Máquinas autônomas e que se comunicam entre si

Publicado em: 29 julho - 2019

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A despeito de todo imenso manancial de problemas sociais, políticos e econômicos, o Brasil desde sempre é visto como o “celeiro do mundo”. Bom clima, terras férteis e dimensão continental são fatores naturais que fazem com que a agricultura nacional esteja sempre em destaque. Contudo, nos últimos vinte anos, um outro fator importante entrou, literalmente, no campo. A tecnologia. Ao aliar natureza favorável com equipamentos de última geração, a agricultura nacional deu um salto nunca antes nem sequer imaginado. 

O Brasil está entre as maiores potências mundiais na produção de proteína animal e de grãos. E com o emprego contínuo de tecnologia e inteligência genética, a produtividade deu saltos extraordinários. O mundo, em evolução econômica, com mais pessoas em condições de se alimentar dignamente, precisa de mais alimentos. Os demais países têm limitações para aumentar a área produtiva, o Brasil ainda tem como expandi-las em mais de 30% sem nem tocar em suas reservas florestais. É um índice agriculturável que nenhum outro país tem condições de alcançar. Por isso mesmo que a atenção de países em franco processo de expansão, como a China, se volta para o Brasil. Afinal de contas, quem cresce precisa, inevitavelmente, alimentar melhor sua população. 

E como mais produtividade agrícola significa, além de mais alimentos para quem precisa se alimentar, também mais riqueza para quem produz, a tecnologia agrícola ganha espaço no Brasil. “A agricultura está cada vez mais ligada a novas tecnologias e ferramentas que possibilitem gerenciar o negócio de maneira profissional”, diz Diogo Melnick, gerente de Marketing Comercial da Case IH.

De acordo com Melnick, a produção agrícola continuará em um crescimento positivo pois “temos tudo o que necessitamos para que assim seja: recursos naturais, tecnologia e, principalmente, em termos de empreendedorismo, determinação e esforço dos agricultores”.

Quando se diz que “o Brasil é o celeiro do mundo” não é só força de expressão. Alexandre Blasi, diretor de mercado Brasil da New Holland Agriculture, diz que essa constatação é lastreada em estudos científicos. “Diferentes organizações e estudos apontam a América do Sul, principalmente o Brasil, como os grandes fornecedores de alimentos para o mundo nas próximas décadas, não apenas grãos, mas proteínas”. 

Blasi comenta que nenhuma outra região do mundo tem o potencial agrícola do País. “Nas últimas décadas, a produção nacional de grãos que era de 38 milhões de toneladas, em 1977, cresceu mais de seis vezes, atingindo 236 milhões em 2017. No mesmo período, a área plantada apenas dobrou. O resultado foi possível com o aumento de produtividade”. Com o desenvolvimento e a adoção de novas tecnologias, a agricultura brasileira deu um salto no rendimento médio por hectare em praticamente todas as culturas. “O produtor brasileiro tem investido cada vez mais em mecanização, novas tecnologias e adoção de boas práticas agrícolas. O Brasil tem potencial para aumentar ainda mais a produtividade das lavouras”.

Conectividade e veículos autônomos

Se na Europa as pessoas já estão começando a presenciar testes com veículos autônomos, na lavoura brasileira essa novidade está em operação regular. Fabricantes de caminhões como Mercedes-Benz e Volvo já estão vendendo caminhões autônomos que trabalham na colheita de cana. São veículos desenvolvidos no Brasil, com tecnologia e startups nacionais.

“Em termos de máquinas uma das maiores revoluções do agronegócio será sem dúvida o uso de máquinas autônomas, com a digitalização da agricultura e a chamada ‘servitização’ (transformação de produtos em serviços)”, comenta Melnick, da Case. A tendência é que frotas autônomas ganhem espaço no campo. “Contudo, ainda estamos em uma fase preliminar, na qual sequer temos uma legislação que regulamente o uso de máquinas autônomas”. 

Outro dificultador apontado por Melnick é a falta de conectividade no campo, que impede o produtor de obter 100% de proveito das tecnologias que as máquinas oferecem. E para resolver essa questão, a Case IH integra o ConectarAgro, iniciativa conjunta com outras empresas, que tem por objetivo conectar o campo brasileiro de forma efetiva, por meio da tecnologia 4G LTE 700MHz.

Com a conectividade, o uso de dados para melhorar a produtividade será fundamental diante do aumento da população mundial, já que o produtor do futuro terá de fazer a gestão dos dados, além de produzir bem. Independentemente do tamanho, terá de ser profissional.

Para trabalhar com dados de forma mais precisa, a Case IH desenvolveu o AFS Connect, solução para monitoramento de frota, gestão agronômica e gerenciamento de dados em tempo real. O AFS Connect agrega ferramentas como imagens de satélite, drones, piloto automático, telemetria, sistemas de aplicação e meteorologia para que o produtor tome decisões cada vez mais assertivas. Ele também possibilita diagnósticos remotos e atualização dos softwares das máquinas em tempo real.

A New Holland, empresa irmã da Case – ambas pertencem ao grupo CNH Industrial -, afirma que tecnologias disponíveis no campo já estão se ‘comunicando’ com o produtor rural. Atualmente, o desafio atual está em fornecer soluções de comunicação que sejam simples, acessíveis e conectáveis. Uma verdadeira conectividade, que não pode ser restritiva, fechada e limitadora. “Quem conecta com a New Holland é o cliente”, afirma Rafael Miotto, vice-presidente da New Holland Agriculture para a América do Sul. “A nossa proposta é conectar com liberdade. Na New Holland, o produtor é o centro das nossas soluções”, complementa.  

O ConectarAGRO tem por objetivo conectar o campo brasileiro de forma aberta, efetiva, integradora e democrática, por meio da tecnologia 4G LTE de 700 MHz. Os apoiadores da iniciativa esperam que até 5 milhões de hectares sejam cobertos até o fim de 2019. 

Segundo Diogo Melnick, essa solução irá ajudar a aumentar o nível de disponibilidade das máquinas durante o trabalho no campo, “já que a tendência é termos cada vez mais tratores e outros equipamentos trabalhando nas propriedades e em janelas cada vez mais curtas, seja no plantio, colheita ou tratos culturais”.

Em um futuro próximo, as máquinas irão cada vez mais falar entre si. Já o agricultor será mais do que nunca um gestor profissional do seu negócio. Cada dia mais, o produtor tem ciência de que mais do que aumentar o tamanho da sua propriedades, é preciso aumentar a sua produtividade e rentabilidade, nesse sentido ele precisa trabalhar com tecnologia e atento as novidades do mercado. Diz Melnick: “Nessa linha, podemos citar alguns exemplos básicos, como o  uso de piloto automático; os mapas com linhas de plantio e pulverização, obtidos por meio de drones; o sistema de pulverização com alta precisão, que controla vazão, faz taxa variável e compensação de curvas (AIM Command Flex); ferramentas de monitoramento de frota, gestão agronômica e gerenciamento de dados em tempo real”. 


Por Mauro Cassane – Matéria publicada na Revista MundoCoop, edição 88



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