Ninguém cresce sozinho

Publicado em: 15 janeiro - 2019

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A aposta no cooperativismo não é só de profissionais que querem se unir para ofertar produtos e serviços de qualidade. Grandes empresas já perceberam a importância do sistema para seus próprios negócios

Os números não negam, o movimento cooperativista no Brasil está ganhando cada vez mais força e chamando a atenção de uma diversidade de elos da cadeia econômica nacional. Ao todo são 6,9 mil cooperativas dos 13 ramos de atuação, 14,3 milhões de cooperados e 398,1 mil empregados. Só no agronegócio, por exemplo, dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontam que 48% de tudo que é produzido no campo passa, de alguma forma, por uma cooperativa. Este ramo também foi responsável pela exportação na ordem de US$ 6,16 bilhões em 2017, segundo levantamento da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), incremento de aproximadamente 20,07% em relação ao ano anterior. O cooperativismo de crédito é outro grande destaque, especialmente pela capilaridade que alcança no País, sendo, muitas vezes, a única opção bancária de alguns municípios.

A questão é que, se você não compreender o modelo de negócio deste movimento, possivelmente não conseguirá fechar uma parceria de sucesso. Foi percebendo isso que muitas empresas, inclusive multinacionais, desenvolveram projetos exclusivos para comercializar seus produtos via cooperativa. É o caso da Basf, que identificou a necessidade da construção de uma equipe dedicada e exclusiva de trabalho junto ao sistema, com profissionais especializados em modelo cooperativo de negócios. “As cooperativas agropecuárias possuem atuação em diferentes cadeias de valor do agronegócio e têm características específicas quanto a forma de se relacionarem com seus agricultores e cooperados”, comenta Gustavo Bastos Alves, gerente de Acesso ao Mercado da companhia alemã.

A Basf acredita que o maior entendimento das especificidades de cada região, cultivo e modelo de negócios permite maior assertividade das ações e investimentos, diz Gustavo Alves

Em função disso, a empresa criou uma plataforma, chamada Cooperar, que permite maior aproximação e entendimento das necessidades de cada cooperativa, proporcionando o desenvolvimento destes parceiros. A estratégia é buscar sinergia entre os valores do cooperativismo e da Basf, tendo como foco principal o sucesso do agricultor na busca por mais produtividade e mais rentabilidade. Alves explica que expandir essa colaboração é uma forma relevante de acessar o agricultor, levando mais conhecimento e tecnologias a diferentes regiões e cultivos. “As cooperativas se revelam um meio extremamente eficiente na transferência de tecnologia. A integração e a verticalização da cadeia produtiva que as viabilizam vêm ganhando força ao longo dos últimos anos e garantindo diferenciais competitivos, pela liquidez da produção.”

O gerente comenta, ainda, que por meio do programa Cooperar sua equipe especializada consegue atender o agricultor da melhor maneira possível e levar a ele tecnologias e soluções que permitam ganhos de produtividade e rentabilidade, de acordo com a realidade em que ele está inserido. Ao todo, essa associação engloba 400 mil agricultores. “Com isso, não somente aumentamos nossa participação nos negócios das cooperativas parceiras, como também impulsionamos o crescimento das mesmas, por meio da expansão em mercados ainda não explorados e maior competitividade nos mercados que já atuam”, conclui.

Sobrenome com razão

Outra companhia que enxergou o potencial do cooperativismo foi a Icatu Seguros. Tanto que ao longo de 20 anos formou uma equipe de 200 profissionais especializados no atendimento ao sistema. Cesar Saut, diretor de Cooperativismo da seguradora, comenta que é preciso compreender muito bem a essência deste movimento para conseguir atuar com excelência. Isso porque todas as pessoas que compõem cada cooperativa, independentemente da atividade que exerce nela, é dono e não se pode fazer diferenciação entre elas. O que é bom para o chão de fábrica, por exemplo, é igualmente positivo para o presidente e vice-versa. Ambos devem ter acesso ao mesmo tipo de produto.

A marca foi desenvolvida para identificar essa equipe especializada, familiarizada, treinada e habilitada para atender a esse segmento, enfatiza Cesar Saut, sobre a Icatu Coopera

Saut explica que no decorrer de sua gestão na área entendeu que era importante diferenciar essa equipe, uma vez que esses profissionais precisavam realmente se apossar do espírito cooperativista, e assim criou a Icatu Coopera. “A marca foi desenvolvida para identificar essa equipe especializada, familiarizada, treinada e habilitada para atender a esse segmento. Foi uma estratégia de negócio e não de marketing. Não é uma embalagem sem conteúdo e sim um conteúdo que recebeu nova embalagem”, reforça.

Essa força e esse entendimento do sistema permitem que a empresa trabalhe produtos que se encaixem às necessidades de todo um grupo. E isso não deve ser diferente em qualquer companhia que decida fazer desse movimento um de seus maiores parceiros.



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