Inovação é Coop

Publicado em: 17 dezembro - 2019

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Um dos mais badalados eventos de inovação da América Latina, o HSM Expo 2019 trouxe o tema “Ouse Aprender” e o jogou foco no cooperativismo

Por mais que a palavra inovação remeta a tecnologia e aspectos futurísticos, inovar é um processo muito mais simples e humano do que parece. A verdadeira inovação é fruto da percepção de alguém que, analisando a situação presente, consegue enxergar uma forma de transformá-la.

Esse, aliás, foi o tema de um dos eventos mais importantes da América Latina, que aconteceu nos dias 4, 5 e 6 de novembro, em São Paulo, o HSM Expo 2019. Trazendo o tema “Ouse Aprender”, o evento buscou incentivar as pessoas a ter ousadia para mudar as mais diversas realidades e acreditar verdadeiramente na inovação.

Se inovar é um ato inerente ao ser humano, nada mais lógico que enxergá-lo naturalmente dentro de uma organização formada por pessoas, como é o caso do cooperativismo. Por isso mesmo, o HSM deste ano enfatizou o cooperativismo com o tema “Coofuturo”, apoiado pela Organização das Cooperativas Brasileiras, Sistema OCB, para a discussão e reflexão a respeito da construção de um futuro próspero e inovador para quem faz, ou ainda não, parte desse movimento justo, equilibrado e sustentável.

O primeiro dia de evento foi inaugurado com a palestra do professor e autor do Framework de Inovação, Ricardi Yogui, trazendo a questão “a colaboração é uma das formas de inovar ou a única?” para explicar que, atualmente, o novo paradigma é a construção em comunidade, pois é impossível pensar em inovação sozinho. Além disso, e também falando em coletividade, o presidente da OCB, Márcio Lopes, reforçou que incentivar o relacionamento entre as pessoas é o que gera confiança e a confiança é o que mantém o modelo cooperativista em pé.

Em seguida, o CEO da 08 Inovação Consciente, Jan Diniz, trouxe para todos uma nova visão a res- peito do que é preciso desaprender para evoluir coletivamente. Para ele, o cooperativismo por si só tem a inovação em seu horizonte e por isso merece uma atenção especial. Muitas vezes o objetivo principal se torna buscar soluções nas inúmeras tendências que surgem, porém lideranças e cooperados também precisam olhar para dentro de suas organizações e perceber seus posicionamentos, ações e atividades que já fazem a diferença no dia a dia para, assim, aprimorarem ainda mais seus impactos positivos. “A inovação não é uma pessoa, um cargo, um ambiente. É construir sabendo que no final vai ter que desconstruir”, afirma.

É visível a importância de enxergar os pequenos processos dentro das próprias organizações que podem virar grandes feitos inovado- res. No entanto, além de se preparar internamente antes de absorver inovações de influências externas, é preciso ter a visão ampla do que está acontecendo no mundo.

Questionando “como despertar o potencial disruptivo das cooperativas” a Co-fundadora da Conferência Crowdsourcing Colaboração e Co-criação e sócia diretora da Mutopo, Marina Miranda, abriu o segundo dia de palestras. Para ela, o ambiente de startups cresceu nos últimos tempos porque quebra a hierarquia e a burocracia e traz rapidez e eficácia ao mercado, mas, também representam o poder da multidão no mundo dos negócios. Isso nada mais é do que a colaboração!

A ordem agora não é mais o que fazer, mas sim, pelo que fazer. E é por isso que cooperativas precisam aprender a se beneficiar de ideias desse tipo de negócio pois são mo- vimentos que se correlacionam.

Estar aberto as mudanças, atento as culturas diferentes e conseguir adaptá-las a sua realidade é o que faz a diferença. “É necessário entrar em contato com aceleradoras, incluir elas no interno da cooperativa para que soluções e ideias surjam através de startups e, principalmente, incentivar seus colaboradores a ter a mente empreendedora e até virar uma startup que funcione internamente”, declarou.

Conceitos de como inovar não passam de apenas teorias se não se sabe como aplicar verdadeira e positivamente dentro da organização, empresa e, principalmente, cooperativas. A inovação está na transformação da cultura.

No mesmo estande, a gerente de Comunicação da OCB, Daniela Lemke, e a especialista em marketing digital Martha Gabriel, expuseram sobre “Transformação, colaboração e impacto: como as marcas podem mudar o mundo?”, deba- tendo o que isso impacta no setor cooperativista.

Quando o assunto é marca, logo entra em discussão grandes nomes que são lembrados nos quatro cantos do mundo. Para Daniela, a marca é feita de pessoas para as pessoas, é o que passa a verdade e conecta a relevância e nosso emocional, por isso é necessário que a marca “cooperativismo” seja mais acentuado e demonstre para as pessoas qual é o verdadeiro significado do movimento. “É essencial reafirmar o que o cooperativismo já faz como uma organização que trabalha o econômico e o social”, afirma.

Para ser uma das marcas que mudam o mundo, é preciso levantar a bandeira cooperativa como um movimento que valoriza a transformação e nisso basear sua marca. E, além disso, sabe contar as histórias que representam o que o cooperativismo realmente é para as comunidades e pessoas.

Para Martha, uma marca pode- rosa contamina todos os produtos sem precisar de muita explicação e o cooperativismo precisa alcançar essa premissa. É essencial disseminar os ideais e princípios a partir do conceito de cooperação para que, a partir disso, todos os seus ramos e vertentes sejam vistas, conhecidas e assim, valorizadas como o modelo socioeconômico do futuro. “Narrar boas histórias de inovação é o que constrói o futuro, isso é coofuturo”, conclui.

Foco nas pessoas

O Diretor de Marketing e Ambientes Digitais da Tecnisa, Romeu Busarello, falou sobre a importância de sair do ego-sistema e entrar no eco-system, pois quanto mais conexões, mais ideias e quanto mais ideais, mais soluções. Interna ou externamente, todo processo precisa de colaboração.

Marco Aurélio Almada, Diretor-presidente do Bancoob
Foto: Diego Buaravelli

O superintendente do Sistema OCB, Renato Nobile, o diretor-presidente do Bancoob, Marco Aurélio Almada e o diretor-executivo da Sicredi Serrana, Odair Dalagas-parina, salientaram o fato de, em um mundo com cada vez mais engajado, as pessoas procurarem nas marcas o interesse verdadeiro pelo bem comum e um real significado. E é por isso que as cooperativas se destacam, por já nascerem acreditando que esse fato humano faz a diferença.

130 speakers e mais de 6 mil participantes ao longo de três dias

O especialista em escutatória, Thomas Brieu, ressaltou a importância da comunicação, tanto de lideranças cooperativistas com os cooperados quanto da cooperativa com a sociedade. A escuta empática é a primeira fonte de engaja- mento e colaboração, pois escutar transforma conflitos em negociações e, desse modo, abrem os caminhos para se atingir o verdadeiro propósito.

A gerente de relações institucionais da OCB, Fabíola Nader, levantou a seguinte questão, “é possível unir desenvolvimento social e econômico?”. Segundo ela, o futuro caminha cada vez mais para uma comunicação horizontal e em rede, por isso é extremamente necessário perceber o impacto da coletividade e, assim, evitar priorizar interesses individuais. Essa mudança de comportamento é o que faz a diferença em meio aos avanços tecnológicos e mais do que prever um futuro, pode verdadeiramente criá-lo. “A disrupção não depende da tecnologia, depende das pessoas”, conclui.


Por Fernanda Ricardi – Matéria publicada na Revista MundoCoop, edição 91



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