Guia de responsabilidade social


Gestão


Boas práticas em sustentabilidade reduzem incêndios em área cultivável

O projeto Gestão Preventiva de Incêndios, desenvolvido pela área de Saúde, Segurança e Meio Ambiente (SSMA) do Polo Ribeirão Preto da Biosev, na safra 2015/2016 e premiado em 2016 pelo Benchmarking Brasil, apresenta como principal resultado a própria redução dos incêndios agrícolas na região em lavouras de cana de açúcar, atendendo, assim, a motivação inicial.

De acordo com supervisora de SSMA da Biosev, Carina Spíndola, o programa reduziu em 78% a área cultivável atingida por incêndios e, em 99%, a incidência em áreas de preservação permanente (APP), gerando economia de R$ 2,8 milhões no Polo Ribeirão.

Desenvolvido em 10 regiões no interior de São Paulo, totalizando influência em 29 municípios, o projeto envolveu mapeamento das propriedades agrícolas, estruturação de avaliação de riscos com aplicação de check list por propriedade, definição da criticidade quanto ao risco de incêndio e desenvolvimento de campanhas educativas.

O projeto contou com a participação de 15 pessoas das áreas Agrícola (Controle Agrícola, Desenvolvimento Agronômico e Geoprocessamento) e Ambiental da unidade Santa Elisa, localizada no município de Sertãozinho (SP). Além disso, a Biosev buscou parcerias estratégicas com instituições como a Única (União da Indústria de Cana de Açúcar) e a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), prefeituras e secretarias municipais, entre outros.

Detalhamento

Mesmo sendo colhida crua por máquinas e deixando de ser queimada, as plantações de cana têm nos incêndios pontos de atenção, com prejuízos no campo e nas cidades, para o produtor e também para o meio ambiente. A origem está na palha crua que fica no campo, após a colheita, e que, quando incendiada, além do prejuízo ambiental, afeta a atividade biológica do solo, causando perda de matéria prima e prejudica a próxima safra. Além disso, os incêndios não atingem apenas os canaviais, mas também matas e reservas ambientais. Nos meses mais críticos do ano, quando a umidade relativa chega a 22% e os ventos, 13Km/h, a probabilidade de ocorrência de incêndio em canavial com propagação em área de preservação permanente é alta.

As ações partiram do efetivo controle das fontes de risco, conhecendo como os focos de incêndios ocorrem, quando e onde eles acontecem. As informações para o desenvolvimento do projeto foram organizadas através de um registro individual da ocorrência de incêndios, que forneceu as estatísticas necessárias para a gestão preventiva. Nesse sentido, os dados mais frequentes de pesquisa são: causa, época, local e a extensão da área queimada. Após a observação dos dados estatísticos, foi estabelecida uma meta de redução/eliminação em 100% das áreas de preservação permanente atingidas por incêndios.


Marcus Nakagawa, sócio-diretor da iSeto

Sustentabilidade corporativa: questões atuais e futuras

O Desenvolvimento Sustentável é um caminho sem volta e, por isso, “é preciso que as empresas, universidades, governos e ONGs, insiram este tema em suas estratégias de atuação, nas suas missões e, principalmente, no seu dia a dia”. Esse alerta é de Marcus Nakagawa, sócio-diretor da iSeto, professor da graduação e pós da ESPM, consultor e palestrante sobre sustentabilidade, empreendedorismo e estilo de vida, que, em 2011, idealizou a Associação Brasileira de Profissionais pelo Desenvolvimento Sustentável (Abraps), respondendo pela Direção administrativa da instituição.

Como explica Nakagawa, os objetivos da Abraps compreendem promover o desenvolvimento sustentável e representar formalmente os profissionais de sustentabilidade na defesa de seus interesses, tornando a atividade legítima e reconhecida pela sociedade, além de articular e mobilizar os profissionais dedicados ao assunto, compartilhar, fomentar e construir conhecimento, ciente de que a implementação e a ativação dos programas nas empresas e organizações sempre serão de responsabilidade de todos da organização.

Nesta conversa com a MundoCoop, Nakagawa fala sobre sustentabilidade corporativa, a situação das empresas brasileiras nesse campo e a contribuição que pode ser dada inclusive pelas cooperativas.
Boa leitura!

Como vem evoluindo a sustentabilidade corporativa no Brasil?
A sustentabilidade corporativa está cada vez mais aumentando nas grandes empresas, pois, o mercado, os acionistas e a pressão das ONGs vêm aumentando juntamente com as mídias sociais que estão ajudando a melhorar ou piorar a imagem delas. Ainda nesse cenário, as grandes empresas estão ajudando a fortalecer o tema exigindo o mínimo em relação a questões ambientais, sociais e atualmente questões éticas das pequenas e médias empresas que atuam como suas fornecedoras.

Como formar e gerir profissionais para mediação entre empresas e comunidades? Quais as características e as competências essenciais a esses profissionais?
Existem metodologias, cursos e formas para este tipo de mediação. Mas o principal é ter o bom senso, a interpessoalidade, entender o problema do outro e ter um foco em comum. Estamos andando muito a caminho da individualidade e as pessoas não entendem que não é possível serem totalmente individualistas e ainda assim conseguirem viver em sociedade. Ter resiliência, entender o problema do outro como o seu, buscar um foco em comum para o desenvolvimento sustentável são as características e competências deste profissional, obviamente, além de todo conhecimento técnico sobre o tema para uma gestão empresarial, numa ONG, num negócio de impacto social ou na universidade.

Quais as questões atuais a serem consideradas pelas corporações quando se fala em sustentabilidade corporativa?
As questões atuais estão ligadas a incorporar a sustentabilidade na estratégia de negócios, colocar o tema nos fóruns dos vice-presidentes, presidentes e diretorias das empresas. O tema tem de estar em todos os departamentos, no produto, no serviço da empresa, nos processos produtivos e no dia a dia de todos os funcionários, começando principalmente pela cultura e ética da empresa.

E para o futuro, como se preparar para as questões futuras? Quais são elas?
Pensando principalmente qual o impacto social e ambiental da empresa e quais são as suas necessidades em um mundo no qual os recursos são finitos e as pessoas cada vez mais precisam ser inclusas e participativas, com suas necessidades básicas garantidas. Pessoas que entendam as necessidades das outras para construir um efetivo desenvolvimento sustentável. Os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável são uma ótima base para as empresas trabalharem em comum, pois estão todos os tópicos que precisamos melhorar como humanidade.

Dicas para as empresas/cooperativas implementarem os processos
Primeiro definam muito bem a missão e por que trabalharão juntos. A liga que une as pessoas é muito difícil de ser definida e precisa ficar clara para todos. Quando se tem uma missão clara e o que cada um individualmente ganhará, será mais fácil. Segundo entendam as competências e necessidades de cada um. Para os processos funcionarem temos que entender o outro e como podemos trabalhar melhor em conjunto. Quais são as competências, quais são as não competências, quais são as dificuldades, quais são os sonhos individuais, quais são as facilidades, enfim, tentar mapear todos estes pontos para que as “engrenagens” do processo não fiquem “patinando” e futuramente quebrem. E, por último, terem muito claro o objetivo a curto e longo prazo que o grupo quer chegar. É necessário quantificar e ter datas para isso com números, prazos e responsabilidades, para assim ter uma boa gestão.


 

Ação renove da Cargill recicla 6 mil litros de óleo vegetal

Com planos de implementar a coleta de óleo de sola no Rio de Janeiro, em Belo Horizonte e em Salvador, a rede KFC e a Cargill comemoram a reciclagem de 6 mil litros de óleo vegetal usado em cinco restaurantes da rede realizada desde junho de 2016, quando a rede de restaurante aderiu ao programa Ação Renove o Meio Ambiente. A iniciativa tornou possível a prevenção de 150 bilhões de litros de água que poderiam ser poluídos por esse resíduo.

Desde sua implantação, em 2010, a Ação Renove já arrecadou mais de 1,5 milhões de litros de óleo residual, quantidade suficiente para poluir até 37,5 bilhões litros de água potável, o que representa o volume de água necessário para abastecer as necessidades básicas da população da cidade de São Paulo, com 11.967.825 pessoas por 28 dias. Esse cálculo é feito com base em informação da Organização das Nações Unidas, que estima que cada pessoa necessita de 3,3 mil litros de água por mês (cerca de 110 litros de água por dia para atender as necessidades de consumo e higiene).


Estudo aponta necessidade de reavaliação de áreas prioritárias

Estudo sobre as causas do baixo uso pelos agricultores de crédito no Programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC) realizado para o Observatório ABC pelo engenheiro agrônomo e doutor em economia aplicada Alexandre Mendonça de Barros, diretor-sócio da MB Agro, constatou que não há restrição de oferta, mas sim de demanda por parte dos produtores nas áreas consideradas prioritárias pelo Programa no Norte e Nordeste (Bahia, Maranhão, Piauí e Tocantins).

A falta de demanda resulta do risco embutido na recuperação de áreas degradadas, o que desmotiva o produtor a procurar o crédito rural. Entre as principais conclusões do estudo está o fato de que as áreas selecionadas como prioritárias pelo Programa são aquelas com maior risco climático, têm alto risco econômico e não são cobertas pelas principais rotas logísticas de exportação do Brasil. Além disso, dificilmente propiciam sistemas de integração entre lavoura e pecuária ou produção de madeira. As taxas de juros e o preço do boi na região são outros pontos que impactam no Programa ABC, de acordo com Mendonça de Barros.

 



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