Cooperativismo promovendo saúde

Publicado em: 10 novembro - 2020

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Com respostas rápidas ao avanço da covid-19, por meio da adoção de tecnologias e inovação nas rotinas e processos, as cooperativas do ramo saúde reafirmam sua relevância frente ao sistema de saúde suplementar

Diante da pandemia, as cooperativas do ramo saúde ratificam sua relevância. Para manter um atendimento de qualidade aos beneficiários e garantir segurança a cooperados e funcionários, investiram em inovações e tecnologias. Seguindo os princípios cooperativistas, são capazes ainda de realizar tanto ações educativas com intuito de conter a propagação da doença, quanto de mitigação dos impactos à comunidade. Esta é a primeira grande crise sanitária mundial no mundo globalizado, tecnológico e com amplo acesso à comunicação e informação, lembra Alberto Gugelmin Neto, vice-presidente da Confederação Nacional das Cooperativas Médicas (Unimed do Brasil) e Unimed Mercosul e presidente da Federação Unimed Santa Catarina. Uma pandemia que traz reflexos no modo de vida das pessoas, na ciência e na medicina.

Alberto Gugelmin Neto, vice-presidente da Confederação Nacional das Cooperativas Médicas (Unimed do Brasil) e Unimed Mercosul e presidente da Federação Unimed Santa Catarina.

Segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), 47 milhões brasileiros são beneficiários de planos de saúde oferecidos por alguma das 712 operadoras ativas e com beneficiários; 37% deles atendidos por cooperativas médicas. São 17,3 milhões de beneficiários assistidos por 278 cooperativas médicas em atividade. A Unimed é a principal. “A saúde é a área mais impactada pela pandemia e também o setor que precisa dar respostas mais eficientes à sociedade. Ciente disso e seguindo a missão de cuidar da vida, a Unimed enfrentou a pandemia com mudanças na sua estrutura e na velocidade das decisões tomadas. Demonstrou mais uma vez a força de ser a maior cooperativa de saúde do mundo – conforme a Aliança Cooperativa Internacional (ACI) – e o maior plano de saúde no Brasil”.

Os princípios seculares do cooperativismo são o trunfo das cooperativas. Elas contam, por exemplo, com os princípios da intercooperação, unindo forças; da educação, que contribui à formação dos cooperados; e do interesse pela comunidade, com a realização de ações de solidariedade. “Somos diferentes porque somos cooperativa e a sociedade como um todo já percebe isto”, assegura Gugelmin Neto. “É essencial avaliar que a crise da Covid-19 demonstrou a importância da saúde suplementar no Brasil e do Sistema Unimed, não só no atendimento de 18 milhões de pessoas assistidas pelos seus planos, mas porque, ao cuidar desta parcela da população, possibilita que o SUS dê assistência aos que realmente precisam dos serviços da rede pública. Essa função também é social e valoriza ainda mais todo o trabalho que realizamos”.

A saúde mais tecnológica

A digitalização foi acelerada em todos os setores nesse período pandêmico, inclusive na saúde, com tecnologias vieram para ficar. Presente em 84% do território nacional, a Unimed tem na tecnologia grande aliada. “A crise do novo coronavírus impulsionou pontos relevantes, que devem permanecer e serem aprimorados. A aprovação da telemedicina em maior escala é um deles”, aponta Alexandre Ruschi, presidente da Central Nacional Unimed. “Já a incorporamos em nossos canais de atendimento e está sendo uma ferramenta muito eficiente de orientação e para desafogar a rede de atendimento hospitalar”, declara. “Ela não veio para substituir o contato olho no olho com o médico, mas para somar com mais acessibilidade e agilidade”.

Alberto Gugelmin Neto, vice-presidente da Unimed do Brasil, adiciona que, no movimento, para se tornar ainda mais digital, a Unimed tem, por exemplo, acrescentando novas funcionalidades ao seu aplicativo e ampliando o engajamento digital dos beneficiários. Também estão em andamento a migração do cartão físico para o virtual e uso de plataformas de monitoramento de leitos e pacientes.

A tecnologia na saúde, voltada à proteção de vidas, traz eficiência e serve de apoio aos profissionais, avalia Richard Oliveira, CEO da Unimed Grande Florianópolis. Ele destaca ainda o uso de inteligência artificial na triagem dos pacientes. A ferramenta foi inclusive compartilhada com 17 municípios que fazem parte da área de atuação da Unimed Grande Florianópolis, para que os órgãos públicos pudessem balizar estratégias de saúde e prevenção a partir dos dados gerados.

Inovar é preciso

Alexandre Ruschi, presidente da Central Nacional Unimed

A pandemia potencializou o processo de inovação nas cooperativas médicas. Inovar, de maneira geral, é criar soluções novas, que melhorem o atendimento, a administração ou algum outro aspecto do negócio, e gerem benefícios à empresa que antes não existiam. Alberto Gugelmin Neto sublinha dentre as inovações, a criação de unidades de atendimento específicas para casos suspeitos e confirmados de coronavírus (desde ambulatórios e hospitais de campanha, até laboratórios para exames de detecção da doença); ampliação dos mecanismos de teleatendimento; uso de aplicativos e ferramentas de monitoramento (como o Painel Coronavírus, que reúne dados diários sobre o comportamento da transmissão, agravamento dos casos e ocupação de leitos) para auxiliar a tomada de decisões estratégicas. Junto aos cooperados também houve inovação, por meio de medidas adotadas para a manutenção da remuneração dos profissionais, e mesmo o deslocamento de colaboradores para trabalho em home office também representa inovação para as cooperativas.

Alexandre Ruschi avalia que a transformação digital contribui grandemente para toda essa inovação. Ele aponta que, em meio à pandemia, a inovação acontece inclusive em processos de interação, com substituição de reuniões presenciais por online. “Até nossa Assembleia Geral Ordinária, considerada o evento mais importante do ano que reúne todos os representantes das nossas sócias foi online este ano e atingiu recorde de público. Já conhecíamos essas ferramentas, mas não explorávamos seus potenciais e a pandemia nos fez olhar de forma diferente para elas”.

Richard Oliveira, CEO da Unimed Grande Florianópolis

Destaca-se ainda o alinhamento entre cooperativas, para que pudessem trocar insumos como respiradores e outros recursos, e a união solidária entre Institutos Unimed com o movimento ‘Saúde e Ação’, para arrecadar verba a aquisição de cestas básicas e kits de higiene doados a famílias em vulnerabilidade social. O montante já chega a R$ 2,7 milhões. “A crise é sempre uma janela de oportunidades para aqueles que estiverem atentos às necessidades da situação e agirem prontamente. Com certeza, mesmo após a pandemia essas ações poderão ser adaptadas e aprimoradas para atender outras demandas”, assegura Ruschi.

Richard Oliveira, CEO da Unimed Grande Florianópolis, aponta que a cooperativa implanta inclusive uma área de Inovação Aberta, para provocar mudança cultural e estimular os colaboradores a contribuírem com ideias inovadoras. “Acredito que ser inovador nesse momento é estar atento ao mercado, firmar parcerias com empresas que entregam valor (nesse sentido, estamos com parceria firmada com 21 startups que atuam em diversas áreas da Unimed Grande Florianópolis), tornar os processos mais ágeis e livres das burocracias e permitir às pessoas gerenciarem o produto/serviço de onde estiverem, pelo celular”. 

Cooperativa odontológica também se reinventa na pandemia

Luiz Humberto, presidente da
Dental Uni Cooperativa Odontológica

Luiz Humberto, presidente da Dental Uni Cooperativa Odontológica, conta que foi preciso à cooperativa também se reinventar para enfrentar as alterações causadas pela pandemia. Além de monitorar a evolução da doença, informar e orientar seus públicos e adotar tecnologias para realização de processos de forma remota, a cooperativa realizou inclusive ações de aporte financeiro a seus cooperados, seguindo o espírito cooperativista. “Ficamos preocupados com os cooperados que, em muitos casos, tiveram que fechar seus consultórios nos meses de março e abril. Por isso, a Dental Uni prestou auxílio financeiro, com adiantamento da produção, e disponibilizamos a devolução de uma parte das cotas-partes”, diz o presidente. 

“A Dental Uni tem dois grandes diferenciais. O primeiro ter sido criada e administrada por dentistas; trajetória baseada em comprometimento com a qualidade e excelência no atendimento. O segundo é sempre seguir os princípios cooperativistas”, acrescenta. “Destaca-se dos demais concorrentes ao seguir os princípios da participação democrática, solidariedade, independência, equilíbrio e autonomia financeira”. Para o futuro, Luiz Humberto acredita na ampliação datransformação digital e internet das coisas e que a cooperativa terá de atender pacientes mais exigentes, o que demanda investimentos constantes em inovação. “É importante que tanto as empresas, quanto os profissionais estejam sempre se reinventando e se adaptando às transformações do setor”.


Por Nara Chiquetti – Matéria publicada na Revista MundoCoop, edição 96



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