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA (UFSM)GESTÃO DE COOPERATIVASTecnológicoPresencial40
UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS (UFPEL)GESTÃO DE COOPERATIVASTecnológicoPresencial40
CENTRO TÉCNICO-EDUCACIONAL SUPERIOR DO OESTE PARANAENSE (CTESOP)GESTÃO DE COOPERATIVASTecnológicoPresencial45
UNIVERS DO PLANALTO CATARINENSE (UNIPLAC)GESTÃO DE COOPERATIVASTecnológicoPresencial100
CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ (UNICESUMAR)GESTÃO DE COOPERATIVASTecnológicoA Distância1500
CENTRO UNIVERSITÁRIO ASSIS GURGACZ (FAG)GESTÃO DE COOPERATIVASTecnológicoA Distância500
INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA SUL-RIO-GRANDENSE – IFSul (IFSul)GESTÃO DE COOPERATIVASTecnológicoPresencial40
CENTRO UNIVERSITÁRIO UNIHORIZONTESGESTÃO DE COOPERATIVASTecnológicoPresencial100
CENTRO UNIVERSITÁRIO UNIHORIZONTESGESTÃO DE COOPERATIVASTecnológicoA Distância500
FACULDADE DE TECNOLOGIA DE ALAGOAS (FAT/AL)GESTÃO DE COOPERATIVASTecnológicoPresencial160
FUNDAÇÃO UNIVERS FEDERAL DO TOCANTINS (UFT)GESTÃO DE COOPERATIVASTecnológicoPresencial60
UNIVER FEDERAL DO RECÔNCAVO DA BAHIA (UFRB)GESTÃO DE COOPERATIVASTecnológicoPresencial70
FACULDADE UNIÃO DE CAMPO MOURÃOGESTÃO DE COOPERATIVASTecnológicoPresencial100
FACULDADE DE TECNOLOGIA DO COOPERATIVISMOGESTÃO DE COOPERATIVASTecnológicoPresencial120
FACULDADE DE TECNOLOGIA INSAEOS (INSAEOS)GESTÃO DE COOPERATIVASTecnológicoPresencial100
Centro de Ensino Superior Riograndese (CESURG)GESTÃO DE COOPERATIVASTecnológicoPresencial100
FACULDADE UNIMEDGESTÃO DE COOPERATIVASTecnológicoPresencial40

 



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