Cooperativismo e startups: a união do futuro

Publicado em: 09 setembro - 2020

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Com a constante aceleração tecnológica, as cooperativas estão atentas às novas formas de negócio e buscam transformar desafios em oportunidades

Com o ecossistema de inovação crescendo de forma rápida, o mundo precisou ficar mais atento aos rumos que estão surgindo nesse novo ciclo mercadológico e, nesse processo, uma forma de empreendimento está conquistando os olhares de uma grande parcela da população: as startups.

De olho nessa tendência que vem se consolidando cada vez mais no mercado como uma proposta de negócio inovadora e com um grande potencial de crescimento, muitas cooperativas brasileiras lançaram programas de inovação para acelerar e contribuir na consolidação de startups de diversos ramos, fazendo com que, nesse processo de transformação da economia, acentuada devido a pandemia do Covid-19, as cooperativas se tornem protagonistas, principalmente pelo fato de possuírem em seu DNA a reinvenção e a superação. Porém, qual é a relação entre o cooperativismo e os novos modelos de negócio?

Palestrante e investidor anjo , Andrea Iorio.

A maioria das startups, que de acordo com o CEO da Agribase, Maikon Schiessl, “tem um papel de causar uma disrupção no mercado trazendo novos modelos de negócios e inovação, seja de produto ou de processo”, valoriza a espontaneidade, a adaptabilidade e a velocidade de ação como diferenciais do seu negócio e muitas, inclusive, não possuem uma hierarquia vertical. Essas são posturas natas enraizadas no molde cooperativo, que propõe uma gestão democrática, com participação livre e baseada em valores de ajuda mútua e compromisso. “Se formos pensar, as startups já nascem trabalhando segundo os pilares da economia digital, um dos quais sendo colaboração, pois são empresas mais horizontais que seguem novas estruturas organizacionais e com menos hierarquias. Para isso, uma união entre cooperativas e startups pode certamente ser uma resposta para o futuro”, comentou o palestrante e investidor anjo , Andrea Iorio.

Analisando de forma geral, os modelos de negócios que estão surgindo hoje, buscam princípios inovadores que o modelo cooperativista possui desde sua criação e que podem gerar vantagem no que se diz respeito a ter ganho de volume e maior poder de negociação no mercado. Porém, é importante lembrar que mesmo sendo um movimento inovador, o cooperativismo ainda tem um grande caminho pela frente para conquistar seu espaço nesse quesito. “Acredito que seja uma forma dos dois polos se ajudarem, empreendedores e cooperativa. Um tem as dores e problemas latentes e outro condições de desenvolver soluções num ambiente de extrema incerteza”, ressaltou Maikon.

Nesse novo contexto, é muito importante que as cooperativas se conectem constantemente com empresas tecnológicas e instituições de pesquisa para aumentar a competitividade e se preparar para o futuro. Com isso, no meio da ascensão das startups, as cooperativas encontraram uma oportunidade para mudar, investindo em novas ideias e projetos que possam contribuir para uma evolução constante e igualitária, porém, a melhor maneira de garantir que essas mudanças aconteçam é obtendo uma sinergia inovadora entre quem está desenvolvendo as tecnologias e quem irá aplicá-las.

As cooperativas precisam abrir suas portas para que as startups se relacionem com as equipes internas, acreditando no potencial dessas empresas e buscando a oportunidade de entregar uma produção mais eficiente e sustentável, objetivos esses que o movimento já possui há tempos.

Quando os caminhos se encontram

O Brasil tem cerca de 13 mil startups, segundo a Associação Brasileira de Startups (Abstartups) e a interconexão com as cooperativas é apenas uma fase das tendências que estão surgindo. Existem muitas especulações e incentivos que projetam a possibilidade de formação de um cooperativismo 2.0 e a geração de cooptechs (cooperativas startups) no país, que atuariam de uma forma mais enxuta, estruturando as estratégias de negócios com base tecnológica. Entretanto, para esse progresso acontecer, é necessária uma mudança profunda na cultura das cooperativas, com o propósito de fortalecer o movimento, renovando sua forma de ação para conquistar mais resultados sociais e econômicos sem perder a sua essência e relação próxima com o cooperado.

Essa cultura, que tem a ver com processos e com a necessidade de estar atento às oportunidades, precisa ser analisada e entendida antes de efetivar qualquer ação. Inovar é fazer diferente, mas antes de tudo é uma metodologia e assim como o movimento cooperativista nos ensina, a inovação não começa na tecnologia, mas sim nas pessoas. “As startups desempenham ao meu ver um papel duplo: obviamente, elas fornecem soluções inovadoras para o mercado (e para as cooperativas), ao criar de forma ágil novos produtos e serviços, mas o segundo papel é que elas ajudam a acelerar a transformação cultural do mercado no qual operam, pois desafiam as empresas e cooperativas tradicionais a acelerarem também o próprio processo de transformação”, completou Andrea.

CEO da Agribase, Maikon Schiessl

Porém, não podemos deixar a tecnologia de lado! A convergência tecnológica permite um avanço rápido das startups e isso faz com que o mercado olhe cada vez mais para elas. Contudo, essa crescente acelerada está desafiando as cooperativas a repensarem seus modelos de negócio e se abrir ao novo, pois não podem ficar para trás. “Antes de conseguirmos acelerar essa colaboração entre cooperativas e startups, precisamos de uma aceleração do processo de transformação cultural das cooperativas para que abracem o digital”, comentou Andrea.

Um modelo colaborativo só tende a crescer e a conexão pode gerar uma melhoria de resultados, seja para as startups, para os associados e clientes e para a comunidade onde as cooperativas estão inseridas. “A economia colaborativa é um movimento de concretização de uma nova percepção de consumo”, frisou Maikon

As startups, assim como a maioria dos negócios, surgem com um objetivo e reunindo pessoas com interesses em comum. A cultura e estratégia que se forma a partir daí não é apenas um aspecto importante para atrair investimento, mas mais que isso, é a essência do negócio.

Podendo contribuir para esse fortalecimento, o cooperativismo se posiciona em uma busca constante em relacionar as pessoas e a inovação para evoluírem juntas, mantendo a valorização do cooperado e caminhando para o futuro, afinal, esse é o novo desafio de uma nova era.


Por Jady Mathias Peroni – Matéria publicada na Revista MundoCoop, edição 95



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