As empresas do futuro: rumo a uma gestão saudável e bem-sucedida


Gestão


Mais do que alinhar cultura organizacional e estratégia, é necessário, desde já, viver a era do colaborativismo

Gestão de pessoas e futuro das empresas são conceitos que se interconectam para a sobrevivência das organizações desde já. O processo vai além da reestruturação e exige alinhamento entre a cultura organizacional e a estratégia, temas dependentes da revisão do aspecto estrutural das organizações, que, cada vez mais, deverão adotar metodologia de gestão horizontal e com menos níveis hierárquicos.

“A empresa do amanhã tem de viver, de fato, o seu DNA e a sua proposta de valor”, define Claudia Santos, especialista em gestão estratégica de pessoas, coach executiva e diretora da Emovere You.

A reflexão sugerida por Claudia Santos passa pela busca de respostas a algumas questões, tais como “as companhias têm uma estratégia e sabem qual é? Seus líderes estão conectados com a estratégia? Sua equipe possui as habilidades, atitudes e competências para enfrentar o momento desafiador que está chegando?”.

Mas o cenário do futuro – que já se delineia no presente – agrega outro ponto importante e cada vez mais vivo nas organizações: a era do colaborativismo chegou de fato, exigindo equilíbrio das relações e valorização dos colaboradores que passam a participar de modo efetivo de soluções e decisões importantes.

Administração colaborativa

“Esse modelo de gestão sustentável permite que as empresas iniciem um processo de amadurecimento e de inovação, cultivando os pilares da organização, mas refazendo a forma de atuação, que se torna mais dinâmica e proativa”, afirma Marcos Weber, diretor da Cloud2Go, definindo a Rede Social Corporativa como “uma opção inteligente para os empreendedores que desejam migrar para essa administração colaborativa. Além da conexão interna mais integrada entre colaboradores de diversos locais do mundo, a solução também faz com que colaboradores, fornecedores e clientes aproximem-se uns dos outros”.

Essa conexão pode favorecer à organização a base para redefinição de sua estrutura, pois, como alerta a diretora da Emovere You, “uma organização que foca e revê os seus propósitos e cria conexão direta com os propósitos dos seus colaboradores tem metas e processos definidos, é pode traduzir a estratégia para a força de trabalho, melhorando a eficiência operacional”.

Hierarquia e heterarquia

Prevendo que a empresa do futuro não terá hierarquia, mas sim heterarquia – que define como “uma estrutura informal que muda conforme a necessidade e que, para funcionar, exige que todos os colaboradores sejam importantes – Claudia Santos conclama todos à compreensão, desde já, da importância do estabelecimento de “um ambiente colaborativo capaz de estimular a criação e a inovação. E isso só é possível em uma cultura justa e de confiança, descentralizada, sem barreiras hierárquicas, em que se permita o erro como parte do processo evolutivo e de aprendizado”.

Essa estrutura – garante Santos ­– forma organizações sistêmicas e criativas, onde “todas as pessoas têm valor, e o que as rege não é o cargo, mas sim a responsabilidade enquanto liderança mais fluida”, comparando a nova estruturação ao cérebro humano, que “não é hierárquico, pois as diferentes áreas e capacidades são recrutadas em combinações diferentes, conforme a tarefa”.

Ressaltando que a Rede Social Corporativa não é uma solução nova, Weber entende a forma de utilizá-la como inovadora e avisa: “aquele que souber enriquecer o seu conteúdo e otimizar o tempo de demandas e serviços é o que sobreviverá íntegro e ativo no mercado. Por isso, investir nessa ferramenta é um jeito inteligente de integrar equipes, intercomunicar tarefas e processos, centralizar e padronizar informações e melhorar a captação, troca e tratamento de dados”. Ou seja, “é um instrumento poderoso para melhorar a comunicação corporativa, atingindo um patamar de agilidade e assertividade que certamente terá respingos de sucesso entre colaboradores, gestores e clientes da empresa”.

Coerência e inserção

Essa posição caminha na mesma direção descrita pela especialista em gestão estratégica de pessoas, para quem “o capital humano sempre será o motor competitivo das companhias. O talento, a energia, o insight e a oportunidade estarão cada vez mais centrados nas pessoas. Afinal, é delas que surgem as ideias, são elas o melhor sistema de alarme e todos os riscos e todas as oportunidades estarão na força do trabalho. A empresa é um sistema e, como tal, deve haver congruência da teoria com a prática, do que se prega como valor, propósito, missão e visão com o que se vê no dia a dia. Os colaboradores serão diferenciados somente se forem tratados como seres humanos integrais, se a companhia demonstrar que confia neles e os reconhece”.

Atenta para o fato de que os membros das equipes darão mais de si no trabalho e toda energia, imaginação e ideias ficarão disponíveis para todos na organização, Santos insere um dilema a ser equacionado rapidamente, pois se um colaborador se perguntar “por que devo me dedicar a um sistema que não se preocupa comigo?”, a empresa “não estará preparada para ser competitiva e para esse futuro interdependente”. O caminho sinalizado por ela está na criação de equipe engajadas e no fortalecimento do capital social da companhia.

Esse cenário abre portas para uma nova forma de evoluir e se relacionar, uma vez que “desde a conquista de um novo cliente até o desenvolvimento de um promissor produto são temas a serem compartilhados entre os colaboradores da organização, não apenas para que participem do processo todo, mas para que se sintam dentro dele”, estimula Weber.

“Não há outra forma de seguir firme e forte na corrida pelo tempo perdido, pelos negócios represados pela recessão e por novos objetivos para melhorar resultados: cercar-se de ferramentas criativas, úteis e funcionais é a resposta. Tecnologia bem aplicada é a chave para reduzir complexidade e otimizar o trabalho”. Em outras palavras, Weber garante que “estratégia e tecnologia são aliadas para o alinhamento corporativo rumo a uma gestão saudável e bem-sucedida”.



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